sábado, 4 de novembro de 2017

UFC 217: Será que GSP fará parte da sina do retorno?

O dia de hoje marca o retorno de um dos maiores nomes da história do MMA, o canadense George Saint-Pierre. Dominante enquanto fez parte da categoria dos meio-médios, GSP decidiu se aposentar após um combate lendário contra Johnny Hendricks e vitória por decisão contestável. Hoje é o fim desta primeira decisão, Rush volta a pisar no octógono fazendo surgir a dúvida de qual dos GSP's voltará? O jovem aniquilador ou o burocrático dominante? Além disso, o quanto sua pausa influenciará no retorno? O fato é que as idas e vindas no MMA é um roteiro bem comum e, uns bem conhecidos, tiveram de engolir algo que não estavam acostumados: Derrota.

Enquanto campeão. (Pinterest)

Vários fatores precisam se levados em consideração quando um lutador retorna ao octógono depois de um revés, seja ele o primeiro da carreira ou após um período de invencibilidade. Durante esse momento, é comum o lutador construir uma confiança inabalável em que, as vezes, pode se transformar em soberba. Ou algo bastante comum em esportes em geral, o desencontro entre performance e evolução, pois os competidores atuais estão em constante embate contra os próprios limites e isso faz uma enorme diferença durante os seus treinos. A seguir, teremos uma lista de retornos emblemáticos que tiveram uma série de motivos distintos que iremos dissecá-los.
Royce vs Dan Severn. (MMA Brasil)
Royce Gracie: O cobaia da familía Gracie, Royce chocou o mundo das lutas conseguindo derrubar pessoas muito maiores que ele e provar na prática que o BJJ era a arte marcial mais eficiente de todas. Para os simpatizantes do MMA, esse enredo é bem conhecido e não dá para negar que faz sentido. Quanto mais Royce vencia, mais o ímpeto em vencê-lo crescia entre seus adversários. O retorno mais emblemático do jiu-jiteiro carioca foi contra Matt Hughes, então campeão da categoria dos Meio-médios do UFC. Em uma disputa de graplers, o confronto tinha que acabar no chão. A diferença é que Royce foi completamente dominado, tendo quase sido finalizado, mas não conseguiu resistir ao agressivo Ground and Pound do americano. Ficou evidente que o esporte tinha mudado muito e que Royce não acompanhou essa evolução.
Estreia no UFC contra Liz. (MMA Fighting)
Ronda Rousey: O fenômeno Ronda Rousey foi um dos melhores momentos de mídia para o UFC. A judoca foi completamente dominante em sua categoria e sua personalidade carismática foi um motor para a franquia americana propagar sua popularidade. Durante seu reinado, Ronda foi facilmente a principal personalidade do esporte após o primeiro incidente que ofuscou a carreira de Jon Jones. A dominância de Rowdy era inquestionável, mas a responsável por sua primeira derrota deixou marcas muito maiores do que hematomas na cara. A californiana caiu em um enorme inferno astral, não digeriu bem a derrota e continuava sendo cobrada por satisfações pela mídia. O UFC tentou blindá-la e a deixou livre para tomar as decisões quando achasse conveniente. Ronda teve um tratamento jamais visto, escolheu quando voltar, contra a atual campeã, Amanda Nunes, e exigiu não participar de nenhum evento midiático. Bem, o combate deixou claro que a judoca não tinha evoluído nada na defesa em pé e foi facilmente atacada pela brasileira. Desde então, não há nenhum burburinho de alguma outra luta de Rowdy.
A melhor bermuda da história do MMA. (Pinterest)
BJ Penn: Dono de embates lendários e amado por todos os fãs antigos do esporte, o havaiano BJ Penn foi mais um grande lutador que não se deu muito bem com retornos ao octógono. É verdade que a quantidade de retornos de BJ são vários, mas os resultados não são diferentes. O Prodígio se encaixa perfeitamente no caso de lutadores que não sabem quando parar e acabam colocando seu legado em cheque. Foram dois retornos recentes, um em 2014 e outro em 2017, todos com derrotas em que demonstravam claramente o abismo existente entre Dee e seus competidores, é um excelente exemplo para vários lutadores que não perdem a vontade, porém o corpo deixa sinais claros de exaustão.
Famoso momento de concentração antes da luta. (Super Lutas)
Anderson Silva: É fato que o Spider nunca se aposentou, o mais próximo que aconteceu foram algumas palavras balbuciadas a Joe Rogan depois da primeira derrota para Chris Weidman, todavia seus retornos tiveram colheres de melancolia que gabaritam o Spider a entrar na lista. Após a fratura exposta, Anderson lutou contra Nick Diaz numa batalha bem enfadonha, mas era compreensível você imaginar um cara com 40 anos após uma lesão impensável estar bastante enferrujado. O problema foi em seguida, quando teve de ficar mais um ano parado por conta de doping e retornar contra o atual campeão Michael Bisping. A capacidade de dar golpes potentes e certeiros permaneceu, mas sua esquiva e tempo de contra-golpe parecem ter sumido, contribuindo para a derrota da lenda brasileira. Silva ainda demonstra as fragilidades mencionadas anteriormente junto com uma pífia defesa de quedas e não parece mudar o estilo de luta, o que é muito perigoso.
Fedor em seus momentos de glória no Japão. (Canoe)
Fedor Emelianenko: O Último Imperador marcou época no Japão e se mostrou como um dos maiores lutadores de topos os tempos. De físico roliço e temperamento gélido, Fedor não aparentava alguém feroz e sanguinário, apenas alguém perdido em um ringue pronto para tomar umas porradas. Pois bem, azar de quem estivesse no córner adversário. Mas, como mencionei anteriormente, isso acontecia em ringues, pois em grades a história é outra. Uma vitória não convincente contra Brett Rodgers abriu o caminho da desconfiança, alimentada ainda mais pela derrota para Fabrício Werdum, concluída após o massacre sofrido por Antônio Pezão e ridicularizada depois do revés para Dan Henderson. Fedor hoje é usado para vender ingressos, pois quando enfrenta adversários na ativa e profissionais, é derrota garantida. 

Então achamos que GSP terá final semelhante hoje? É possível, não tem como ter a mínima ideia de como se encontra o canadense. Não dá para saber se aquele lutador meticuloso e que não se expunha a riscos continua da mesma forma, são quatro anos de hiato e nenhuma competição durante o período. Bisping é um campeão questionável? Totalmente! E sua falta de ímpeto para defender o título contra quem merece e ficar escolhendo adversários mancham ainda mais o atual campeão, porém é igualmente subestimado, principalmente no questão de combinar sua vigorosidade com um cardio excelente. Dar um palpite aqui é como um tiro no escuro, não tem como compor uma linha lógica pois os fatos são inexistentes.
Será que teremos um novo campeão? (MMA Weekly).
Tá, é para chutar? Acho que dará GSP por decisão. Mas, peraí, quanto mais a luta se prolongar, melhor para o canadense. É, mas se Bisping não foi capaz de segurar o Wrestling de Sonnen, porque faria isso com GSP? Se bem que o inglês vai estar muito maior e mais forte que o quebequense. Tá vendo como é difícil? Só que eu torcerei por GSP porque Bisping é um péssimo campeão.