quinta-feira, 9 de junho de 2016

Na maior e mais equilibrada UEFA Euro, a única certeza é que a Espanha ficará pelo caminho





Sede: França

Capital: Paris

Habitantes:
65 447 374 

Mascote:
Super Victor

Estádios: Stade de France e Parc des Princes (Paris), Stade Vélodrome (Marselha), Stade des Lumières (Lyon), Stade Pierre-Mauroy (Lille), Stade Bordeaux-Atlantique (Bordeaux), Stade Geoffroy-Guichard (Saint-Étienne), Allianz Riviera (Nice), Stade Félix-Bollaert (Lens) e Stadium Toulouse (Toulouse).

Edição: Décima Quinta

Atual Campeã: Espanha

Bicampeã consecutiva, a Espanha perdeu muita força nos últimos anos, seria o maior vexame de 2014 caso o Brasil não tivesse chamado a responsabilidade com o 7 a 1. Quatro anos depois da fácil goleada sobre a Itália por 4 a 1, os espanhóis não se reergueram e as chances de buscar o tri são mínimas. Com uma Espanha carente de bom futebol, a Europa se volta para a possibilidade de muitos times chegarem fortes na briga, a imensidão de candidatos faz da Euro 2016 a competição de seleções que ainda resiste. É a terceira vez que a França sediará a competição, a primeira aconteceu em 1960, a primeira Eurocopa já realizada, a segunda foi em 1984, com título para os donos da casa. Nesta edição, o número de participantes aumentaram, serão seis grupos com quatro países, classificando os dois primeiros de cada mais os melhores terceiros colocados, vamos aos grupos!
Chegamos a 2016 e Cristiano Ronaldo segue como a estrela maior do cenário europeu. (Tribuna do Cisco)



Polêmica resultou no corte de Benzema por Deschamps.
 (BFM TV)
Donos da casa, os franceses cantarão a Marselhesa como há tempos não cantavam, são favoritos e entram com a força de um império para voltar a ingressar no cenário dos gigantes. Em meio a diversas polêmicas, o técnico Didier Deschamps optou por não convocar Valbuena e Benzema, os pivôs de uma crise que atrapalharia demais o vestiário do time. Por isso os franceses serão mais do que atacantes parados na grande área, terão velocidade e habilidade com Griezmann e Martial, mas também recorrerão a Giroud e Gignac para atravessar a defesa adversária. O time é muito bom, a França nunca esteve tão forte após a aposentadoria de Zidane, a geração é muito boa e deve ajudar os “Bleus” a lutar pelo título. Da defesa ao ataque a equipe é sólida, mesclando experiência e juventude, de Lloris a Gignac, de Sagna a Evra, de Pogba, a estrela, a Kanté, a grande surpresa. A França merece ser observada, deve sobreviver com tranquilidade no grupo A.

Ainda no grupo, temos Romênia, Suíça e Albânia, de fato, os suíços são os mais cotados para garantir o segundo posto no grupo, a equipe segue fria a ponto de protagonizar jogos chatos, não sofre nem marca gols. Shaqiri é o diferencial, é o ponto de habilidade que deve ajudar o time da Basileia, o país sede da Euro 2008, que ainda conta com coadjuvantes como Xhaka, recém-contratado pelo Arsenal, Lichtsteiner e Ricardo Rodríguez do Wolfsburg. Romênia possui uma tradição bem maior que a Albânia, mas o momento não é tão bom para a nação amarela e vermelha. É provável que Romênia e Albânia não se classifiquem para a fase de mata-mata, é bem provável”



O grupo é bem mais forte e equilibrado que o primeiro, temos Inglaterra como a grande força e em ótimo momento, também observamos a Rússia em preparação para sediar o Mundial de 2018, a Eslováquia que foi surpresa na Copa da África em 2010 e o País de Gales, pela primeira vez disputando essa fase de UEFA Euro. Sob o comando de Roy Hodgson, o English Team protagonizou o fiasco da Copa do Brasil, terminando em último no grupo da morte (com Costa Rica e Uruguai classificados e a Itália em terceiro), mas vive em grande fase, com os despertar de grandes revelações como Jamie Vardy e principalmente Harry Kane. 

