segunda-feira, 26 de dezembro de 2016

Retrospectiva 2016 Top 10

É o fim de 2016! Como de costume, é o momento de relembrarmos a temporada esportiva, de janeiro até dezembro histórias sendo escritas. Da tristeza a felicidade, da finitude a eternidade. O ano do inédito, do fim do jejum, da grandeza de esportistas que colorem o planeta bola, as pistas sagradas e decolam para o coração de um mundo que é transformado através de espetáculos como esses. Uma de nossas séries mais emblemáticas já vai começar, seja bem-vindo a dizer adeus a 2016, fique à vontade!
Essa retrospectiva é dedicada a todas as vítimas do voo 2933 da LaMia. (Tribuna do Cisco)

22 anos depois, o Palmeiras é dono do Brasil.
(Foto: Ricardo Stuckert/CBF)
E o ano de 2016 marcou o fim do jejum de dois gigantes do futebol brasileiro. Palmeiras e Grêmio deixaram a fila e em nível de importância, celebraram como nunca as conquistas da Série A e Copa do Brasil, respectivamente. Vinte e dois anos depois, o Verdão voltou a erguer o Campeonato Brasileiro, o último título havia sido com o Palmeiras de Vanderlei Luxemburgo e da Parmalat. A vitória em 2016 é bastante simbólica, a representação de um elenco jovem, liderados por um treinador da nova geração, por um craque que num intervalo de tempo de um ano foi da desconfiança a titularidade na Seleção do Brasil. Cuca e Gabriel Jesus são realmente símbolos importantíssimos do novo Palmeiras que surgiu neste ano, as apostas do então presidente Paulo Nobre enfim renderam lucro e o Verdão foi campeão com um plantel bem bacana e de fato mereceu o caneco da primeira divisão.

Renato, Grêmio e o ano perfeito. (Foto: Grêmio FBPA)
Por outro lado, a Copa do Brasil que sempre apresenta uma emoção diferenciada por ser mata-mata, decepcionou bastante nesse quesito. Mas o resultado final significou o fim de uma novela do Grêmio para voltar a ser campeão nacional. A equipe vinha muito bem com Roger Machado, inacreditavelmente o jovem técnico caiu e a aposta em Renato Gaúcho estava na cara que daria errado, que era a um trabalho a curto prazo. Não foi! Renato reanimou o grupo que parecia se perder ao passar das rodadas. A impressionante adaptação do grupo liderado por Douglas, Grohe e Geromel eliminou qualquer ameaça rival, o Grêmio foi pentacampeão da Copa do Brasil e ainda celebrou o primeiro rebaixamento da história do seu maior rival, o Colorado Internacional. Já existiu ano melhor para o tricolor gaúcho?


A bravura do REI ao gritar campeão pelo Cavs.
(Extraído de ftw.usatoday.com)
Após duas conquistas e um vicecampeonato pelo Miami Heat, Lebron James voltou a Clevelend para dar ao Cavaliers o seu primeiro título de NBA. James teria que superar uma imensa desconfiança do seu próprio povo, mas abraçou a causa por ser de lá, por apoiar o Cavs mais do que ninguém, era o momento certo. No seu primeiro ano de retorno, um frustrante vice, perdendo muito pela falta de companhia, os principais jogadores do Cavs estavam lesionados na finalíssima contra o Golden State Warrios. O Rei não se abateu e entrou na nova temporada mais experiente, mais pronto do que nunca para fazer história. E quem não se lembra daquela melhor de 7 espetacular de 2016, Clevelend Cavaliers e o Golden State Warriors mostraram o real motivo do domínio de apenas duas franquias. O equilíbrio reinou, mas quem realmente reinou foi LeBron James que encerrou o jejum dos Cavs, instaurou o seu legado e pôs fim a desconfiança. Foi fantástico cada cesta, cada toco e cada grito de MVP por parte dos súditos de Clevelend, os novos campeões da NBA.


