quinta-feira, 8 de fevereiro de 2018

As gerações passam e o Chelsea continua sendo o clube mais difícil para um técnico trabalhar

A passagem de Antonio Conte como treinador do Chelsea está chegando ao fim. O técnico dos Blues, que estreou na Premier League conquistando o título, já não encanta mais o seu elenco e o desempenho do time caiu drasticamente. E ao que tudo indica, o italiano é mais uma vítima do clube que, desde o início do novo milênio, tem se mostrado como o mais complicado para se trabalhar.

A passagem de Antonio Conte pelo Chelsea está chegando ao fim (Getty Images)


Conte não é santo e tem colhido o que plantou após ter sido campeão inglês. A demissão de Diego Costa por mensagem de texto, por exemplo, começou a crise no vestiário. Descartar o melhor jogador do time na temporada passada não deixou o grupo satisfeito e, convenhamos, Morata não vive um bom momento na Inglaterra. Outra situação complicada foi a saída de David Luiz da equipe titular. O zagueiro é um dos líderes do vestiário londrino.

O controverso conto italiano na Inglaterra não é o primeiro. O Chelsea acumula histórias de treinadores que deixam o clube pelas portas dos fundos. Nem mesmo José Mourinho foi perdoado (duas vezes). Um brasileiro também se deu muito mal em Stamford Bridge. Relembramos algumas situações de amor e ódio em Londres somente nos anos 2000. Confira!


José Mourinhou construiu laços importantes nos
primeiros anos de Chelsea (Reuters)
A primeira vez de José Mourinho em Stamford Bridge começou com muita expectativa. O português desembarcou na Inglaterra com o título da Liga dos Campeões com o Porto. Um feito e tanto. Foram quatro anos de muita paixão dos torcedores londrinos pelo trabalho do treinador.

Ao todo, o Special One faturou a Premier League duas vezes, assim como a Copa da Liga Inglesa. Mourinho também conquistou a Copa da Inglaterra e a Supercopa. A geração dos jovens Petr Cech, John Terry, Frank Lampard, Joe Cole e Didier Drogba marcou a história dos Blues.

Contudo, a falta do título europeu incomodava o mandatário Roman Abramovich. Aos poucos, o desempenho do time caiu, assim como o prestígio por José Mourinho. E foi justamente após um resultado desfavorável, um empate contra o Rosenborg, pela Liga dos Campeões da Europa, que resultou na queda do português.

Em sua primeira passagem pelos Blues, Mourinho teve 67% de aproveitamento.


O elenco dos Blues não perdoavam nem o idioma
de Scolari(Getty Images)
Campeão mundial pelo Brasil em 2002 e com uma passagem boa pela seleção de Portugal, Felipão chegou ao Chelsea como a aposta para fazer a equipe jogar um futebol bem mais ofensivo que o de José Mourinho. Mas o brasileiro, que foi uma forte liderança no pentacampeonato, não caiu nas graças do elenco em nenhum momento.

É que Didier Drogba, John Terry, Joe Cole, Michael Ballack, Ashley Cole e Frank Lampard ainda estavam apegados ao antecessor português. Para a família Scolari, sobrou a periferia da bola, formada por José Bosingwa, Franco Di Santo, que chegou a vestir a camisa 9 e o brasileiro Mineiro. Além deles, Felipão contava com a confiança de bons jogadores, como Deco, Anelka, Quaresma e também Florent Malouda.

A união de quem gostava e quem não curtia o trabalho de Felipão terminou no início de 2009, antes mesmo de completar a primeira temporada. O aproveitamento foi de 56%, em 36 jogos disputados.

Esqueçam o estilo defensivo de José Mourinho. Deixem para lá a passagem asquerosa de Felipão. E também os buracos preenchidos por Avram Grant e Guus Hiddink após as demissões da dupla Portugal/Brasil. A aposta, dessa vez, foi no italiano Carlo Ancelotti, ídolo máximo do Milan nos anos 2000.

Máquina de gols e título: o Chelsea de Ancelotti (Getty Images)
O primeiro ano de Ancelotti na Inglaterra foi um sonho. O Chelsea foi gigante na Premier League, venceu com facilidade e terminou a temporada como o melhor ataque da Europa. Somente no Campeonato Inglês, os Blues marcaram 103 gols em 38 jogos disputados. Avassalador!

Didier Drogba foi o destaque. O camisa 11 sempre foi um grande jogador, mas, excepcionalmente na temporada 2009/2010, o atacante fincou as raízes em Stamford Bridge. É ídolo.

Contudo, passada a maravilha do primeiro ano, o desempenho do Chelsea foi superado. Em 2010/2011, o Manchester United, de Sir Alex Ferguson, voltou a dominar a Inglaterra. Mas não se pode dizer que houve corpo mole por parte do elenco do Chelsea. Afinal, o time terminou a temporada com o vice-campeonato inglês.

