quarta-feira, 11 de janeiro de 2017

Até o Barcelona concordava com a eleição de Cristiano Ronaldo

Português conquistou pela quarta vez o título de melhor do mundo. Clube catalão vetou a participação dos seus atletas na cerimônia
Ronaldo esteve afiado em seu discurso do "Tetra". (Getty Images)

É fato consumado. Cristiano Ronaldo é o melhor jogador de futebol do mundo pela quarta vez. Ao atingir essa marca, o craque português encostou em Lionel Messi, que conquistou o título em cinco ocasiões. Apesar de o argentino ter tido um desempenho melhor individualmente, Ronaldo mereceu o prêmio por tudo que proporcionou no ano de 2016. Afinal houve algo mais emblemático no futebol europeu que Cristiano deixando aos prantos a final da Euro contra a França? A eleição do jogador do Real Madrid foi tão incontestável que até mesmo o Barcelona concordou com a escolha. O clube culé chegou ao ponto de boicotar a participação dos seus atletas da Cerimônia da FIFA. Imagina só que constrangedor seria se Gianni Infantino lesse o nome de Messi como vencedor na noite de segunda-feira.

Foi lamentável, há quase dez anos Real Madrid e Barcelona monopolizam a Cerimônia da FIFA dos melhores jogadores da temporada. Mais do que isso, Cristiano Ronaldo e Lionel Messi representam a essência do melhor futebol que acompanhamos de madridistas e calalães no século XXI. Por outro lado, o clube que faz uma temporada melhor define quem leva o título de melhor do mundo. 2016 foi de Cristiano e não só por sua performance na conquista de “Undecima”, o gajo teve papel fundamental no triunfo português em solo francês. Mesmo com atuações distantes do auge, Ronaldo foi de fato capitão, algo que ainda falta em Messi na seleção Argentina. O camisa 10 argentino foi impecável dentro de campo na Copa América Centenário, todavia faltou o seu coração fora dele.

Alegando estar concentrado para o jogo de volta das oitavas de final da Copa do Rei, o Barça renegou os prêmios de Piqué, Iniesta, Suárez e Messi. É verdade que o momento no Camp Nou não anda nada bem, Luis Enrique está mais pressionado que nunca. A equipe está preguiçosa e já não encanta o torcedor mundo afora, que espera um espetáculo digno de William Shakespeare.

O controverso é que, num confronto de egos construídos pela mídia, Cristiano é sempre o que se expõe, o que vai a público e fala, o que dar a cara a tapa. Nas cinco conquistas de Messi, o Real viveu momento de total humilhação, seja perdendo por 5 a 0 para o grande rival, seja sendo eliminado pelo próprio Barcelona em semifinal da Liga dos Campeões. Nem por isso o clube da capital boicotou a premiação, pelo contrário, enviou os seus craques e o líder deles para lá aplaudir Lionel e os feitos de sua equipe.

Dos seis craques catalães, quatro (Suárez, Iniesta, Messi e Piqué)
foram lembrados na Cerimônia da FIFA. (Divulgação)
Grandezas expostas, Ronaldo aproveitou o momento de consagração e cutucou os seus colegas de profissão do Barcelona. O atacante, em seu discurso para lá de sincero e afiado, afirmou que gostaria que os jogadores do Barça estivessem lá para assistir o seu auge glorioso. Ex-jogadores, atletas em atividade, técnicos e jornalistas criticaram ferozmente a posição do Barcelona, uma atitude impensável em se tratando do tamanho de sua grandeza. Ou pelo menos uma concordância com a escolha do prêmio, Cristiano realmente merecia e o Barcelona apoiava tal decisão.

Atual bicampeão e muito preocupado com a Copa do Rei, o Barcelona enfrenta nesta quarta-feira o Athletic Bilbao na partida de volta das oitavas de final. Na ida, vitória dos Bascos por 2 a 1. Será a vez dos presentes na Cerimônia da FIFA assistirem aos craques da seleção do mundo que faltaram ao evento entrarem em campo pelo clube catalão.