Artilheiros da Premier League, Kane e Vardy formarão dupla de
 ataque da Inglaterra (Getty Images)
A Inglaterra está recheada de boas peças, é um time muito promissor que deve melhorar a situação das últimas épocas. Jovens jogadores como Stones, Alli, Rose, Dier e Rashford darão o tom e um time imaturo, que deverá sofrer cicatrizes importantes para enfim chegar ao topo, Hodgson possui um material humano de primeiro escalão, caberá ao técnico confirmar que a geração é tão boa quanto a passada, a missão dele é tão complicada quanto a de antes, vencer os títulos que jamais foram conquistados durante a história. Fora a polêmica Copa do Mundo de 1966, a Inglaterra jamais levantou um trofeu, é provável que não levante a Euro 2016, mas o elenco deve crescer para a Rússia em 2018.

A Rússia perdeu muito tempo apostando em Fabio Capello, o ultrapassado técnico italiano não conseguiu bons resultados e quase não levou a sede da próxima Copa para Eurocopa, um tremendo irresponsável. De casa, Leonid Slutsky, aceitou a missão e terá o desafio de conseguir uma campanha digna para os russos, precisa chegar ao mata-mata para não chegar por baixo na sequência de amistosos até o Mundial. Entre as surpresas no elenco, um brasileiro, trata-se do goleiro Guilherme, que atua pelo Lokomotiv e já está na casa dos 30 anos. É atleta de qualidade que soma a esse elenco frio que foi muito bem na Euro 2008, mas ainda sofre com o fim da geração de Arshavin, o desafio de Slutsky é tão duro quanto o de Hodgson.

A Eslováquia surpreendeu o mundo na África do Sul em 2010, o time que conta com notáveis como Hamsik (Napoli), Skrtel (Liverpool), Kucka (Milan) e Stoch (Bursaspor e vencedor do Prêmio Puskas 2012) permanecem no plantel, que chega mais experiente e preparado para a Euro. O aumento no número de vagas para a fase final da Eurocopa favoreceu muitas nações, como o País de Gales, a seleção vive o seu melhor momento na história, principalmente por possuir no elenco Gareth Bale, o genial e multifuncional jogador do Real Madrid cresce nos momentos decisivos, já soma duas conquistas de Liga dos Campeões da Europa e promete liderar os galeses na disputa do grupo da Euro. Sem dúvidas, o clássico entre Inglaterra e País de Gales vai embalar o grupo B, há muitas questões envolvidas na partida e a classificação significaria muito para os Bale, Ramsey e companhia.




Após o tetra, alemães ainda não convenceram.
(Getty Images)
Campeã do mundo, a Alemanha deixou o Brasil com maiores pompas devido ao carisma, ao grupo formado desde a geração 2006 e principalmente pelo 7 a 1. No mais, o time de Löw foi tão equilibrado quanto qualquer outro que esteve forte na briga pelo título mundial, por isso, os germânicos precisam mostrar que realmente são os mais fortes para enfim afastar o carma da equipe que não consegue a consagração. A base foi mantida, as alterações foram apenas pontuais, aposentaram do selecionado o goleiro Weindenfeller, zagueiro Mertesacker e o atacante Miroslav Klose, jogadores importantes que já estavam na idade avançada, a troca foi necessária. A Alemanha vive um momento excepcional com um trabalho de base bem feito, com uma safra sólida e que deve render e também por possuir jogadores que atuam melhor pela seleção do que pelo clube No grupo C um embate histórico, Alemanha e Polônia duelando pela classificação, será o encontro marcante entre Lewandowski e Neuer.

