domingo, 30 de dezembro de 2018

Retrospectiva 2018

O ano de 2018 foi, sem dúvida, muito marcante para o esporte. Foi nele que aconteceu a vigésima edição da Copa do Mundo, na qual a Rússia foi o palco principal. Foi também uma temporada de hegemonias mantidas, de resultados mais pragmáticos, afinal, o Real Madrid manteve a coroa na Europa pelo terceiro ano consecutivo, algo inédito na Era Moderna, Pep Guardiola faturou mais um campeonato nacional, a cidade de São Paulo viu novamente um clube conquistar o Brasileirão e manter a hegemonia que dura quatro anos e, é claro, Lewis Hamilton foi novamente vencedor do Mundial de Fórmula 1. Porém, muitas surpresas também aconteceram, como a Croácia se tornar finalista de uma Copa, ou mesmo Luka Modric, um grande meia, discreto, acabar com a hegemonia de Lionel Messi e Cristiano Ronaldo e levantar a Bola de Ouro. Por fim, a aberração da decisão da Libertadores sendo realizada em solo europeu. Por essas e outras, apresentamos agora a nossa retrospectiva de 2018.

A Copa premiou, com mérito, a ascensão da sociedade francesa (Fifa.com)
10. Os cem pontos de Manchester: Pep Guardiola fatura mais um campeonato nacional

Não teve para ninguém. Em seu segundo ano como treinador do Manchester City, o técnico Pep Guardiola transformou o clube no melhor disparado da Premier League. Com o padrão de jogo característico, que, inclusive, completou 10 anos em 2018, o espanhol e os seus comandados doutrinaram o futebol da Inglaterra. Em 38 jogos, foram 32 vitórias, quatro empates e apenas duas derrotas. Surreal! Foi o sétimo título nacional em 10 anos de carreira como treinador.  
Pep Guardiola fez história no melhor City da história (Divulgação/Manchester City)

9. Pipeline dá bi

São apenas 25 anos de vida e Gabriel Medina já é o maior surfista da história do país. Após o primeiro título mundial, conquistado em 2014, o brasileiro passou alguns anos sem conseguir repetir o feito, sofrendo bastante para manter o ímpeto, apesar de brigar em quase todas as temporadas seguintes da WCT. Mas eis que quatro anos depois, Medina voltou a mostrar que o seu talento é único, com direito a um show em Pipeline, faturou o bicampeonato do mundo e recolocou a coroa. O título em 2018 foi ainda mais espetacular e elevou o brasuca de patamar.
Quatro anos depois, Gabriel Medina é campeão mundial de surfe (WSL/Ed Sloane)

8. De novo, Golden State?

O maior basquetebol do planeta viu, em 2018, a hegemonia ser mantida. Dos últimos quatro campeonatos de NBA disputados, três foram vencidos pelo Golden State Warriors. E mais do que isso, desde que Kevin Durant desembarcou em Oakland, a franquia comandada por Steve Kerr não perdeu mais um título.

Com direito a varrida no Cavs, o GSW foi
novamente campeão da NBA (AP)
Para chegar a mais uma conquista, o GSW não repetiu a campanha de 2017, se classificando para os playoffs apenas com a segunda colocação, atrás do Houston Rockets. No mata-mata, a maior dificuldade foi mesmo na final de Conferência, quando, curiosamente, encarou o Rockets de James Harden. A vaga na finalíssima veio apenas no jogo de número 7, com atuações avassaladoras de Curry e Thompson. Na decisão, porém, veio a varrida, 4 a 0 para cima do Cleveland Cavaliers, que, por sinal, viu Lebron James, o cara, se despedir de maneira melancólica.

