segunda-feira, 22 de agosto de 2016

Raio-X Olímpico: Futebol

Semelhante a história do voleibol de quadra, o futebol entrou nas Olimpíadas do Rio com uma pressão incomparável. Era o primeiro Jogos Olímpicos dentro de casa, era a chance decisiva para sair da fila e encerrar a polêmica do zero ouro. Após frustradas gerações de Romário, Ronaldo e Ronaldinho, Neymar teve a sua segunda chance. Diante de diversos fracassos atuais da Seleção Amarelinha e a demissão de Dunga, a CBF, em acordo com Tite, optou por permitir que Rogério Micale comandasse a nação na disputa.
O choro de Neymar é retrato da importância que o ouro Olímpico se transformou. (Getty Images)
Por incrível que pareça, não é que o time rendeu. Foram seis jogos, três vitórias, três empates, treze gols marcados e apenas um sofrido, é bem verdade que o torneio é muito abaixo em relação a qualidade. O Brasil de futebol masculino, na Rio 2016, foi do inferno ao céu, das pesadas críticas hipócritas de Galvão Bueno ao impopular Neymar chorando com o gol de pênalti decisivo, como destrinchar um time tão limitado, com um técnico limitado, conquistar o ouro que a história o transformou em tão pesado? Primeiramente, Micale é um pouco mais do mesmo, um treinador inexperiente, que só conseguiu fazer seu time crescer devido a falta de consistência do torneio olímpico, não tem como uma seleção profissional vencer jogando um 4-2-4. Ou você possui um quarteto de ataque formado por Messi, Neymar, Bale e Cristiano Ronaldo ou você cai na primeira fase.

No mais, o Brasil venceu o inédito ouro se apoiando em pilares, Weverton no gol foi uma boa surpresa, provavelmente Fernando Prass também seria, que pena que o goleiro palmeirense se machucou. Neymar também dispensa comentários, o maior jogador de futebol desta edição olímpica chamou a responsabilidade, estava devendo nesses últimos anos. Por fim, vale destacar duas personalidades, o primeiro é o atacante Luan, ganhou a vaga de titular e conseguiu jogar melhor que Gabriel Jesus e Gabriel Gol juntos. Luan deu consistência ao setor ofensivo, voltava e buscava a bola, sobrava nos contra-ataques, foi um pequeno gigante. E Renato Augusto, o melhor jogador brasileiro na finalíssima cravou sua vaga na seleção principal. O camisa 5 respondeu, no campo, a tentativa de Galvão Bueno de tentar coloca-lo como o vilão de uma possível eliminação precoce (após o 0 a 0 contra o Iraque).

O Ouro veio! O Maracanã estava um espetáculo, a partida contra a Alemanha resumiu bem o que temos de futebol brasileiro na atualidade, enfrentar uma Alemanha C ou D, vencer com contornos de agonia, mas celebrar, com mérito, a tão sonhada e cobrada medalha. Apesar dos pesares, valeu demais toda a campanha, as críticas são válidas e devem seguir, o bom e raro futebol também deve ser louvado, o que não pode ser permitido é manter o 4-2-4, é a vez de Tite!

Do céu ao inferno, o futebol feminino está
 em alerta. (Getty Images)
No feminino tudo ao contrário, do início brilhante e promissor ao final amargurado, frustrante e com os dias contados. As duas derrotas finais e o ouro do masculino colocaram em xeque a permanência do elenco fixo do time feminino. Os principais problemas das meninas começaram no banco, Oswaldo Alvarez, o Vadão, jamais conseguiu se firmar em clubes brasileiros. Assumiu a Seleção em 2014, o time parecia crescer, nós mesmos chegamos a elogiá-lo, porém os destemperos decisivos atrapalharam demais o desempenho das garotas. Não existiu padrão de jogo, poucas finalizações, um mínimo de treinamento tático e bolas na área, tudo o que se é criticado no futebol moderno.

Uma equipe apoiada em Marta e Cristiane, as duas atacantes se completam, é impressionante o desempenho de ambas no mesmo elenco. A Olímpiada também mostrou que a lesão de Cris comprometeu demais o time, os gols caíram drasticamente e o rendimento de Marta também. É verdade, existem novos valores, Andressinha é uma pequena heroína, Bárbara mostrou frieza ao defender pênaltis decisivos. Também é muito fato que ainda falta algo, o Brasil não tem poder de decisão, mesmo jogando em casa, favoritíssimo, com os Estados Unidos eliminados, enfrentar a Suécia seria mais tranquilo. Não foi! Vadão foi engolido pela inteligência tática de Pia Sundhage, foi uma grande queda, todo brasileiro sentiu. A pior derrota dos jogos do Rio.

Não veio ouro, muito menos prata ou bronze, o quarto lugar colocou a situação do futebol feminino em alerta, o iminente descaso da CBF deve se confirmar, há perigo, foi ligado o sinal de alerta. Não podemos permitir que a Confederação corrupta arruíne uma geração tão forte e competente, não é possível (é muito possível) que se abra mão, que acontece o passo para trás.

O futebol olímpico brasileiro na Rio 2016 foi um belo espetáculo, o sonhado ouro veio, mas a interrogação permanece para o futuro, é preocupante!