Zidane já levantou três taças e perdeu apenas
 dois jogos como técnico do Real Madrid (AP)
Nas principais competições continentais do futebol, tradição de um lado, trabalho e muito trabalho de outro. Primeiro o Real Madrid, que começou a temporada com Rafa Benítez, houve tempo para trocar de comandante e ainda crescer em 2016. Zinedine Zidane, um dos maiores jogadores de todos os tempos, assumiu o risco e o trabalho é um dos mais sólidos do Real neste século. Zidane soma 3 títulos e apenas duas derrotas comandando o clube da capital espanhola, um fenômeno dentro e fora dos gramados. Seis meses de trabalho foram suficientes para o francês conquistar a Liga dos Campeões da Europa, um título que caiu no colo do Real e contou com a participação efetiva de craques como os de sempre, Cristiano Ronaldo, Sergio Ramos, Gareth Bale, além da afirmação de Casemiro, o brasileiro bicampeão europeu. No caminho do Real até a décima primeira conquista, Roma, Wolfsburg, Manchester City e o Atlético de Madrid, adversários emergentes que não foram páreos para o maior clube de futebol da história. A camisa segue pesada e a décima primeira veio muito rapidamente.

Nacional venceu uma Libertadores diferente.
(Foto: León Darío Peláez/SEMANA)
Na América do Sul, o Brasil seguiu vexame e quando encontrou o campeão, sofreu horrores. Ele, que veio da Colômbia, já vinha encaminhando tal conquista há certo tempo. O Atlético Nacional de Medelín, clube de muita tradição representou também um trabalho muito bem feito, uma conquista do técnico Rueda, do craque Borja e de um povo que mais tarde seria aclamado pelo mundo. Até o bicampeonato da América, o Nacional venceu Huracán, Rosário Central, São Paulo e Independiente Del Valle, foi campeão invicto.

No Mundial de Clubes da FIFA, os dois times não se cruzaram, o Real venceu a competição ao vencer América do México e o Kashima Antlers. O Atlético foi surpreendido e engolido pelos japoneses do Kashima na semifinal, derrota por 3 a 0. Na disputa pelo terceiro lugar, o colombianos derrubaram os mexicanos nas penalidades.


A Seleção brasileira nadou de braçadas com o fracasso em 2016, ao menos até o meio do ano. Dunga colecionou maus resultados, uma equipe apática, que visivelmente não gostaria de correr por ele. O castigo veio a cavalo, observamos o empate chorado contra o Uruguai em Pernambuco. Vimos também outro empate, muito mais sofrível para não dizer deplorável contra o Paraguai em Assunção, jogo que rendeu maior rebuliço em canal de esportes no horário nobre. Por fim, a gota d’água, diante do Peru, na partida que rendeu eliminação do Brasil na Copa América Centenário, derrota por 1 a 0 com gol de mão. Do jeito que a Seleção do Dunga merecia, jogo feio, atuação digna de 7 a 1, 9 a 0 ou qualquer goleada do tipo. O Peru fez apenas um.

Mal chegou e já está a um ponto da Copa de 2018.
(Foto: Cisco Nobre/Tribuna do Cisco)
A eliminação em mais um torneio fez a CBF dar o braço a torcer, colocou Dunga e Gilmar para correr e saqueou o Corinthians, trouxe Tite e Edu Gaspar para dar jeito nessa Seleção arranhada. O pouco tempo de trabalho já rendeu o que de mais moderno passou pela CBF nos últimos vinte anos. O Brasil venceu tudo e convenceu em grande parte dos jogos, incluindo um passeio por 3 a 0 sobre a Argentina. Tudo deu tão certo e houve tempo de recuperação que a Seleção está a um ponto da Copa da Rússia, apenas um pontinho separa os Canarinhos daquilo que tanto se temeu anos atrás, a eliminação já nas Eliminatórias. É difícil prever se Tite vai conquistar títulos ou não, é mais difícil ainda acreditar que a mídia o perdoa por uma eliminação, porém as atuações de Neymar, Jesus, Coutinho e companhia já enchem os olhos dos brasileiros como há tempos não enchiam.


A Rio 2016 seria o evento esportivo do ano, mas antes disso o melhor futebol do mundo se encontrou na França para a primeira Eurocopa com 24 equipes. E foi bom demais! Jogos memoráveis que dignificaram o solo francês pouco menos de um ano depois do atentado de Paris. A França despontava como favorita, contava com dois jogadores em fases espetaculares, a fase de grupos foi de Payet e o mata-mata ficou por conta de Griezmann (aquele que comemora gol no melhor estilo Ronaldinho dos bons tempos).

