sábado, 25 de junho de 2016

Um recorde histórico e desgastante: a frustração de Oakland

O time do momento, aquele que já possuía o título de campeão nacional, aquele tinha um técnico vencedor dentro e fora de quadra, aquele que definiu um padrão de jogo para lá de inovador, aquele que é representado pelo maior fenômeno do basquete nos últimos tempos. A franquia de Oakland viveu o melhor momento de sua história, vencendo a guerra contra o Clevelend Cavaliers na finalíssima de 2014/2015, partindo para a temporada regular após a manutenção do elenco, com direito a ascensão ligeiríssima de Stephen Curry e seus companheiros. Jogo a jogo, o Golden State Warriors foi somando vitórias, vencendo, vencendo... Vencendo! A franquia foi levando a temporada regular com muita seriedade, com muita tranquilidade que a levou a quebrar um recorde digno da geração de Michael Jordan e por que não de Steve Kerr.

MVP unânime, Curry não repetiu o bom desempenho nos playoffs. (Today Sports)
Foram 73 vitórias, números expressivos que imortalizaram Curry, Thompson, Green e companhia, o time é completo, imbatível nos pontos corridos do basquetebol mais famoso do planeta. Ao final dos playoffs ficou claro que os tempos realmente são outros, ficou claro que Bulls de Kerr e Jordan era muito capaz e não só possuía o melhor jogador da época, possuía o melhor da história. É verdade, o Golden State é tão bom quanto o Cavs, o resultado final comprovou o equilíbrio, o bicampeonato poderia ter vindo e provavelmente este texto não seria escrito desta maneira, mas foi! A frustração foi evidente, a marca maldita pouco importa até mesmo para os imortais do feito, Andrew Bogut, pivô titular do Warriors, descreditou as 73 vitórias na temporada que coroou a unanimidade de Curry, “Eu abriria mão das 73 vitórias a qualquer dia para ter sido campeão. Preferiria ter feito uma campanha de 50% de aproveitamento e ganhar mais um anel no fim do que ficar com o recorde e não conquistar nada. Quer dizer, quem se importa com nosso recorde agora? Algumas pessoas até podem, mas eu, definitivamente, não.”

O fato é que Steve Kerr não poupou ninguém, o GSW atuou com o seus principais atletas por quase toda a temporada, o recorde veio acompanhado de desgaste, a épica vitória em San Antonio contra os Spurs ficou no passado, talvez no esquecimento. Curry e seus companheiros sentiram demais, vitória tranquila e praticamente sem o camisa 30 contra o Houston Rockets, vitória no sofrimento contra o Oklahoma City Thunder, um 4 a 3 que por muito pouco não antecipou a dor de Oakland, já havia dado mostras de que o time não teria perna para engatar o bicampeonato. Um 4 a 3 ao contrário, desfalques por indisciplina, Green estava bastante pilhado pela obrigatoriedade pelo título, desfalque por lesão, de Curry no início dos playoffs mas que com certeza não atuou 100% em atuações apagadas nas finais, por lesão também de Bogut, que virou desfalque e não se encontrou substituto a altura. Agora o que vale para o Golden State? Gastar o que não gastou e mesmo assim montou um elenco competitivo e campeão? Seguir com o mesmo projeto e apostar em nomes baratos que transformam a base gloriosa? É complexo, é desgastante, é glorioso e é frustrante, as 73 vitórias se transformaram em um vice-campeonato dolorido e que será lembrado como o clube que não confirmou ser a melhor.