7. São Paulo e só

O Palmeiras manteve a hegemonia paulista no Brasileirão
(Ale Cabral/AGIF)
O Campeonato Brasileiro de 2018 coroou, pelo quarto ano seguido, o futebol da cidade de São Paulo. E olhe só, o Palmeiras, decacampeão, fez um primeiro turno mediano, crescendo no início do segundo. Tudo isso graças a chegada de Luiz Felipe Scolari, Ou seja, com um elenco caro, recheado de peças importantes, com um comandante mais respeitado que o antecessor, Roger Machado, o Verdão nadou de braçadas para a conquista, algo semelhante a hegemonia do Golden State no basquete estadunidense. Vale lembrar que, nos últimos quatro anos, o Palmeiras venceu em 2016 e 2018, enquanto o Corinthians, rival paulista, levou a competição em 2015 e 2017.


6. Lewis Hamilton desbanca Sebastian Vettel e mira Michael Schumacher

Se existia alguma dúvida sobre quem era o piloto mais completo da atualidade, o ano de 2018 tratou de dar um basta. Ao menos momentâneo. Afinal, Lewis Hamilton deu mais um show nas pistas e, mais do que um carro melhor, o britânico mostrou muito talento para não dar chances ao adversário alemão e aos demais pilotos.

Lewis Hamilton agora é penta (Getty Images)
Além de desbancar Vettel e se tornar o único pentacampeão em atividade, Hamilton agora mira o recorde de Schumacher, o maior vencedor do Mundial de Fórmula com sete títulos. Falta pouco, Lewis ainda vive o auge de sua carreira para lá de regular. É possível!

Mais do que as conquistas de Lewis, 2018 mostrou que a FIA pode fazer modificações nas regras, vai ser difícil alguma escuderia desbancar o momento da Mercedes. Nos últimos cinco anos, foram quatro conquistas de Lewis Hamilton e uma de Nico Rosberg, é hegemonia.

E para encerrar o assunto Fórmula 1, não tem como deixar de mencionar, Fernando Alonso disse adeus. O lendário piloto espanhol, que conseguiu vencer Schumacher nos tempos áureos do alemão, não era mais capaz de ser competitivo. Ele conviveu com carros deploráveis, problemas fora das pistas, além da frustração de 2011, quando foi derrotado por Vettel na última prova. A aposentadoria da F1 é melancólica, porém, Fernando Alonso deixa a categoria com status de lenda.

5. Aberração no Santiago Bernabéu

A Copa Libertadores da América viveu, sem nenhuma dúvida, a temporada mais exótica de sua história. Até a fase semifinal tudo correu da maneira que todos estão acostumados. Afinal, falhas de atuação por parte da Conmebol, erros rotineiros dos clubes brasileiros e o ineditismo trazido pelo Árbitro de Vídeo.

Mas o momento era de deixar o pragmatismo de lado, chegou a grande decisão, aquela que foi apelidada de “Clássico do Fim do Mundo”. Boca Juniors e River Plate se enfrentariam numa finalíssima de Libertadores pela primeira vez na história. Fatos curiosos aconteceram. Porém, no jogo de ida, a partida foi adiada em um dia por conta da forte chuva.

O primeiro jogo chegou, foi realizado em Bombonera, e o 2 a 2 mostrou que seria bastante equilibrado, deixando o desfecho para a segunda partida, no Monumental. Vale ressaltar que, por lei, na Argentina, os clássicos são realizados com torcida única.
Boca e River decidiram a América na Europa. Que vexame! (Getty Images) 
O segundo jogo, porém, tinha tudo para acontecer, o Monumental estava lotado, a torcida do River deixou a atmosfera belíssima e aguardava a chegada das equipes. Entretanto, a chegada da delegação do Boca Juniors não foi das mais amistosas, com direito a apedrejamento do ônibus. O incidente acabou ferindo alguns atletas xeneizes. Resultado: partida suspensa e a nova data seria marcada, porém, a excelentíssima Conmebol, em mais um ano brilhante, definiu que a Argentina não teria condições de sediar o confronto.

Mas quem já achava que a situação estava ruim, viu o cenário ficar muito pior quando o Santiago Bernabéu, estádio do Real Madrid, ser confirmado como o palco da final da Libertadores da América. Isso mesmo, os colonizadores receberam a colônia para a decisão do campeonato mais importante de outro continente.