Alemanha era a campeã do mundo, com mérito e goleada de 7 a 1 no currículo, mas a equipe de Löw foi tão tímida na UEFA Euro que não conseguiu se impor diante de muitos adversários. É bem verdade que os germânicos encerraram um longo jejum diante da Itália, a Azzurra do queridíssimo Antonio Conte caiu nas penalidades. A Alemanha perdeu para a França, com muito apatia, reclamação e show de Griezmann, que decepção, não é mesmo estudiosos da bola?

Foi a Eurocopa dos países emergentes, quem diria quem em terra de Ryan Giggs, Gareth Bale fosse o primeiro a liderar País de Gales numa competição internacional. E liderou muito bem, os galeses estão entre as quatro melhores nações do velho continente e ainda colocaram a poderosa geração belga no bolso. Euro da Islândia que esbanjou bravura e desbancou a Inglaterra. Euro dos irlandeses, possivelmente os moços mais simpáticos do futebol europeu em 2016.

Euro dos portugueses, aqueles que protagonizaram um vexame histórico em 2004 contra a Grécia, EM LISBOA!

Comandados por Fernando Santos, um técnico tão desacreditado quanto a camisa de Portugal nas competições internacionais. Liderados por Cristiano Ronaldo, o craque que seguia a sina das grandes estrelas que jamais conseguiriam dar ao seu país uma alegria inédita. Com um plantel que misturava experiência internacional, decepções e jovens promessas, Portugal por muito pouco não foi eliminado num grupo bastante limitado. Por sorte e graças a uma atuação daquelas de Cristiano Ronaldo, o hat-trick contra a Hungria levou os nossos patrícios para as oitavas como o terceiro colocado do grupo H.
Cristiano Ronaldo foi apenas mais e Portugal foi certeiro na conquista do povo em solo francês.
(Foto: Gerardo Santos/Global Images)

Uma imensidão de atuações de baixíssimo nível fez com que jogadores e comissão técnica acertassem um acordo, venceriam a Euro jogando mal, por uma bola. O desfecho dessa história foi belíssimo, Portugal transformou cada fase de mata-mata num filme dramático. Primeiro foi a Croácia, com um gol de Quaresma no último lance da prorrogação. Depois a Polônia, em penalidades. Na semifinal foi a vez do País de Gales, grandiosa atuação de Cristiano Ronaldo e de Pepe, o zagueiro brasileiro foi o nome de Portugal no torneio. Por fim, os donos da casa. No roteiro que ganhou traços de suspense quando CR7 teve de ser substituído, viu um país totalmente unido para dar a primeira estrela a Portugal. O gol de Éder, dramáaaatico, foi o momento mais simbólico da história do futebol do pastel de Belém. Portugal foi campeão europeu pela primeira vez, a UEFA Euro foi linda do início ao fim!


A Fórmula 1 estava sem graça, a Mercedes dominava já haviam dois anos, para piorar a situação, Lewis Hamilton repetia a história de Sebastian Vettel na RBR, não dava chances nem para o seu companheiro de equipe, o Nico Rosberg. Porém o alemão não estava muito interessado em um novo vice, queria mostrar o seu valor e não se acomodar ao carro espetacular que o mesmo possuía.

Hamilton venceu muitas corridas, mas o ano foi do
 inteligentíssimo Nico Rosberg.
(Foto: Cisco Nobre/Tribuna do Cisco)
Emendando vitórias desde o final da temporada 2015 e o início de 2016, Rosberg abriu ligeira vantagem para cima do seu companheiro e adversário Hamilton. Lewis acordou um pouco tarde, mas há tempo de resgatar a emoção e até mesmo de ultrapassar Nico. Foi muito legal assistir a dupla alternar vitórias, a disputa foi até a última curva, em Abu Dhabi, com êxito, desta vez, para Nico Rosberg, campeão da Fórmula 1 pela primeira vez na carreira.

