segunda-feira, 23 de abril de 2018

Onde a paixão supera a tradição


Para os quatro semifinalistas da Liga dos Campeões da Europa, faltam apenas três jogos para a glória máxima do futebol no continente. E antes de rumarem para Kiev, o palco da decisão na temporada 2017/2018, Liverpool x Roma e Bayern de Munique x Real Madrid vão duelar em confrontos de ida e volta. São semifinais bem inusitadas se compararmos as edições anteriores: de um lado, toda a tradição e soberania alemã e espanhola, do outro, a Itália (menos a Lazio) em peso torcendo por uma esquadra diante de um gigante inglês adormecido, mas que retorna com a grandeza daquela decisão de 1984.
Cristiano Ronaldo peregrina rumo a solidão como o melhor do mundo, mas três clubes lutam contra ele o seu Real Madrid (Tribuna do Cisco)

Uma semifinal com cara de final e que representa muito para quem por lá chegar. A Roma só ficou entre os quatro melhores clubes da Europa em uma única oportunidade. E do clube que levantou a Serie A do Calcio três vezes, na temporada 2017/2018, a primeira sem Totti, o impossível vai acontecendo. Afinal, foi com requintes de crueldade que os romanistas perderam para o Barcelona na ida, por 4 1, com direito a dois gols contra (mesmo jogando bem) como também foi cruel o triunfo por 3 a 0 na volta. Uma atuação impecável! Um momento que já entrou para a história na capital italiana.

Contudo, empoderado depois de eliminar o campeão espanhol, a Roma quer acabar com a ideia de “o que vier é lucro”. O planejamento é sim de bater o Liverpool e brigar pelo título inédito. Uma conquista que lavaria a alma da Itália após anos esquecida. Tanto é que Eusebio De Francesco, que foi campeão italiano com a Roma em 2001 quando ainda era jogador, polpa os titulares na liga nacional e projeta um elenco no limite para encarar os Reds.
Na derrota e na surpreendente vitória, a Roma foi gigante (Getty Images)
Vale ressaltar que a principal força da Roma vem do gol. Alisson não só é o melhor goleiro da temporada na Europa, como ainda não sofreu um gol sequer dentro do Estádio Olímpico nesta edição da Liga dos Campeõs. O camisa 1 está impossível! Assim como os Giallorossi.

E em se tratando de uma temporada dos impossíveis, a trajetória de Mohamed Salah é tão espetacular quanto a de Alisson. O gigante egípcio já superou os heróis de um passado recente, e não tão brilhante, do Liverpool. O atacante é artilheiro, é articulador de jogadas, é veloz como um menino de 20 anos. Salah é fatal.

Sob o comando de Jurgen Klopp, o Liverpool vive altos e baixos. Porém, o amor supera as adversidades e a torcida apoia o louco treinador alemão na sua busca incessante pelo futebol bonito que atrai títulos. As taças ainda não vieram, mas o jogo vertical, com um ataque fulminante, recolocou os Reds na semifinal da Liga dos Campeões. E pasmem, são cinco conquistas da maior competição europeia somente para o time que ainda não venceu a atual Premier League.
Klopp é responsável por recuperar a carreira de alguns atletas. Chamberlain é um deles (Getty Images)

Contra a Roma, além da soberania, as apostas vão sim para o ataque. Roberto Firmino, Salah e Mané são os encarregados de superar uma defesa intransponível dentro de casa. Mas enquanto o jogo de volta não chega, a ideia é marcar muitos tentos no de ida.

Palpite: Liverpool.


Se num dos confrontos o Liverpool desponta como o grande favorito, no outro, Real Madrid e Bayern de Munique medem forças. É óbvio que os Merengues, atuais bicampeões da Europa e maior clube do planeta, levam a vantagem. Porém, no lado alemão está Jupp Heycnkes: o último homem que conseguiu dar um título de Liga dos Campeões a Baviera.


Um pênalti polêmico manteve o Real Madrid na busca por mais um título europeu (Getty Images)

Apesar da grande expectativa, a temporada do Real Madrid é muito decepcionante. O Campeonato Espanhol ficou muito para trás, na Copa do Rei, mais um vexame grotesco. E para piorar o momento, a quase eliminação para a Juventus nas quartas de final, da forma como foi, deixou o torcedor com uma pulga atrás da orelha. Contudo, com a sua principal arma, o campeão europeu é quase imbatível. E sim, Cristiano Ronaldo é capaz de qualquer coisa dentro de campo. Inclusive, o de carregar o seu time preguiçoso nas costas. Zinedine Z
idane sabe disso e deposita a sua fé no dono da camisa 7, que também já está de olho na sexta Bola de Ouro.

Assim como o Real Madrid, a temporada do Bayern não é tão boa. Isso explica a demissão de Carlo Ancelotti no início da temporada e o retorno de Jupp Heynckes. O senhor bicampeão da Europa voltou da aposentadoria com uma missão que, para ele, não parece difícil. Afinal, todas as vezes que o treinador disputou a Liga dos Campeões, a pior colocação em que terminou foi a segunda. E diferente do Real Madrid, que tem uma concorrência absurda na Espanha, a campanha razoável dos Bávaros terminou com mais um título antecipado de Bundesliga. Mas para se sobressair e derrotar o Real Madrid, como fez em 2012, os alemães precisam deixar a acomodação de lado e jogar como se fosse uma final.
O futebol apático contra o Sevilla na Alemanha ligou o sinal de alerta no time do Bayern (Getty Images)
Para estas duas decisões, o Bayern aposta no bom rendimento de Thiago Alcântara, James Rodriguez e ele, sempre ele: Robert Lewandowski. O que ainda preocupa é o gol, Neuer segue vivendo o seu calvário, enquanto Ulreich vai ser o responsável de tentar parar a máquina de gols chamada Cristiano Ronaldo.

E é justamente o camisa 7 que pode fazer a diferença. Com elencos semelhantes, com histórias recentes para lá de vencedoras, o clube que leva a vantagem é aquele que possui o melhor jogador do mundo. Isso não fez diferença para o Barcelona com Lionel Messi nesta temporada, mas tem feito em favor do Real Madrid.


Palpite: Real Madrid.

Confira os jogos das quartas de final:

Liverpool x Roma (ida: 24/04 – Liverpool/volta: 02/05 – Roma)

Bayern de Munique x Real Madrid (ida:25/04 – Munique/volta: 01/05 – Madri)