quinta-feira, 2 de fevereiro de 2017

Time Itamar tem padrão de jogo, mas falta coragem para confrontar grandes defesas

Botafogo-PB dominava a partida até o empate do Campinense. Esquema defensivo da Raposa anulou as tentativas do Belo 
Itamar observa o Botafogo-PB aos poucos se perder em campo. (Cisco Nobre / GloboEsporte.com - Tribuna do Cisco)
Um Clássico Emoção tão pesado quanto a final do Campeonato Paraibano do ano passado. Muita reclamação, confusão e novamente vitória do Campinense no Estádio Almeidão. A derrota encerrou a paz da torcida alvinegra com a equipe. Uma das principais reclamações dos torcedores foi a tal falta de padrão tático do técnico Itamar Schülle para desenvolver o time. Porém a tática nunca foi um problema para o catarinense. Pelo contrário, o Belo de Itamar tem padrão de jogo definido e bem variado, mas a falta de coragem em confrontar grandes defesas incomoda e com razão.

O Botafogo-PB começou o jogo a mil por hora, martelando o Campinense até o gol sair. Após Rafael Oliveira abrir o placar, o Belo até chances para ampliar. O problema para os pessoenses foi o descuido na marcação que durou o restante da partida. Outra questão é queda absurda de rendimento de alguns jogadores. O principal caso é o do volante Djavan, que após ter transferência frustrada para o Avaí, permaneceu, mas as suas grandes atuações ficaram no ano passado.

Outro e talvez o maior de todos os problemas foi que Sérgio China armou a Raposa no melhor estilo Francisco Diá. O Campinense não sentiu o gol, para falar a verdade parece que o gol foi o ponto de partida para que o Rubronegro acordasse para o jogo. Vitória merecida, com tons de crueldade devido ao ótimo desempenho da defesa que não vinha bem. Com destaque para Negretti, que voltou ao bom nível.

A irregularidade diante de bons sistemas defensivos é o que atralha Itamar Schülle. Desde que chegou a Maravilha do Contorno, o comandante precisou de certo tempo para montar uma equipe competitiva. Em 2016, o quase acesso a segunda divisão do futebol brasileiro encheu de moral o trabalho do treinador. Mesmo diante da derrota frustrante para o Boa Esporte, todos estavam satisfeitos com o trabalho realizado na temporada. Entretanto, no novo ano o time mudou, nomes sólidos como o zagueiro Marcelo Xavier e o meia Pedro Castro deixaram o clube. Desfalques bastante sentidos até então.

Jogadores deixam o campo sob vaias da torcida.
(Cisco Nobre / GloboEsporte.com - Tribuna do Cisco)
O Belo encerrou 2016 jogando com Michel Alves; Gustavo, Marcelo Xavier, Plínio e Jefferson Recife; Djavan, Val, Pedro Castro e Marcinho; Rodrigo Silva e Carlinhos na partida de ida frente ao Boa Esporte. Era um 4-4-2, mas o gol não saiu e a responsabilidade de marcar ficou para a volta, em Varginha-MG. Apesar padrões pragmáticos, Schülle já atuou com três zagueiros no 3-5-2, com laterais funcionando como alas. Também já optou pelo 4-3-3 quando o ex-jogador do clube, Carlinhos ainda fazia parte do plantel. Rodrigo Silva era o homem de frente e Jerfferson Recife completava o tridente pelo lado esquerdo ou direito.

Com pouquíssimas alternativas para a remontagem da equipe, Schülle acaba de mãos atadas. A equipe começou a partida no Clássico no 4-3-3, com Michel Alves, Gustavo, Walber, Gustavo Henrique e Luiz Paulo; Djavan, Fernandes (lateral que também atua pelo meio) e Marcinho; Wanderson, Rafael Oliveira e Diogo Campos. Houve variação mediante a fraqueza ofensiva na segunda etapa. Trocou Luiz Paulo pelo jovem meia Marquinhos. Trouxe Fernandes para a lateral-esquerda, mas havendo espaço para subir ao ataque. Pouca coisa adiantou e o Belo sucumbiu à boa estratégia de China e sua Raposa.

De fato há padrão de jogo e variação tática. A grande questão, porém, é a falta de coragem para mexer no time e nesse esquema, Schülle costuma vencer dessa forma ou morrer junto a ela. Outra questão são as poucas contratações, o Botafogo-PB e o seu técnico necessitam de mais opções.

O bom trabalho de Itamar deixou o torcedor exigente, toda e qualquer derrota é muito sentida. No clássico, é válido cobrar e reclamar da atuação, mas não é correto pedir a cabeça de diretoria e comissão técnica. Assim como no ano passado, o elenco vai sendo montado para um segundo semestre bem mais pesado do que o de 2016.

Diante de uma enxurrada de críticas injustas e justas dependendo de aspectos, a única certeza é que Itamar Schülle precisa lidar com situações adversas de defesas bem montadas. Caso contrário, o Campinense será o responsável por seu insucesso em 2017.