Os poloneses possuem bons jogadores em quase todos os setores, o país tem sido privilegiado por revelar jogadores que dão conta do recado, ressaltando também a exportação de craques, Klose, Podolski, entre outros. O time desponta como favorito a ficar com a segunda colocação, apesar de ter fracassado em seu país na edição de 2012. Também sede na última Euro, a Ucrânia terá de duelar contra os vizinhos e lançar a sorte com sua safra para conquistar a classificação. Shevchenko não está mais no elenco, a disputa da Euro 2012 foi seu último ato como profissional e o mítico ucraniano rendeu como não rendia desde a primeira passagem de Milan, foi épico. É verdade que Anatoliy Tymoshchuk segue convocado para a disputa da Euro, mas hoje as esperanças da Ucrânia estão nos pés de Yarmolenko e Konoplyanka.


Por fim, a maior surpresa das Eliminatórias, a Irlanda do Norte foi imponente, se classificou com autoridade na primeira colocação do então grupo F. Agora, os estreantes no torneio entrarão em campo para quebrar tabus, cada batalhará representará um misto de diversos sentimentos, é azarão e pode surpreender se tratando de um cenário onde acompanhamos uma Alemanha inconstante e sem espírito de campeã do mundo, uma Polônia que sempre fracassa e uma Ucrânia desfigurada. A Irlanda do Norte tem chance!




Protagonista das duas últimas edições de Euro e do título de nosso post, a Espanha chega desfigurada, desmantelada e derrotada para o início de competição. O marco para confirmar o mau momento aconteceu nesta semana, quando a Roja caiu em casa diante da modesta Geórgia, o retrospecto tem sido péssimo e Vicente Del Bosque segue intocável por tudo que conquistou, todavia é necessária uma drástica mudança, o time campeão do mundo e europeu chegou ao fim! Manter Casillas como o goleiro titular da seleção comprova o momento desleixado de Del Bosque, o arqueiro do Porto terminou a temporada em baixa, conviveu com altos e baixos e jamais repetiu o desempenho de 6 anos atrás, está na hora de De Gea.

Geórgia venceu a Espanha no amistoso pré-Euro.
(Getty Images)
Na sequência do plantel, temos nomes bem experientes, Sergio Ramos, Piqué, Iniesta, Busquets, Pedro e Fàbregas, alguns deles não conseguiram bom desempenho na temporada, a situação de Cesc é deplorável. Em compensação, Ramos é peça intocável por melhor a cada ano. Além disso, outras surpresas chegaram para somar mesmo com idades avançadas, são os casos de Juanfran, o grande lateral direito da temporada e o atacante Aduriz, há tempos ele cumpria o seu papel, mas só agora foi recompensado por Del Bosque. Carvajal, Bartra, Morata e Lucas Vázquez são os pontos fora da curva, os jovens na necessária renovação que a Fúria precisa, mas excluir Saúl partiu o coração de cada amante do futebol, foi imperdoável, seu Vicente! Um elenco vasto, com opções interessantes, apesar de tudo, a Espanha ficará pelo caminho pelo desgaste e pelo desinteresse em jogar junto, a geração acabou!


O momento espanhol é horrível, mas o sorteio ajudou demais os tricampeões europeus, que vão duelar contra a República Tcheca que não se renova, a Turquia que deveria jogar melhor pelos nomes que possui e a Croácia, a eterna decepção da Europa, vimos o terceiro lugar em 1998 e vimos eliminações precoces nas competições seguintes. Espanha se classifica e carrega Turquia e talvez Croácia juntas, mas não durará muito.



Grande aposta na Copa do Mundo do Brasil, a Bélgica mantém reforçado seu grupo, os garotos de Wilmots amadureceram e outros utilizarão a Euro 2016 para firmar esse amadurecimento. Os belgas querem provar para o continente que não são um time robótico e sem emoção como o do Mundial de dois anos atrás, querem mostrar que podem mais e que a geração não tem grandes jogadores à toa. Os Diabos Vermelhos chegam fortes demais, Nainggolan, jogador da Roma, que foi preterido em 2014, agora é titular no meio de campo, De Bruyne é titular do Manchester City, está mais experiente, Benteke caiu de produção, mas Lukaku já dá conta do recado como titular, além de Courtois, Mertens, Mirallas e, é claro, Eden Hazard. O Camisa 10 deixou muito a desejar na temporada, foi um dos responsáveis pelo fracasso do Chelsea de José Mourinho/Guus Hindink, precisa de mais para ser o cara como foi em 2014/2015, a Euro será a prova de fogo. A Bélgica desponta como uma das favoritas, mas perder Vincent Kompany é um golpe duríssimo para a defesa que tinha um líder, não tem como reparar a perda.

