sábado, 26 de maio de 2018

O Madridismo também é resistência


Terceira colocação no Campeonato Espanhol e uma eliminação vexatória na Copa do Rei. Definitivamente, a temporada do Real Madrid foi muito abaixo do esperado. No entanto, a preguiça do elenco comandado por Zinedine Zidane, na Liga dos Campeões da Europa, é substituída por muita vontade, que, muitas vezes, supera a técnica. E, pasmem, os gigantes também vencem assim.

Por incrível que pareça, sem tanto investimento, o Real Madrid é novamente campeão europeu (Getty Images)
E o que prova algumas diferenças da equipe que trucidou a Juventus na temporada passada para uma que sofreu e contou com as falhas do Liverpool para chegar ao título é a falta de precisão. Nunca antes se viu Toni Kroos e Luka Modric errarem tantos passes. Cristiano Ronaldo esteve muito apagado, longe daquele que foi decisivo na final de 2017.
Criticado o ano inteiro, Benzema termina
 a temporada em alta (Getty Images)

Contudo, a falta de brilho dos protagonistas foi substituída por muita garra. Modric mostrou isso correndo o campo inteiro. Defendendo. Por incrível que pareça. Outro ponto é o bom desempenho dos coadjuvantes que, no caso do Real Madrid, são de luxo. Gareth Bale, o reserva que seria titular se não sofresse tanto com as lesões, entrou e foi decisivo, como na final de 2014, contra o Atlético de Madrid, e na de 2016, diante do mesmo adversário da capital espanhola.

Zinedine Zidane: uma curta carreira resumida
 em "orelhudas" (Getty Images)
Apesar da bicicleta e das sacadas do galês no campo, a 13ª é também de Karim Benzema. O francês, criticado durante toda a temporada, lavou a alma. O impressionante foi como os goleiros (Ulreich e Karius) falharam na frente do camisa 9.

Além deles, é claro, Sergio Ramos não pode ser esquecido. O capitão do Real é um jogador daqueles que geram ódio, o símbolo do Madridismo. E se na temporada passada ele foi o responsável por ocasionar a expulsão de Juan Cuadrado, nesta, o baque foi maior. Afinal, nem o zagueiro Blanco queria que Salah se machucasse e deixasse o campo. Mas isso comprometeu demais o Liverpool durante os 90 minutos.

Cristiano Ronaldo se tornou o maior campeão europeu
 em atividade (Getty Images)
Por fim, eis o líder. Zinedine Zidane, o incrível. Três temporadas como técnico do time profissional do Real Madrid e três títulos de Liga dos Campeões. Sem brilhar com um esquema tático ou estilo de jogo, o lendário jogador francês, agora comandante, supera os badalados Pep Guardiola e José Mourinho. Quem diria!

E com esse time que se repleto de jogadores conhecidos, de um grupo que tem tudo para se perder e cair no comodismo, o Real Madrid faz história. Implanta uma dinastia, veste a camisa do Madridismo diante de um mundo que torce pelo contrário.