terça-feira, 15 de maio de 2018

Eles também mereciam!



Terminou nesse domingo a passagem de 22 anos de Arsène Wenger como treinador do Arsenal. E em tantas temporadas, o francês acumulou glórias, elevou o patamar do clube mais popular da capital da Inglaterra. Mas também somou frustrações, incluindo nas últimas épocas.  No entanto, foi há 12 anos que os Gunners sofreram o maior baque de sua história, uma ferida na qual eles jamais cicatrizaram. Mas naquela final de Paris, Wenger e os seus eleitos também mereciam o título.
Henry e Wenger: as duas principais figuras da história do Arsenal (Reuters)
Duas temporadas após o brilhante título inglês invicto, aquela geração do Arsenal chegava ao ápice de sua história: a final da Liga dos Campeões da Europa. A campanha também era perfeita, numa invencibilidade que durou até aquela decisão contra o Barcelona. A geração de Henry, Fàbregas, Gilberto Silva, Lehmann, entre outros, desbravaram gigantes como Real Madrid, Juventus, e também a zebra Villarreal.

Naquela Liga dos Campeoões, o Arsenal despachou gigantes
como a Juventus (David Price/Arsenal)
Contudo, foi no Stade de France, o pior dos desafios. A missão mais dura que aquela geração enfrentou. Um Barcelona que ressurgiu com o talento de Ronaldinho e de outros jovens, como Iniesta, Xavi e Samuel Eto’o e desbravou, até mesmo, os Gunners.

Aquele jogo foi diferente, afinal, o Arsenal botaria em prática tudo o que construiu desde a chegada de Arsène Wenger. Era o grande marco. Mas aqueles 90 minutos velozes tiveram de tudo. Uma expulsão para lá de exagerada do goleiro Jens Lehmann e, mesmo com um a menos, o time inglês foi capaz de jogar melhor que o Barcelona na primeira etapa, com direito a gol do zagueiro Soul Campbell.

Nos últimos anos, o acúmulo dos fracassos desgastou
 a relação com a torcida (Reuters)
Mas duelar contra um Barcelona tão perigoso, plástico, com 10 jogadores em campo, sendo um goleiro reserva, era demais para Wenger. E no segundo tempo veio a dolorida derrota. Um gol de Eto’o e outro de Belleti fizeram os catalães campeões europeus. E o Arsenal nunca mais foi o mesmo.

De lá para cá, foram poucos títulos, duas Copas da Inglaterra e humilhações contínuas na Liga dos Campeões da Europa. Nos últimos dois anos, inclusive, nem conquistar a vaga na principal competição da Europa o elenco do Arsenal conseguiu. Fato que resultou na demissão de Arsène Wenger, o maior técnico da história do clube.

Uma ferida eterna, que só pode ser esquecida e cicatrizada com a chegada de um novo comandante. Porém, diante daquele Barcelona de Ronaldinho em sua melhor fase da carreira, o Arsenal também merecia ter sido campeão.
Apesar dos pesares, Wenger é uma entidade. É para sempre! (Reuters)