sexta-feira, 22 de junho de 2018

Tribuna de Copa #dia9: futebol é mais política que pão e circo


O nono dia de Copa do Mundo tinha tudo para ser mais pragmático que a atuação do Brasil de Tite nos 90 minutos de jogo contra a Costa Rica. Mas, assim como a reação surpreendente de Coutinho e companhia, o maior espetáculo da terra promove feitos inimagináveis que desafiam a briga por território e soberania das nações. Muito mais do que pão e circo, o futebol é política e a dupla Xhaka e Shaqiri resumiram bem tudo isso na partida que encerrou esta data.
Shaqiri brilhou dentro de campo e comemorou em sinal de resistência. Isso é para poucos! (Gonzalo Fuentes/Reuters)


De origem kosovares, o meia do Arsenal e o atacante do Stoke City marcaram os dois gols da vitória suíça para cima da Sérvia. E justamente contra o país que se nega a aceitar a independência de Kosovo, os destaques da Suíça celebraram os seus tentos fazendo o sinal da águia da bandeira da Albânia, país no qual a maioria do povo kosovar pertence.

Antes da virada, os sérvios abriram o placar com Mitrovic e flertaram com a classificação por todo o primeiro tempo. O duro golpe suíço, do jeito que foi, causou um choque de realidade na Sérvia. Afinal, se ela não reconhece Kosovo como independente, os craques kosovares tratam de lhe enfrentar e mostrar que sim, é possível.

O triunfo coloca a Suíça na segunda colocação do Grupo E. Agora, a classificação está encaminhada, já que Shaqiri e a sua trupe precisa vencer a eliminada Costa Rica para repetir 2014 e chegar ao mata-mata do Mundial. Para a Sérvia, resta engolir os gols dos seus piores pesadelos e bater de frente com o Brasil.
Coutinho tem sido o destaque do Brasil na Copa do Mundo (Fifa.com)
Os brasileiros, por sinal, que papelão de Tite e os seus comandados até aqui. Uma atuação para lá de decepcionante contra a Costa Rica. Nervosismo, individualidade e falta de objetividade para sofrer por quase 90 minutos de partida.

O país pentacampeão mundial ainda não mostrou a que veio para a Rússia e a pontinha de esperança veio aos 46 minutos do segundo tempo, quando Philippe Coutinho anotou o seu gol de número dois na Copa e abriu caminho para uma equipe menos traumatizada.

A prova disso foi o gol de Neymar, para lavar a alma e espantar o mau momento. É o que todo mundo espera.

Musa se tornou o artilheiro nigeriano em Mundiais (Fifa.com)
Para completar o nono dia, Nigéria e Islândia se enfrentaram pelo Grupo D. E se muitos esperavam o futebol islandês assumir a boa forma apresentada nesses últimos quatro anos, a falta de experiência foi que reinou Volvogrado. Os europeus queriam que os africanos tivessem a mesma postura da Argentina e a perda de pênalti de Sigurdsson, o seu maior craque, foi à gota d’água.

Do outro lado, os nigerianos mostraram que a derrota na estreia se deu mais pelo bom futebol croata do que por um mau desempenho. Musa, aquele que só vinga com a camisa do CSKA de Moscou, anotou os dois gols do triunfo, que foram comemorados pelos africanos e até pelos argentinos. Para os sulamericanos, ainda existe esperança pela classificação. No entanto, para isso acontecer, o jogo precisa aparecer, algo que parece improvável.


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