domingo, 24 de janeiro de 2016

Primeira Liga, a afronta as entidades e o calendário exageradamente preenchido

O sucesso da Copa do Nordeste ofuscou completamente o mundo dos estaduais no futebol brasileiro. O torneio que reúne os melhores clubes da região conseguiu atrair grande público, transmissão de tv e ainda superou as expectativas na questão técnica se compararmos com os fracos e pouco disputados campeonatos estaduais. O êxito do principal trofeu em disputa do primeiro semestre do futebol brasileiro gerou várias discussões pelo resto do gigante país, surgiu a Copa Verde, que reúne clubes do norte e centro-oeste e para 2016 aquele que geraria a maior polêmica da década no futebol dos estados brasileiros. A Sul-Minas repaginada e com os reforços de nada mais nada menos que Flamengo e Fluminense.
Guerra contra as federações foi declarada, até quando? (Liga Rio-Sul-Minas)
Em busca de engrandecer o futuro, gigantes do Brasil procuraram no passado esquecido (Torneio Sul-Minas) e no sucesso do pretérito mais que perfeito (Copa do Nordeste) para se unir e desafiar as grandes entidades que seguem pregando o conservadorismo e pouco se importam com o País dos 7 a 1. Nessa tentativa de afronta, surgem Flamengo e Fluminense e disputa política com a FERJ, a Federação de Futebol do Rio de Janeiro peca em vários quesitos, transformando um regulamento que ainda prezava pelos campeonatos estaduais numa bagunça que desprivilegia o futebol e favorece a máquina de televisão e federação.

Uma situação insuportável resultou no rompimento da dupla Fla-Flu com a FERJ e os clubes cariocas partiram do então estadual 2016 para se aventurar na ideia de torneio Sul-Minas, que passou a ser chamada de Rio-Sul-Minas e agora foi batizada de Primeira Liga. O Campeonato contará, além da dupla do Rio de Janeiro, com gigantes do nível de Atlético Mineiro, Cruzeiro, Grêmio, Internacional, Atlético Paranaense, entre outros. O fato é que, caso a liga realmente aconteça, ela tomará todo o holofote dos campeonatos estaduais, além de servir como vitrine para os grandes clubes, atraindo os paulistas que acabaram ficando de fora da primeira edição.

Teremos um torneio que coloca os melhores clubes do país (com exceção de São Paulo) num torneio nos moldes de Liga dos Campeões ou Libertadores, fase de grupos e mata-mata até a finalíssima, um campeonato perfeito, atrativo e disputado. Contudo o Brasil protagoniza uma dentre tantas outras batalhas políticas que afastam o futebol do seu torcedor e colocam uma incógnita na realização da Primeira Liga. O conflito político entre FERJ, Flamengo e Fluminense trouxe à tona várias discussões, será mesmo que a dupla carioca teria declarado guerra a federação se a mesma não tivesse prejudicado  de alguma forma ambos? Por que a CBF demorou tanto para se meter na briga e toda semana muda de lado? Vivemos um dilema no qual existem dirigentes preocupados com o andar do futebol brasileiro, por isso desafiam as poderosas entidades e buscam chamar atenção de alguma forma.

Por outro lado, os próprios dirigentes caem do cavalo e recuam diante das mesmas entidades, a prova clara de tal fato foi a Rede Globo e o pedido que mais foi uma ordem para que o Clube de Regatas Flamengo não abrisse mão do Campeonato Carioca, o então presidente Eduardo Bandeira de Mello aceitou cordialmente o pedido da emissora, quebrando todo o espírito de luta contra o sistema que controla o país do futebol. Outro fato que compromete a luta por um futebol melhor é que os atletas ganharam mais um torneio para se preocupar, atrapalhando a luta da classe por um futebol mais humano, que privilegie a saúde mental e física do jogador e profissionais do ramo, a Primeira Liga incha o futebol brasileiro e os motivos que colaboram para isso é graças à afronta as federações que, unidas, infelizmente são mais fortes.

O poder corrompe o ser humano, no futebol não é diferente, Alexandre Kalil se aproveitou o máximo daquilo que a Primeira Liga poderia oferecer, de repente, quando a CBF se mete e muda de opinião, o maior presidente da história do Atlético Mineiro vira a mesa, deixa a organização, os holofotes, estaria ele visando algo dentro da Confederação que controle a bola no país? Os clubes, quase nunca unidos, vivem turbulências, a ponto de o Cruzeiro deixar a Liga e depois retornar com a saída de Kalil. Resultado, apesar de unidos pela realização da Primeira Liga, os clubes, protagonizados pelos seus presidentes, também são culpados (e muito!) pelo desempenho do futebol nacional e o seu calendário doentio, a disputa nas quatro linhas se tornam disputas de poder e apoio político.

A tabela atraente da polêmica Primeira Liga. (Paraná Online)
O sonho não passa de utopia, os clubes desafiam CBF e afins pela realização da Primeira Liga, um campeonato perfeito que dividirá cotas de televisão no mesmo valor para cada clube, além do mais, o torneio reunirá o que o país tem de melhor, excluindo os clubes de menor porte, que seguirão no ostracismo e jogando pouco durante a temporada. As entidades seguem sua luta para barrar o campeonato regional, tem como aliado o maior canal de comunicação do país, que prometera boicotar a realização da Liga, mas o tempo é curto e o seu não acontecimento é quase impossível, permanecendo o impasse para o resto do ano e para os próximos, mais clubes vão se filiar ou teremos a primeira e única edição? Enquanto isso, os atletas jogarão em duas frentes no primeiro semestre, trazendo de volta a questão do calendário apertado e cruel. Ramificações de problemas e poucas soluções, um dois mil e dezesseis ainda mais complexo para o futebol brasileiro, a bola vai rolar na terra do time cinco vezes campeão do mundo, é O País dos 7 a 1, que o apito inicial seja dado, viva a Primeira Liga!