segunda-feira, 22 de agosto de 2016

Raio-X Olímpico: Vôlei

Os Jogos Olímpicos do Rio chegaram ao fim! Um dos maiores espetáculos da Terra protagonizaram duas semanas de muito esporte e vários exemplos de fatos sociais totais. Prosseguindo com o nosso raio-x olímpico, vamos para o esporte coletivo onde somos um dos melhores. Se no basquete o negócio não foi nada bom, no vôlei arrebentamos, mesmo diante de escândalos de corrupção apresentados pela Confederação Brasileira de Voleibol, os atletas responderam a altura e brigaram por medalhas.
Vitórias, poucas derrotas e frustrações marcaram o Brasil nos Jogos do Rio. (Tribuna do Cisco)

Nas quadras, na areia, nas arquibancadas, o vôlei brasileiro representou tudo isso e muito mais, glórias e tropeços que surpreenderam, mas que conseguiram transcender de emoção cada coração humano. Pois bem, iniciar com uma das maiores frustrações do Brasil nos Jogos não é algo tão legal, mas será mesmo que as meninas treinadas por José Roberto Guimarães foram tão decepcionantes assim? A seleção perdeu apenas três sets em seis jogos disputados, o problema é que a perda destes sets aconteceu onde não poderia, no primeiro mata-mata.

A derrota para a China, nas quartas de final, pôs fim ao tão almejado tricampeonato consecutivo, seria inédito, seria histórico, seria em casa. O fracasso machucou, doeu nas mais nas meninas do que as derrotas dos homens em Pequim e em Londres, todavia, o vôlei feminino, a geração bicampeã consecutiva possui o respeito e o apoio do brasileiro, não será necessária uma reconstrução, está no espírito e no rótulo de cada jogadora. Ainda somos fortes, aprendemos e a derrota sentida é passo firme para a continuidade da equipe campeã do Grand Prix 2016.

Os homens, aconteceu o oposto, foram do caos a tranquilidade, da lama ao topo do Everest. Começaram mal, deixando inclusive a classificação para a última rodada, num clássico duríssimo contra a França. A segunda fase foi espetacular, vitórias e vitórias sobre potências que aos poucos foram credenciando os brasileiros ao caminho do ouro. A geração de Bruninho, Wallace, Lucarelli, Lucão, Serginho... É, Bernardinho conseguiu de novo, provou que o caminho não era tão obscuro para o vôlei brasileiro, ao contrário, ele está mais forte do que nunca. Em tempos de puro equilíbrio e crescimento de países de pouca tradição no vôlei, o Brasil confirma a soberania, sobe para celebrar o tri e consagra o maior técnico de voleibol de todos os tempos.

A praia de Copacabana foi um dos palcos mais bonitos desta edição olímpica, o vôlei de praia foi magistral, pela atuação dos atletas, pelo brilho à parte da praia mais mítica do nosso país. Entre as meninas, as duas duplas brasileiras deram o que falar, mandaram bem demais, chegaram as semifinais e confirmaram o país no pódio. Ainda não foi dessa vez que o vôlei de praia feminino colocou uma dupla no lugar mais alto do pódio, Talita e Larissa amarguraram a quarta colocação, enquanto Agatha e Barbara comemoraram a prata como se fosse ouro, foi o ato final da dupla antes de anunciarem a separação.

Espelho para os mais jovens, Serginho é o único remanescente de Atenas 2004. (Ivan Pacheco/Veja)
Os garotos foram também quanto as duplas femininas, Pedro e Evandro ficaram pelo caminho nas quartas, os dois sucumbiram diante dos russos Barsuk e Liamin, poderiam ter feito melhor, é verdade. Por outro lado, o saldo foi muito positivo, Bruno e Alison foram gigantes, confirmaram sintonia e bom momento, havia chegado a hora de entoar o canto de vitória, ouvir o hino nacional. A vontade foi tanta que a dupla não permitiu o jogo da dupla italiana na grande final, 2 a 0 para espantar de vez o fantasma de quatro anos atrás, quando Alison foi prata.

No geral, dois ouros, uma prata e duas eliminações nas quartas de final, o resultado no vôlei confirma, mais uma vez, o Brasil como a grande potência no esporte da rede alta. Foi o nosso maior saldo nos Jogos de 2016, Brasil, um gigante no voleibol, o melhor desempenho esportivo, confrontando a corja da CBV.