O problema também foi a falta de mais ousadia na Liga dos Campeões. O milionário time dos Blues seguia sem levantar a “Orelhuda” e o isso pesou na conta de Ancelotti, que foi dispensado ao término da temporada.

Villas-Boas não vingou como técnico (Getty Images)
Esse aí chegou com uma expectativa de José Mourinho, mas terminou com um desempenho de Felipão. André Villas-Boas era uma jovem promessa portuguesa. Dessa safra de treinadores que chegam credenciados após levar o Porto ao título da Liga Europa.

Porém, o portuga jamais convenceu. A passagem de Villas-Boas pelo Chelsea durou até março, um mês a mais que Scolari. A gota d’água aconteceu na derrota para o Napoli, pelo jogo de ida das oitavas de final da Liga dos Campeões da Europa. Se o desempenho na Premier League já era ruim, perder por 3 a 1 para os italianos significaria mais um ano de seca no europeu.
E a demissão de André Villas-Boas virou o Stamford Bridge de ponta cabeça.  Roberto Di Matteo, um italiano sem nenhum prestígio ou holofote assumiu o comando de forma interina.

O inacreditável aconteceu: o fraco Di Matteo foi  o responsável pela maior conquista da história do Chelsea (AP)
Di Matteo e os seus comandados, os mesmos Cech, Cole, Terry, Lampard, Malouda e Drogba fizeram um pacto. E unidos a Juan Mata, Ramires, David Luiz, Cahill e Kalou transformaram os Blues em campeões da Liga dos Campeões. Quem diria, com o pior elenco dos últimos anos, o Chelsea venceu o Bayern, em Munique, e levantou o título mais importante de sua história.


A torcida foi contra a vinda de Rafa Benítez.
Foi pressão do início ao fim (Getty Images)
Apesar do título europeu, Di Matteo comprovou que não estava pronto e foi demitido logo no início da temporada seguinte. Para o seu lugar, Rafa Benítez. O espanhol que acumula passagens de sucesso por Valencia e Liverpool sempre foi perseguido pela torcida do Chelsea. E apesar da pressão, o técnico nem foi tão mal.

Os Blues terminaram o Campeonato Inglês na terceira colocação, atrás de United, o campeão, e do City, o vice. Porém, o ponto mais importante foi o título da Liga Europa.

Isso mesmo, o desempenho de Di Matteo fez o Chelsea ser eliminado na fase de grupos da Liga dos Campeões. E mesmo no amargo campeonato de segundo escalão, Rafa Benítez conseguiu manter Juan Mata jogando em alto nível e levar a equipe londrina a conquista.

Ao fim da temporada, Benítez foi dispensado e um velho conhecido foi trazido de volta para Stamford Bridge. Injusto, mas compreensível.


Festa nos bastidores. O Special One retornou ao Chelsea. Os jogadores eram outros em relação a sua primeira vez no Stamford Bridge.

A primeira temporada de Mourinho em seu retorno foi apenas razoável. O Chelsea sofreu na Premier League, alguns jogadores estavam velhos demais para vingar. Eto’o que o diga. Mas o agora experiente treinador português também errou. Falhou feio. Permitiu a saída de promessas como Lukaku, De Bruyne e Salah. Se apegou em nomes mais cascudos, com mais tempo de futebol. O primeiro ano terminou com uma derrota pesada para o Atlético de Madrid na semifinal da Liga dos Campeões.

José Mourinho é o maior técnico da história do Chelsea (Getty Images)


E foi do próprio Atlético de Madrid que José Mourinho construiu o seu novo time. Com Courtois no gol e Diego Costa no comando do ataque, os Blues se reergueram. O melhor jogador da equipe também chegou vingou nessa temporada. Eden Hazard, vestindo a camisa de número 10, carregou os Blues para o título inglês. A temporada 2014/2015 foi um sucesso.

A promessa de Mourinho era se fixar em Londres como Alex Ferguson no United. Como Wenger no Arsenal. Mas a história de José no Chelsea é diferente, é de amor e ódio. E a fúria veio na temporada seguinte, quando o português perdeu o vestiário... De novo na história do leão londrino.

A sequência negativa foi bem pior do que na primeira passagem, Lampard e Cech não estavam mais lá para salvar a pele de Mourinho. Terry e Drogba já estavam bem mais velhos, incapazes de mudar a cabeça dos outros jogadores, como Fabregas, Hazard e Diego Costa. Após a segunda demissão, José Mourinho dificilmente vai retornar ao Chelsea como treinador. Foi o fim da história do português no clube mais difícil de se trabalhar na Europa.

Novos tempos, mas as dificuldades em domar as feras do Chelsea permanecem (Getty Images)