sexta-feira, 3 de junho de 2016

O Brasil que não deve dar certo

A Copa América Centenário começa hoje, uma boa ideia que unirá os continentes, é a competição mais antiga da história das seleções. O torneio reunirá toda a tradição sulamericana, que volta a disputa-lo um ano após a inédita conquista do Chile, além disso, os países da Concacaf receberão os convidados históricos para realizar um campeonato tão épico que poderia somar, com a UEFA Euro, um lugar no coração do torcedor. Argentina, Uruguai, Chile, México e porque não Estados Unidos, nações da América do Sul e duas do norte despontam com boas chances de chegar ao topo do campeonato centenário, todavia um país nada contra a sua história, segue complementando um ritual macabro que foi consumado há dois anos, mas que ainda pode/deve ser sepulcral em um futuro próximo. O selecionado de Dunga nunca esteve tão enfraquecido e o desempenho na Copa América é uma incógnita nesse momento de tormento que vive um dos maiores patrimônios de nosso país.
Alisson foi levado ao time principal do Internacional por Dunga. (MoWa Press)
O fato é que o nosso técnico já não agrada a ninguém, nem mesmo as suas viúvas de 2010 (eu era uma delas). A gravidade do problema é tanta que os próprios jogadores não querem mais entrar em campo ou jogar de verdade pelo técnico. Os convocados por Dunga foram cortados, os retardatários também e nem nossa maior esperança consegue ter sequência com o técnico que lhe deu a faixa de capitão, Neymar acumula expulsões, suspensões e desempenhos questionáveis. É duro acompanhar o sofrimento do futebol brasileiro, o momento é delicadíssimo, respiramos por aparelhos e sofremos para vencer o Panamá, o que mais dói nesse caso é a possibilidade de conquistarmos a Copa América e novamente dar motivo para Dunga e Gilmar se blindarem com esse escudo.

A Copa América Centenário em um momento
 conturbado das entidades. (Getty Images)
A possibilidade de mesclar atletas olímpicos e do time principal seria um bom motivo para Dunga conseguir ter tempo para treinar o plantel, já são duas semanas de preparação e a Seleção sequer conseguiu reunir o grupo completo, a cada temos novos atletas partindo e chegando para defender as cores da pentacampeã mundial. Entre os titulares, temos dois jogadores que disputam o poderosa liga chinesa, temos um zagueiro em decadência técnica, um goleiro razoável e dois laterais bons, mas que existem opções melhores. Do meio para frente temos peças menos contestáveis, temos jogadores que desequilibram em seus clubes, porém (mais uma vez entro com uma conjunção adversativa) o estilo de jogo do nosso comandante desprivilegia o jogo ofensivo, prende Elias ou Fernandinho no campo de defesa, proíbe a investida dos laterais, opta por isolar o atacante sacrificado da vez, queima nomes como Willian, Coutinho e Lucas (quando é convocado). Quanto aos garotos olímpicos, esses terão uma oportunidade especial, conhecer Dunga para já sentir a atmosfera que os aguarda para os Jogos do Rio de Janeiro, antes tinham Micale, agora o comando é sério e colocará ordem no vestiário olímpico.

O Nosso cenário reflete o que teremos de Brasil na Copa América do Centenário, um time sem estrutura psicológica, com bastante falta de treinamento e sem comando técnico e administrativo, essa é a nossa abertura do torneio internacional mais antigo do planeta. Antes de encerrar, o meu palpite vai para uma zebra, não consigo imaginar a Argentina levantando um trofeu (ainda!), não vejo o Chile tão forte como no ano passado, talvez o Uruguai possa representar a América do Sul com maior fervor. Estados Unidos, México e principalmente a Costa Rica podem ser equipes que surpreenderão na competição, para os estadunidenses será a prova de fogo decisiva para Jürgen Klinsmann e o seu trabalho comum. Viva a América centenária e a competição que mais apresenta a garra de um bravo continente, viva o espírito de bravura de nossa camisa amarela e não de uma comissão sisuda e distante do povo.

Os que restaram ou apenas convocados de Dunga:

Goleiros: Alisson, Diego Alves e Marcelo Grohe
Laterais: Daniel Alves, Fabinho, Filipe Luís e Douglas Santos
Zagueiros: Miranda, Gil, Marquinhos e Rodrigo Caio
Meias: Casemiro, Elias, Walace, Ganso, Renato Augusto, Lucas Lima, Philippe Coutinho e Willian
Atacantes: Jonas, Gabriel, Hulk e Lucas