No grupo da morte, Thiago Motta é camisa 10.
  (Getty Images)
O grupo da morte da Euro também conta com a Itália, seleção que vai se despedir de Antonio Conte ao final do torneio. O time é bastante fraco, um dos mais fracos que a Azzurra já possuiu nos últimos anos, Thiago Motta será o camisa 10 dessa deprimente seleção tetracampeã do mundo. Vale destacar que apenas uma vez a Itália venceu a Euro, foi em 1968, ela não costuma ter sorte na competição e precisará contar com a sorte ou com a história para voltar a sorrir no continente. O vice-campeonato na Euro 2012 parece não ter ajudado para a montagem do elenco para a de 2016, Verratti se lesionou, Balotelli não vingou como se esperava e cabe a Pellè o desafio de liderar o ataque italiano. A geração que assistiu pela TV Totti (exceção), Del Piero, Inzaghi, Pirlo, Nesta, Maldini e companhia conta apenas com Buffon para comandar dentro e fora de campo. O destino é cruel com a Azzurra, o elenco é bastante limitado e tem tudo para decepcionar ainda na fase de grupos, contudo é em momentos como esse que a Itália costuma crescer, é pagar pra ver!


Irlanda e Suécia são os azarões, os suecos ainda contam com Ibrahimovic que com a tradição por sempre estar nas competições, Ibra quer conquistar algo com o seu país antes de dizer adeus ao futebol, o momento pode ser esse. Para a Irlanda a Euro segue apenas como um passeio, como em quatro anos atrás, é disparado o pior time do grupo da morte, será que teremos espaço para uma “Costa Rica da Europa”? Difícil, quase impossível, veremos!


Ronaldo segue protagonista na Europa. (Getty Images)
Outro novato, o grupo F é o mais frágil da Euro 2016, Áustria, Hungria e Islândia possivelmente cairão para Cristiano Ronaldo e Portugal, o nossos patrícios ainda não engoliram a derrota para a Grécia em 2004, por isso, sempre são uma ameaça importante e merece respeito. Carrasco em 2004, Fernando Santos convocou muito bem a seleção, carregando jogadores cascudos como Nani, Quaresma, João Moutinho, Pepe, Ricardo Carvalho e Bruno Alves. Ainda se observa jovens atletas que despontam para o futebol, o volante William Carvalho, o meia André Gomes e a sensação Renato Sanches (trocou recentemente o Benfica pelo Bayern de Munique). Portugal cresce no momento certo, parecia cair sem nenhum grande auge após a era-Scolari, mas direciona muito bem seu caminho para a geração passada passar o bastão para o presente e futuro. Não será surpresa se Portugal conseguir novamente chegar a semifinal ou talvez final, o time está entrosado e conta com Cristiano Ronaldo, a máquina de fazer gols não para de conquistar títulos, pela terceira Euro seguida, o português segue como o maior destaque da torneio, chegou a hora? Para Ronaldo, o futebol diz que sim, falta a realização prática.


A Áustria possui Alaba, a Islândia aposta no velho Gudjohsen e a Hungria ainda espera que Dzsudzsák desponte, mesmo próximo dos 30. Portugual vai sobrar no grupo F e assistirá de longe a briga pelo resto das vagas, o grupo é muito fraco.

Palpites:

Título: França

Candidatos: Alemanha, Bélgica, Inglaterra e Portugal.

Surpresas: Eslováquia, País de Gales e Irlanda do Norte.

Decepções: Espanha, Itália e Rússia.

Artilheiro: Cristiano Ronaldo

Craque: Paul Pogba

Revelação: Kingsley Coman