O triunfo de Nico representou muita coisa para a F1 que vai modificar algumas regras em 2017 para equilibrar as disputas. Cinco dias após a inédita conquista, Rosberg anunciou de forma surpreendente a sua aposentadoria das pistas. O alemão deixou o mundo automobilístico muito surpreso, deixou também vários empresários loucos pela vaga do campeão na Mercedes, o jogo segue!

A F1, em 2016, se despediu de Jenson Button, que correu pela última vez pela McLaren, e Felipe Massa, brasileiro da Williams. Talvez a aposentadoria de Massa dure pouco, há enormes possibilidades de que o vice-campeão mundial em 2008 assine com a mesma Williams tendo em vista a possível ida de Bottas para a posição deixada por Rosberg na Mercedes. Caso contrário, o Brasil fica sem piloto para 2017, Felipe Nasr dificilmente fica para o ano que vem.

Ainda em 2016, a Fórmula 1 viu o piloto mais jovem de sua história a conseguir vencer um Grande Prêmio. Max Verstappen vem da Holanda e tinha apenas 18 anos quando venceu o Grande Prêmio da Espanha. Max teve um ano atípico, começou na Toro Rosso e ainda no início do ano foi contratado pela RBR. Aos atuais 19 anos de idade, Max foi de figurante a principal promessa da F1 para as próximas temporadas, é bom ficar de olho.


O encerramento da Rio 2016 foi tão épico quanto as
duas semanas de Olimpíadas. (Agência Reuters)
As Olimpíadas cariocas eram esperadas desde o fim de uma Copa do Mundo tão única como a de 2014, os brasileiros já estavam com saudades. E elas chegaram tão bonitas quanto a sua cerimônia de abertura, um espetáculo digno da velocidade de Usain Bolt, do nado de Michael Phelps e da surpresa ao ver nascer estrelas como a ginasta Simone Biles. Foi tão surpreendente ver o Brasil não vencer sequer uma medalha na natação e se tornar campeão do salto com vara e do boxe pela primeira vez na história dos Jogos. A dor de ver Marta chorar junto a brava Seleção feminina do Brasil, a nossa camisa 10 sabia que o momento era ideal para conquistar a medalha de ouro. O Brasil caiu nos pênaltis para a Suécia, foi o adeus de Formiga as Olimpíadas e pelos deuses olímpicos, essa mulher merecia demais o ouro.

Foram duas semanas muito intensas, das novidades as estrelas, das polêmicas aos recordes. Da desconfiança ao apoio de quem estava presente ou apenas assistia pela televisão. Vimos o sucesso das grandes estrelas, a dor de Isinbayeva por ser impossibilitada de disputar os Jogos, do sensacional Bolt, tricampeão dos 100m rasos. Do time de basquete dos Estados Unidos, campeão olímpico tanto no feminino quanto no masculino.

O Brasil mesclou façanhas e vexames nos esportes coletivos, os basquete representou aquilo que a CBB tanto se mostrou nos últimos anos. O vôlei de quadra inverteu os papeis, os homens foram ouro e as meninas caíram de forma surpreendente no primeiro mata-mata. Na praia, os meninos Alison e Bruno repetiram Ricardo e Emanuel em 2004, OURO! Em esportes alternativos, como a canoagem de Isaquias Queiroz, 22 anos e três medalhas conquistadas.

A realização dos Jogos foi nota 10, deixou saudades... mas não poderíamos nos esquecer deles... Inédito como 2016...



Foram doze tentativas fora as quatro em que o Brasil não conseguiu a classificação para os Jogos. Passaram técnicos badalados, jogadores que se tornariam os melhores de suas gerações. O último pecado havia sido diante do México, em Londres 2012, a chance então seria quatro anos depois, no Rio de Janeiro. Com o passar dos anos a perssão apenas aumentava, o Brasil sofreu a sua pior derrota na história do futebol, o 7 a 1 para a Alemanha deixou o país inteiro com receio de vexames em outros carnavais e o objetivo agora eram as Olimpíadas.

