quinta-feira, 16 de junho de 2016

Os 7 pecados da segunda Era Dunga

Contratação controversa, trabalho bastante questionável, a segunda era Dunga enfim terminou. Eliminações para adversários fracos e uma equipe que não se encaixava foram os principais problemas para o novo desligamento do capitão do tetra, o pior técnico da história de nossa seleção pentacampeã é reflexo do que existe de mais desagradável na gestão que culminou no 7 a 1. A contratação de Tite apresenta um novo rumo para o time, a recuperação da fé no novo trabalho é o principal ponto de partida para o comandante, mas o começar do zero aumentará a pressão do atual campeão brasileiro. Pressão sempre caminhou junto ao agora antecessor de Tite, porém Dunga falhou demais em sua segunda oportunidade como técnico do Brasil, destacamos os 7 pecados capitais do estagiário de treinador nos dois anos de trabalho, este que levou a seleção a um poço mais fundo.

Protagonistas do mais recente vexame, o Brasil agradece a destituição de ambos. (Futebol Carioca)
1 – Falta de experiência

Dunga iniciou sua missão como técnico em 2006, estreou justamente comandando a seleção brasileira numa jornada que marcou o fim de uma das gerações mais vitoriosas de nossa história. O time de Carlos Alberto Parreira venceu quase tudo, mas a frágil exibição diante de França de Zidane representou o fim dos tempos de Ronaldo, Cafu, Dida e Roberto Carlos, eram tempos de seriedade para o canarinho. A primeira passagem foi relativamente boa dentro de campo, com mais de 70% de aproveitamento, não fosse a derrota dolorosa para a Holanda, talvez Dunga não tivesse sido demitido, muita gente inclusive foi contra a sua saída. O tempo passou e Dunga não acumulou grandes experiências, o mercado internacional se fechou para o comandante “militar”, todavia o clube mais internacional entre os brasileiros topou contratá-lo. Em 2013, após passar três anos na geladeira, o técnico foi ao Beira-Rio dirigir o Colorado, clube no qual era ídolo. Foram 52 jogos, um título Gaúcho e nada mais, a passagem de Dunga pelo Rio Grande do Sul foi tão decepcionante que não conseguiu completar um ano. Após mais um ano de ostracismo, Carlos Caetano voltou a CBF e o resultado todo mundo conhece, a falta de experiência foi fundamental para mostrar que Dunga não entende de futebol... A não ser sua função como volante, apenas!

2 – Falta de conhecimento

Torcedor argentino pede pela permanência de Dunga.
(Reprodução Facebook)
A coletiva de apresentação de Dunga, em 2014, já mostrou o completo desconhecimento do antigo capitão sobre futebol, atribuir um dia atípico ao 7 a 1 e citar conversas com antigos atletas e treinadores para mostrar que entendia de futebol foi deplorável. As variações táticas sem nenhum treinamento e as convocação de alguns atletas comprovaram mais do mesmo, quem não se recorda de Afonso Alves? Outro ponto de destaque para a falta de estudo de Dunga era apostar em nomes experientes para não de chamar de ultrapassados, vale destacar que o técnico protagonizou a seleção mais velha da Copa de 2010 na África. A falta de projeto e montar um time com Kaká, Tardelli e no início Maicon não representava transição, e sim imediatismo que compromete o desempenho há décadas. Em qualquer clube o técnico precisa estudar, precisa buscar experiência para aplicar o seu estilo na prática futebolística, Dunga não apresenta nada disso em variadas situações, não tem tamanho para dirigir clubes em campeonatos estaduais, não cabe de maneira alguma em seleção brasileira.

3 – Auxiliar pontual

Em sua primeira passagem como comandante do Brasil, Dunga se aliou a um grande profissional, Jorginho sempre se mostrou mais interessado e engajado com o futebol. É um conhecedor do campo, um motivador, um estrategista. A demissão da dupla em 2010 representou a separação de Dunga e Jorginho, os caminhos foram opostos, um optou por ficar sentado no sofá de casa, o outro foi trabalhar e acumulou sucessos e fracassos. A cada partida de Dunga em sua segunda passagem pela seleção confirmava o êxito no trabalho de Jorginho de 2006 a 2010, era o técnico de verdade, algo semelhante a Löw e Klinsmann na Alemanha de 2006. Na segunda Era, Dunga nunca teve um auxiliar que permanecesse ao seu lado acompanhando o grupo, para quê o Cebola se em toda rodada um ex-atleta se tornava auxiliar pontual da seleção? Isso mesmo, um ex-atleta sem a menor experiência para participar da festa de Dunga, o time que não treina precisa de técnico e auxiliar pontual? NÃO! Tudo está errado!

