terça-feira, 26 de junho de 2018

Tribuna de Copa #Dia13: a paixão que supera a bagunça


A angústia foi precipitada. A Argentina está classificada para a fase de mata-mata da Copa do Mundo. E foi sofrido, mas a paixão dos torcedores somada a vontade dos atletas superaram a bagunça que é o time comandado por Jorge Sampaoli. O triunfo por 2 a 1, com gols para lá de simbólicos de Lionel Messi (o tento de número 100 do Mundial da Rússia) e de Marcos Rojo, um renegado em seus quatro anos de Manchester United, levaram bicampeões do mundo de encontro com a França. Estes, por sinal, estão devendo bola e raça. A própria partida desta terça-feira, contra a Dinamarca, incomodou até mesmo os próprios torcedores franceses.
Rojo é um símbolo dessa geração argentina: tecnicamente fraco, mas bastante importante nas decisões (Fifa.com)
O desfecho do Grupo D foi incomum diante daquilo que muitos esperavam. Apesar da má campanha nas Eliminatórias, o povo argentino acreditava na redenção de Sampaoli e os seus comandados. Mas foi somente quando os jogadores tomaram as rédeas no vestiário que a mística da raça da Argentina apareceu.

Consistente em três jogos, Croácia apresentou o
melhor futebol da fase de grupos até aqui (Fifa.com)
E mais simbólico que o gol de Rojo, foi a comemoração discreta e isolada do treinador. Sampaoli nem de longe merecia o destino obscuro que o futebol de seu país tem lhe reservado. Mas a conivência com diversas situações somada a apostas equivocadas na convocação deixaram o técnico de mãos atadas. É Messi e Mascherano para salvar a Argentina de uma Nigéria que de certa forma surpreendeu.

A quarta força da chave ficou com a terceira colocação, à frente da Islândia. E mesmo derrotada para uma Argentina desarrumada, ficou o gostinho de que poderiam ter tido maior sorte. Além da dupla, a Croácia protagonizou a melhor campanha em um Mundial até aqui. Cem por cento de aproveitamento, 7 gols marcados em três jogos disputados e um futebol para lá de consistente. A liderança do grupo é justa e coloca os croatas na rota dos dinamarqueses. São favoritos! Já a Islândia provou o sabor amargo de uma Copa do Mundo. Faltou experiência numa competição que possui um nível bem mais elevado que a Eurocopa.

Atuações ridículas de França e Dinamarca.
Ambos estão classificados (Fifa.com)
Enquanto isso, no Grupo C, a vontade não foi o fator decisivo para as classificações de França e Dinamarca. O primeiro e, por ora, único 0 a 0 da Copa do Mundo foi benéfico para a dupla europeia. E quem pagou por isso foram os torcedores que estiveram no Estádio Lujniki, em Moscou. A falta de ambição pode ser um fator comprometedor para Didier Deschamps e os seus comandados. No atual elenco francês, falta futebol e mais do que isso, vontade de vencer. Aos dinamarqueses, a segunda colocação ficou de bom tamanho.

Completando o grupo e realizando um jogo bem mais vistoso que França e Dinamarca, o Peru encerrou a sua participação na Copa com uma vitória das boas para cima da Austrália. Os gols de Carrillo e Guerrero deram aos peruanos um triunfo que não vinha desde 1978, ano em que a seleção havia disputado o Mundial pela última vez. Nesta terça, tudo foi perfeito para os sulamericanos, enquanto os australianos ficaram com a lanterna, sem vencer. Foi o adeus de Tim Cahill, o experiente jogador de 4 Copas.
Toda a trajetória até a Copa de 2018 vai ser a principal história que Paolo Guerrero vai contar para as suas próximas gerações (Fifa.com)
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