segunda-feira, 27 de junho de 2016

Messi e o emocionante choro de amor pela Argentina

Lionel Messi, cinco vezes eleito o melhor jogador do mundo, oito títulos do Campeonato Espanhol, quatro conquistas de Liga dos Campeões da UEFA, quatro Copas do Rei e três Copas do Mundo de Clubes. Chega a ser esquisito observar que o maior jogador do século XXI jamais conseguiu levar o seu país ao topo do continente ou do mundo, sua formação espanhola e o desprezo dos clubes argentinos pelo seu futebol sempre o afastaram do carinho por parte de imprensa, ex-jogadores e torcedores do país bicampeão do mundo.
No melhor desempenho, Messi provou empenho e sentiu  a dor como mais um filho do sol argentino. (Reprodução)
Fora as duas medalhas de ouro, Atenas 2004 e Pequim 2008, a geração de Lionel Messi sempre rendeu bem nas competições que disputou, principalmente em Copas América. Foram três finais e três vice-campeonatos, 2007 para o Brasil, 2015 e 2016 para o Chile, as duas últimas foram daqueles baques que desmoronam um país inteiro, jogando melhor no torneio, caindo nos pênaltis. É fato, cada geração tem sua parcela de culpa, mas como no Brasil, a Argentina também possui pivô para todos os problemas do seu futebol, a Associação de Futebol Argentino, a AFA, acumula vexames que acompanharam a crise do país em tempos passados, o esporte foi completamente comprometido e os clubes sofreram por décadas.

Passado o momento, a AFA segue com problemas semelhantes a CBF aqui no Brasil, dirigentes que não dão o braço a torcer, onde o dinheiro vale mais do que um futebol campeão. Leo Messi é a principal figura pública no atual cenário do esporte argentino, diferentemente dos atletas de futebol brasileiro, o craque não poupou a Federação de críticas que comprometem o desempenho dos jogadores. Messi foi seco, sincero e principalmente, representou o país, respondendo aos críticos do camisa 10 e capitão, ele estava comprometido a Argentina na Copa América e encerrar o jejum de títulos que aconteceu pela última vez na geração de Gabriel Batistuta.
O Diário Olé clamou pela
 permanência de Messi.(Reprodução Olé)

Outro fato que chamou atenção do mundo foi o choro emocionado de Messi minutos após o bicampeonato chileno, o argentino em nenhum momento da carreira havia chorado de tristeza por alguma frustração com o esporte. Com o Barcelona eliminações vieram, todavia o argentino/catalão se comportava da melhor forma possível, entendia que foi superado. Ontem foi diferente, ele sentiu a vitória, o fim da maldição, a decisão em seus pés, como normalmente ele costuma decidir. O pranto simbolizou o a mescla de sentimentos que ele sentia naquele momento, sobrando para a imprensa a afirmação de que jamais voltará a vestir a camisa da AFA. Surpreendentemente, os jornais argentinos o apoiaram, clamam pela sequência do capitão na seleção que está mais próximo do que nunca de encerrar o jejum.

Messi enfim ganhou o coração da Argentina, provou ontem que se dedicou mais nesses anos ao seu país que ao seu próprio clube, perdeu o jogo e o campeonato, conquistou milhares em solo sulamericano. Há derrotas que são necessárias para construir times fortes e cicatrizados, as derrotas da Argentina para o Chile, a manutenção de Tata Martino e a fundamental permanência de Messi, caso o craque repense com a cabeça mais fria em seguir vestindo a AFA, são motivos que montam uma das seleções mais fortes dos próximos anos. São vice-campeões mundiais e bi vice-campeões americanos, precisam pensar futebol e sua organização, mas possuem as peças necessárias para quebrar a maldição, basta não errar e convencer Messi a liderar o país em mais uma Copa do Mundo.

PS: Palmas para o Chile e o trabalho brilhante de Jorge Sampaoli, a sequência maravilhosa por Juan Antonio Pizzi, a geração de Bravo, Vidal e Sánchez e a competência de um país que venceu duas Copas América num intervalo menor que um ano. 
Geração do 7 a 0, do bicampeonato e do ótimo retrospecto em cobranças de pênalti. (Getty Images/AFP)