domingo, 10 de julho de 2016

Alma de gigante: Portugal escala Torre Eiffel e entra para o seleto grupo de campeões da Europa

Chegou ao fim a UEFA Euro 2016, os grandes confrontos, as apaixonadas torcidas, o desfile de craques e gols bonitos deixarão muitas saudades. A edição que corou o pequeno grande Antoine Griezmann como artilheiro, que mostrou que a Alemanha não é absoluta, que a Espanha precisa de uma reformulação, que a Itália pode render mesmo com uma equipe limitada, que a França está no caminho certo e principalmente, que Portugal deixou de sofrer com as derrotas, que Portugal é forte. O país é campeão europeu pela primeira vez em sua história de grandes craques.
A geração de ouro de Portugal tem um craque, coadjuvantes dedicados e meninos promissores. (Tribuna do Cisco)
Doze anos após a tragédia de Lisboa, depois do inesquecível triunfo grego, Portugal passou por momentos de altos e baixos, caiu como grande em 2008. Sofreu os males da injustiça na derrota nos pênaltis para a Espanha em 2012 e cresceu como gigante para um título também inesquecível. É o primeiro título de Portugal como seleção, país que revelou Eusébio, Figo, Cristiano Ronaldo observou coadjuvantes carregarem a equipe para a glória, jogando contra a França, time que jamais havia conseguido vencer e se vingou com enorme autoridade. A Euro de quebras de jejuns se encerra com uma quebra daquelas, o inédito título português.

Uma campanha surpreendente e certeira, o time venceu no tempo normal apenas um dos sete jogos do torneio, sofreu em cada jornada e contou com heróis diferentes para celebrar, junto aos seus torcedores, a conquista mais importante do país (contando títulos de Liga dos Campeões por Benfica e Porto). Roteiro escrito por artistas sem grife, Pepe foi gigante na temporada, jogou demais na décima primeira Champions do Real Madrid, foi ainda melhor na Eurocopa por Portugal. O zagueiro luso-brasileiro foi, sem dúvidas, o principal jogador da equipe na competição, atuações seguras que embalaram o setor defensivo e elevava o nível do ofensivo.

Na Euro 2012, Portugal caiu  na semifinal para a Espanha,
 nos pênaltis. (Reprodução)
Portugal de nova geração, os nomes experientes como Cristiano, Quaresma, Pepe, Bruno Alves, João Moutinho e Nani ajudaram bastante. Todavia, os meninos se apresentaram para o futebol em grande estilo, Renato Sanches, o garoto da moda, somado a Rui Patrício (nem tão garoto, mas talentoso demais para ficar de fora dessa lista), Cédric, Guerreiro, André Gomes, Adrien, João Mário e o próprio Éder, predestinado, serviram ao seu país como há tempos não se via, foi mais uma conquista da periferia da bola diante do desenvolvido futebol francês e europeu. José Fonte, 32 anos, zagueiro que atua no futebol inglês, mais precisamente no Southampton, o português que prometeu vencer a Euro jogando feio, que prometeu levar felicidade a cada coração de seus irmãos de nação se consagrou como mais um coadjuvante de luxo, foi fantástico!

Por fim, uma conquista dedicada a Cristiano Ronaldo, o craque, capitão e líder provou de tudo nesta edição, das más atuações nas duas primeiras rodadas, da polêmica contra a Islândia e do pênalti perdido diante da Áustria. Ronaldo da estreia contra a Hungria, aquele do gol de letra, também foi o Ronaldo que guiou Portugal para as quartas após participar do chorado gol de Quaresma contra a Croácia. O camisa 7 convocou seus companheiros para bater os pênaltis contra a Polônia, provou liderança e protagonismo também contra o País de Gales e se tornou o maior artilheiro da Euro junto a Platini, no país de Michel.

Na façanha de CR7, Pepe foi o melhor e
 mais regular jogador de Portugal. (Reprodução)
CR7 tinha tudo ao seu favor para ser o homem da final, porém uma inesperada lesão castigou o já castigado pelo desgaste da temporada Ronaldo, que teve que deixar o campo mais cedo. Ao final, ele foi técnico, atleta e capitão, alma e coração, símbolo de um país que não possuía apenas jogadores, possuía guerreiros da nação. Cristiano Ronaldo consumou mais uma temporada perfeita, faturou os campeonatos continentais por seu clube e seu país, escreveu um novo capítulo em sua história de sucesso, garantiu a sua quarta Bola de Ouro da FIFA com uma atuação impecável fora de campo, um craque completo.

Portugal espantou os fantasmas e mereceu chegar ao topo do continente, mesmo depois de gerações melhores fracassarem em suas tentativas, o país não se abalou, sofreu como sempre, celebrou como jamais havia sido privilegiado. Parabéns a Portugal e aos seus meninos gigantes.