A Catedral do Futebol, como é conhecida, até deu ares de decisão para o jogo de volta entre River e Boca, mas nem de longe foi algo que se aproximou da Libertadores. Após 120 minutos de tempo normal e prorrogação, o time do Rio da Prata venceu por 3 a 1 e conquistou a América pela quarta vez em sua história. Além de vencer o maior rival, conquistou uma Libertadores decidida em solo europeu, provando, a cada ano, que ressurgiu após o trauma do rebaixamento.

4. Melhor time do século passado, o Real Madrid já é o maior do XXI

O ano também foi marcado por mais um recorde do Real Madrid de Cristiano Ronaldo e Zinedine Zidane. Em uma temporada que parecia ter acabado a magia do comandante francês, o português tratou de recuperar com o gol mais antológico de sua carreira. Uma bicicleta fenomenal para cima da Juventus de Buffon, o seu futuro clube, e vaga assegurada na próxima fase. E mais do que isso, para quem tanto questiona os sorteios da UEFA, dessa vez, o Madrid só encarou pedreira, derrubou, além da Juve, o Bayern de Munique, o PSG e o Liverpool.
Só deu Madrid, o time do século (Getty Images)
Foram duras batalhas de um time que já parecia desgastado. Porém, a força da geração do Real Madrid é gigantesca, tão grande ao ponto de superar um forte Liverpool com tranquilidade. Foi o momento derradeiro, três títulos de Liga dos Campeões de forma consecutiva colocou um ponto final nas passagens do comandante e ídolo francês, além do português, o maior jogador da história do clube.

Após a saída da dupla, o Real Madrid então passou a sofrer demais dentro de campo. Convivendo com derrotas que não costumavam acontecer, o time viu o investimento no técnico Julen Lopetegui cair por terra, apostando em mais uma solução caseira, caindo no colo de Santiago Solari.

Apesar do título Mundial, o primeiro tricampeão consecutivo, o clube espanhol está sofrendo sem o camisa 7, mostrando que a geração de ouro, a da dinastia na Europa, realmente chegou ao fim.

3. Fim da hegemonia

Se a hegemonia do Real Madrid na Europa está com os dias contados, a de Cristiano Ronaldo e Lionel Messi chegou ao fim. 2018 foi o ano em que Luka Modric, o herdeiro de Xavi, aquele meia discreto que quase sempre passa despercebido, viveu a temporada dos sonhos. Sendo o camisa 10 do Real Madrid tricampeão, o jogador foi destaque mesmo da Copa do Mundo da Rússia.

Luka Modric foi o líder da Croácia na Copa e se tornou o melhor do mundo (Fifa.com)
Liderando uma Croácia improvável, Luka foi o principal responsável por colocar o time nos eixos, na liderança de uma chave que contava com a Argentina. E o mais impressionante que tudo isso aconteceu na fase de mata-mata. Afinal, os croatas chegaram lá, foram finalistas pela primeira vez em sua curta história como país ficaram com a segunda colocação.

Os feitos levaram Modric a faturar o prêmio de melhor jogador do Mundial, algo coerente em se tratando de uma Copa do Mundo pragmática. No entanto, o curioso foi que Luka Modric não só levou a Bola de Ouro da competição, como garantiu todos os prêmios individuais da temporada. Foi eleito o melhor jogador da Europa, do mundo pela Fifa e também Bola de Ouro da revista France Football.

Modric nem de longe consegue ser superior a Messi ou Cristiano Ronaldo, no entanto, o seu ano fantástico o levou a encerrar a hegemonia de argentino e português. O ponto final em uma jornada que já durava 10 anos.

2. Adeus ao maior de todos os tempos

Maios herói das quadras do Brasil, Falcão abandonou o salão no ano de 2018. O gênio do futsal conquistou quase tudo o que era possível, coletivamente e individualmente. E podemos até dizer mais, ganhou até o impossível. Foi campeão mundial com metade da face paralisada, conquistou os Jogos Panamericanos na única edição em que o futsal foi incorporado e ainda fez história por lances antológicos da modalidade mais popular do país.
Gênio das quadras, Falcão disse adeus ao futsal (Luciano Bergamaschi/CBFS)

Porém, toda a magia chega ao fim em algum momento, apesar das marcas resistirem pela eternidade. Falcão foi gigante, o Pelé do futebol de salão, aquele que mudou a história do jogo. E para 2019 e os anos que vão suceder, o Brasil vai estar órfão do maior jogador de futsal que já produziu.

