quarta-feira, 17 de agosto de 2016

Raio-X Olímpico: Basquete Masculino

Os Jogos do Rio ainda não chegaram ao fim, mas já é hora de analisar a situação do nosso país nos esportes mais tradicionais. O basquete masculino, do campeão Olímpico Rubén Magnano prometia um pouco mais jogando em casa, decepcionou como de costume. Dois grandes desfalques comprometeram a situação de certa forma, mas a realidade é que estamos muito distantes do que prevíamos, falta bastante para rivalizar com potências como a Argentina, por exemplo.
O jeitinho brasileiro de comemorar nos Jogos Cariocas. (Danilo Verpa - Folha de São Paulo)
Lituânia, Espanha, Croácia, Argentina e Nigéria, cinco adversários, três derrotas apertadas, uma vitória sofrida e a tranquilidade diante da Nigéria garantiram ao país a eliminação precoce. Mas por que Magnano ainda não engrenou? Já são seis anos de projeto e pouca coisa mudou na geração que comumente fatura o Panamericano e dificilmente consegue a classificação para as Olimpíadas, quando consegue o resultado é trágico.

Um dos grandes e pouquíssimos pontos positivos da Confederação Brasileira de Basquetebol foi a implementação do Novo Basquete Brasil, a liga nacional se fortaleceu, revelou clubes notáveis, despertou jogadores capazes de jogar de igual para igual contra astros como Luis Scola. Outro fator foi a unidade entre os principais nomes nosso basquete atual, vimos Nenê liderando nossa qualidade técnica e contagiando atletas NBA e NBB, era chegado o momento.

A Volta aos Jogos Olímpicos, em 2012, foi o primeiro passo para a preparação para 2016, o Brasil voltava as Olimpíadas após 16 anos e projetava uma geração para a conquista de uma possível medalha no Rio de Janeiro, Londres serviria como experiência. Vale destacar que o melhor resultado de nossa seleção na história do torneio foi a medalha de bronze, em 1948, 1960 e 1964, nada mais! Jogar na Grã-Bretanha foi bom para Magnano e companhia, classificação em segundo lugar no grupo B com direito a vitória sobre a Espanha (fajuta ou não). Para o Rio 2016, a expectativa era classificação e um time mais experiente para saber lidar com as adversidades.

Os fracassos de Leandrinho e sua trupe se deu pela falta de poder de decisão, o Brasil sentia, a cada jogo, os golpes de seus adversários. Como permitir as tratativas de Campazzo e Nocioni? Por que deixar Ginóbili catar um rebote inesperado faltando segundos para terminar a prorrogação? Como estrear tão mal e displicente contra a poderosa Lituânia, mesmo jogando em casa? Doeu demais, emocionou como há tempos não emocionava, mas encerramos a Rio 2016 por baixo, caindo de braços abertos ao fracasso, deixamos muito a desejar.

Ninguém sabe o rumo do basquete brasileiro, Magnano não confirmou se permanece ou se deixará o cargo de comandante, o campeão olímpico em 2004 já deu a sua contribuição, a vida tem que seguir, é hora de alternar o poder no comando técnico. Ao time, resta outra postura, mais segura, menos psicologicamente abatida, voltamos dois passos atrás, é recomeçar, do zero, relembrar o que foi bom e corrigir os erros. Dificilmente seremos top-3, mas temos nomes capazes de nos colocar na briga do mata-mata, precisamos ser olímpicos de verdade!