Pouco depois da demissão de Dunga e antes de Tite realizar o seu primeiro jogo oficial sob o comando da Seleção, Rogério Micale foi o escolhido para a aventura digna de filme. Uma espécie de Rogue One: Uma História Star Wars antes do Seu Adenor estrear pela equipe principal. Um currículo pequeno, Micale havia conquistado a prata na Copa do Mundo de Futebol sub-20, o que esperar de uma das equipes mais desacreditadas na história do Brasil Olímpico? Complexo...
Os bravos homens de ouro! Pobre sobrecarregado Renato Augusto. (Foto: Pôster Folha de São Paulo)
O início foi bastante turbulento, primeiro a frustração que deu liga. Fernando Prass havia sido convocado ao lado de Renato Augusto e Neymar como os acima de 23 anos. Com muito mérito, o goleiro do Palmeiras já vinha fazendo uma ótima temporada. Contudo, uma grave lesão o tirou das Olimpíadas e do restante da temporada 2016, um fato lastimável. Weverton foi convocado para o seu lugar e nunca mais saiu da lista da Seleção.

Os Jogos começaram! Empate diante de adversários limitadíssimos, África do Sul e Iraque. As frustrações dos primeiros dias renderam um papelão daqueles por parte de Galvão Bueno e sua trupe. Domingo, em rede nacional, o lendário narrador Global colocou jogadores contra a população num discurso tão pobre quanto a atuação do Brasil contra o Iraque. O clamor de Galvão talvez tenha dado certo, o Brasil não mais perderia pontos até a finalíssima, venceu Suécia, Colômbia e Honduras com facilidade e encontraria o seu principal trauma na decisão, a Alemanha.

A camisa que o goleiro Weverton utilizou na grande final
contra a Alemanha. (Cisco Nobre/Tribuna do Cisco)
A vitória foi sofrida, mais do que deveria até, a Alemanha sub-23 que veio ao Rio de Janeiro era muito inferior ao time de Gabriel Jesus, Gabigol e Neymar. O ouro enfim veio, a briga insana da imprensa esportiva por essa medalha chegou ao fim, JÁ ERA HORA! O futebol nos Jogos Olímpicos é algo tão diferente do futebol profissional que permitiu que Micale escalasse o Brasil num 4-2-4 bastante pré-histórico, jogou quatro atacantes, Neymar, Luan, Gabigol e Gabriel Jesus, e deixou a responsabilidade por defender e armar nas costas de Walace e Renato Augusto. As atuações sobrecarregadas de Renato o transformaram no melhor jogador da Seleção nos Jogos, fato que fez Tite manter o meia na Seleção principal mesmo atuando no futebol chinês.

A pressão passou e deixou o caminho um pouco mais tranquilo para Tite, mas jamais a Seleção Olímpica teve empatia do público, pelo contrário. Em muitos momentos a torcida não estava na mesma sintonia que as estrelas do campo, resultando numa discursão desnecessária entre Neymar e torcedores. O ouro veio, somos campeões olímpicos no futebol pela primeira vez, era para tanto?



Eles nunca serão esquecidos, um fato inédito, único,
 impossível! (Getty Images)
2016 começou com uma surpresa daquelas no futebol europeu, a Premier League chegava a sua metade de temporada e o Leicester City não largava a liderança do campeonato. Como podia uma equipe tão minúscula, e periferia da bola, comandada por um técnico tão limitado quanto a história do clube azul que se encontra ao noroeste de Londres. Até mesmo o próprio Claudio Ranieri estava surpreso com as atuações de Vardy, Mahrez, Kanté e outros tantos jogadores do King Power.

O meses passaram, por lá ficaram o Liverpool (e que golaaaaaaço de Vardy!), Chelsea (Azpilicuela ainda está procurando Mahrez), o Manchester City (Huth não é só um brutamontes), o Manchester United (não subestime o capitão Morgan) e o Tottenham (derrota em casa é para sacramentar a conquista do Leicester). Dos gigantes apenas o Arsenal conseguiu vencer o Leicester por duas vezes, mas o time de Wenger ainda não se impõe na Premier League, é G4 e somente só.

O Leicester foi campeão inglês pela primeira vez, um dos maiores feitos (senão o maior) da história do futebol. Ninguém poderia imaginar, era impossível pensar que milionários perderiam a Premier League para uma equipe sem tradição, sem investimento, sem grandes talentos ou padrão de jogo bonito. Os Foxes, como são chamados, fizeram a terra tremer (refêrencia ao gol de Ulloa que levou o público a vibrar tanto que tirou o planeta Terra do eixo). 