4 – Parceria com Gilmar

Peça principal na contratação de Dunga, Gilmar Rinaldi nunca esteve capacitado na função de diretor de seleções, ele jamais se preocupou em acompanhar o desempenho das categorias de base, muito menos do grupo principal. Vale destacar que Gilmar ocupou cargo semelhante no Flamengo do início do século, a atuação foi catastrófica, ele fez parte de uma das eras mais bagunçadas da história do rubro negro carioca, deixou o comando e se transformou em empresário. Com anos de experiência como agente, Gilmar retornou ao cargo de diretor justamente na seleção, sim, Del Nero não é ingênuo ou deficiente de intelectualidade, é esperto a ponto de contratar um profissional para transformar o maior produto futebolístico do país em comércio. A seleção nunca produziu tantos jogadores para venda, mesmo em tempos de seca, atletas de menor expressão conseguiram contratos pomposos em novos mercados, o objetivo era fazer dinheiro. Dunga foi conivente e participou ativamente ao escalar atletas de capacidade questionável, foi mais um pecado do soldado.

5 – Faixa de capitão para Neymar

Jogadores pedem calma ao próprio capitão Neymar.
(Reprodução Ne10)
A Copa do Mundo de 2014 marcou muitas coisas para o Brasil, o 7 a 1 ofuscou diversos problemas da nossa gestão de futebol. Um desses enormes problemas foi a falta de liderança no que time que apresentava um emocional fraquíssimo, pilha desnecessária colocada por Felipão fez até nosso então capitão chorar. Thiago Silva nunca foi o queridinho de Dunga, por isso a faixa de capitão foi passada a quem não é capaz de vesti-la, Neymar é o craque maior da atual geração, mas está longe de representar uma liderança fora de campo. Um atleta mimado, que sempre encontra brecha para fugir da responsabilidade por nossa seleção, sua função como capitão criou um grande problema para Dunga que tinha um líder nos amistosos, mas sempre precisava passar a braçadeira nas competições oficiais. Neymar nunca gostou de Dunga, é um fato, porém seus anos como capitão não acrescentaram em nada para a equipe da CBF, serve como dica para Tite na nova gestão, é crucial retirar a faixa de capitão do camisa 10 e terceiro melhor jogador do mundo pela FIFA.

6 – Um novo velho Dunga no tratamento com a imprensa

Recém-contratado pela CBF, Dunga foi a Rede Globo, em entrevista ao Fantástico, o técnico se retratou e pediu desculpas pelos incidentes em sua primeira experiência, prometeu mudar. Contudo, Dunga nunca foi unanimidade entre os jornalistas, sempre foi alvo de duras críticas, com poucas exceções, mas justas em quase todos os jogos de sua passagem. Dunga foi mascarado, jamais mudou seu jeito, um crápula egocêntrico dentro e fora de campo, conseguiu unir um Brasil desunido que clamou por sua dispensa, a nova demissão representou a vitória do povo, a vitória da imprensa e também do futebol.

7 – Desavença com os principais pilares da Seleção

Com a saída de Dunga, a dupla voltará a Seleção? (Getty Images)
Thiago Silva foi só um dos atletas que tiveram problemas com Dunga, uma mão na bola no duelo que fez o Paraguai eliminar o Brasil na Copa América foi o suficiente. Jamais o nosso melhor zagueiro na atualidade voltou a vestir a camisa amarela. Outro que nunca caiu nas graças de Dunga foi Marcelo, o lateral esquerdo do Real Madrid vive seu auge desde que desembarcou na capital espanhola, mas com o nosso gênio brasileiro ele não era convocado, dá para entender? Nem mesmo o próprio Dunga conseguia explicar a ausência de Marcelo, culpava o atleta, o Real Madrid ou o além, a única explicação plausível era a falta de simpatia pelo craque. O goleiro Jefferson foi outro que encontrou problemas com o treinador, mesmo após defender um pênalti de Messi, o goleiro caiu nas graças de Dunga e sempre polemizou ao dar entrevistas. Problemas pessoais com jogadores sempre comprometeu Dunga nos seus trabalhos como técnico, ninguém queria jogar por ele e a derrota para o Peru simbolizou demais esse fato, os jogadores não corriam mesmo precisando do empate, foi o desfecho da segunda e última Era Dunga do Brasil, obrigado maldito Del Nero!