O legado permanece. Obrigado, Falcão!

1. Em solo russo, tivemos uma Copa semelhante ao Mundial de 2010

Passados nove momentos marcantes de 2018, não poderia faltar ela, a Copa do Mundo. O principal evento esportivo da temporada foi empolgante, como de costume. Aquela atmosfera que deixa o país motivado, otimista, que faz o mundo girar em torno de 64 partidas que sempre prometem muito.
A França voltou a conquistar o mundo 20 anos após a geração de Zidane (Fifa.com)
Contudo, na Rússia, o palco da vigésima Copa do Mundo da Fifa, o futebol praticado não foi dos mais vistosos. Pelo contrário, o pragmatismo fez parecer demais o Mundial da África, em 2010, com exceção daquela seleção espanhola, é claro. Com pouca posse de bola e defesas bem postadas, os europeus foram novamente protagonistas.

A França foi a grande campeã, mas, ao final dos seus sete jogos, pareceu que o time comandado por Didier Deschamps não chegou a se esforçar tanto para chegar ao bi. O único confronto que parece ter feito Griezmann e companhia correrem além da conta foi na semifinal, contra a Bélgica. Por sinal, os Diabos Vermelhos foram o ponto fora da curva e apresentaram o futebol mais bonito do certame.

Vice-campeã, a Croácia fez história (Fifa.com)
Outro momento de brilho que vale a pena destacar foi a partida entre Espanha e Portugal. Os dois últimos campeões europeus protagonizaram a melhor partida do Mundial, isso logo no segundo dia de Copa. Os espanhóis chegaram a Rússia em turbulência, com Fernando Hierro assumindo o cargo de técnico após a demissão polêmica de Julen Lopetegui, que, na época, acertou com o Real Madrid. Já os portugueses chegaram para um torneio que o que viesse era lucro. O time nem de longe era forte o suficiente para conquistar o mundo, mas vinha motivado pela Eurocopa de 2016. Em 90 minutos, tudo aquilo que o público esperava, um hat-trick de Cristiano Ronaldo, mais dois gols de Diego Costa e um golaço de de Nacho Fernandez do outro. Foi tudo muito espetacular.

Enquanto isso, a nossa seleção viu o momento mais complexo desde que Tite assumiu. Afinal, o treinador, pela primeira vez desde 2016, quando fechou com a CBF, se mostrou nervoso, inseguro. E todo o seu momento de incerteza comprometeu o time dentro de campo. Além disso, não podemos se esquecer dele: Neymar. O nossa camisa 10 vinha de uma grave lesão, mas nem de longe jogou bem na Copa. Discreto no quesito futebol, o atacante chamou a atenção do mundo pelas simulações mal feitas. E o resultado foi a chacota geral da sociedade do futebol.
Definitivamente, o Brasil não pode desperdiçar uma geração talentosa para se curvar aos gostos de Neymar e seu pai (Fifa.com)
Nos jogos, nenhuma partida tão convincente e uma eliminação frustrante para os belgas, semelhante a derrota por 2 a 1 para a Holanda em 2010. O fracasso colocou o trabalho de Tite em xeque. No entanto, pela primeira vez em muitos anos, a CBF decidiu manter um treinador para um novo ciclo de Mundial. Com justiça, o técnico gaúcho vai ter a oportunidade de fazer ajustes, além de trabalhar o seu psicológico quando a grande competição chegar.

Apesar do baixo nível, a Copa do Mundo é sempre um grande espetáculo. É o momento de superações, supremacias e cenas que ficam para a eternidade. Foi o melhor momento de 2018. E com isso, a Tribuna do Cisco deseja um feliz ano novo para todos os amigos do esporte. Na próxima temporada, siga conosco e vamos acompanhar novas histórias serem escritas.