terça-feira, 10 de julho de 2018

Tribuna de Copa #dia27: equilibrado


Vinte anos após a primeira vez na finalíssima, a França está de volta e, diferentemente de 2006, quando foi derrotada, chega muito mais forte. A atual geração é, inclusive, mais equilibrada que a campeã em 1998 e que a segunda colocada na Alemanha há 12 anos. A vitória nesta terça-feira sobre a Bélgica prova isso. Enquanto os Diabos Vermelhos pelejavam, trabalhavam bola e lançavam a pelota na área, os franceses eram certeiros e com certo pragmatismo, venceram e se impuseram como os grandes favoritos ao título.

Umtiti venceu os gigantes belgas para garantir a França na final da Copa do Mundo (Fifa.com)
Com Matuidi de volta após cumprir suspensão automática, os franceses repetiram a escalação que Didier Deschamps considera a melhor. Novamente não sofreram. Mas diferente da tranquila vitória sobre o Uruguai, a Bélgica tinha mais qualidade que a Celeste e aí que o equilíbrio do meio de campo funcionou. Por sinal, Kanté, o de sempre, liderou e não permitiu que Kevin De Bruyne jogasse. No entanto, Paul Pogba teve possivelmente a sua melhor atuação nesta Copa do Mundo.

E se o meio de campo é a perfeita válvula de escape, foi a defesa que colocou a França na final da Copa do Mundo. Na frente, com Umtiti, vencendo Fellaini em cobrança de escanteio, e também atrás, com Raphael Varane. A dupla de Barcelona e Real Madrid, respectivamente, encaixaram e já não sofrem mais gols. A defesa marselhesa não foi vazada nas últimas duas partidas.

Equilibrado do gol ao meio, o ataque francês destoa
com um camisa 9 que atrapalha (Fifa.com)
Por outro lado, o ataque ainda destoa. Se o talento de Mbappé tem de sobra, Griezmann tem atuado de maneira razoável e Giroud simplesmente não possui a menor condição de ser titular na equipe francesa. Para o bem e para o mal, a vaga era mesmo de Karim Benzema. Mas se o polêmico craque do Real Madrid não entra em campo com Deschamps como treinador, o camisa 9 do Chelsea entra, mas não finaliza, não apoia e muito menos faz gol. É o ponto fora da curva.

Apesar da qualidade e eficiência semelhante a campanha da Espanha em 2010, a França vai levando o Mundial sem chegar ao seu limite. Afinal, o time ainda não mostrou que nem mesmo 60% do que se espera e mesmo assim se coloca na decisão da Copa da Rússia. E numa competição tão imprevisível, talvez manter o padrão eficiente, jogando o feijão com arroz, seja o suficiente ou o necessário.

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