Eles facilmente seriam os nossos líderes da retrospectiva 2016 (você pode conferir uma de nossas postagens mais inspiradas de nossa curta história clicando AQUI). Mas algo histórico aconteceu, um fato mais inacreditável que a epopeia de Leicester, o AZUL se veste de VERDE em sintonia mundial, em sintonia Terra-Chapecó.


O ano de 2016 marcou o adeus de inúmeras feras do esporte, a destacar Muhammad Ali, o maior pugilista de todos os tempos, Johan Cruyff, líder do carrossel holandês dos anos 1970, Carlos Alberto Torres, o eterno Capita. Por mais que surpreendentes, tais falecimentos foram bem mais naturais, até porque o trio cumpriu muito bem as suas missões, deixaram os seus legados. Mais triste que tudo isso, foi perder tanta gente de uma só vez no dia 28 de novembro, Ah dia maldito!

Atlético Nacional homenageia as vítimas da tragédia
 do voo 2933 da LaMia. (Foto: Luis Acosta/AFP) 
A Chapecoense estava no auge de sua história, fazia um Campeonato Brasileiro bastante sólido, sem riscos de rebaixamento e até flertando com o G4, G6, G7, G8... (e contando!). Contudo o clube também disputava a Copa Sulamericana pela segunda vez em sua história, na temporada passada por muito pouco não eliminou o River Plate (então campeão da Libertadores e da própria Sulamericana).

Em 2016, o Índio Verde de Condá foi muito além das expectativas, liderados pelo técnico Caio Júnior, o clube foi eliminando adversários muito mais difícieis. Primeiro o Cuiabá (tudo bem, esse era fácil, apesar das dificuldades impostas pela equipe do norte). Depois Independiente da Argentina, vitória suada nos pênaltis. Junior Barranquilla, um verdadeiro passeio em Chapecó. Por fim, na semifinal, o San Lorenzo, o jogo mais emocionante da curta história da Chapecoense.

Empate contra o Ciclón por 1 a 1 na Argentina, empate sem gols na Arena Condá. Os feitos se tornam ainda maiores quando se assiste a defesa de Danilo no último lance da semifinal, que lance memorável, ininarrável por meros seres comuns, apenas Deva Pascovicci foi capaz de transmitir a emoção daquele momento.

O confronto final seria contra o Atlético Nacional de Medelín, campeão da Libertadores e favorito ao título da Sulamericana. 28 de novembro, madrugada de segunda para terça, a Chape havia embarcado, junto a uma equipe de jornalismo, além de convidados, do Brasil para Santa Cruz de La Sierra, na Bolívia. De lá seguiria em voo fretado para a Colômbia.

22h15 no horário colombiano, o voo 2933 da empresa boliviana LaMia ficou sem combustível e apresentou uma pane elétrica antes de se chocar com um monte, antes de se partir. A tragédia vitimou 71 pessoas e levou o sonho de clube, jornalistas e brasileiros entusiasmados com o feito inédito. Foi o maior acidente envolvendo esportistas e também jornalistas da história da humanidade. Foi a pior derrota do futebol da história do futebol brasileiro.

Grandes nomes nos deixaram, apenas seis sobreviveram, entre eles, quatro brasileiros (Alan Ruschel, Jackson Follmann, Neto e Rafael Henzel). O mundo esteve de luto, nada se comparou a solidariedade por parte do Club Atlético Nacional de Medelín no dia marcado para a realização da grande final, uma homenagem e tanto. A dor não sarou, ainda é duro imaginar tais perdas.

A pedido dos colombianos, a Conmebol definiu a Chapecoense como campeã Sulamericana de 2016, nada mais justo em se tratando daquela delegação, aquela que faria o jogo mais importante da história de clube, jogadores e comissão técnica.

A Chape viverá, um novo elenco já começa a ser montado, mas sempre recordaremos da campeã Chapecoense.
Torcedores da Chape lotam a Arena Condá em bela homenagem. (Foto: Gabriela Biló/Estadão)
A Tribuna do Cisco lhe deseja um feliz ano novo, siga conosco e viva um 2017 esportivo ainda mais marcante. O nosso muito obrigado!