segunda-feira, 28 de dezembro de 2015

Retrospectiva 2015 TOP 10

O ano esportivo está chegando ao fim, 2015 trouxe muitas coisas boas, inéditos campeões, ressurreições de velhos gigantes e afirmação do maior clube do mundo, também do maior piloto de Fórmula 1 da atualidade. Contudo o ano protagonizou a descoberta ou pelo menos a divulgação concreta dos escândalos corruptivos da FIFA e suas criações, confederações, federações e demais entidades, o crime se apossou de tudo que envolve o esporte e os desfechos ficaram para 2016. É possível que falte alguns temas legais, como por exemplo a despedida de Gerrard de Liverpool ou a arrogância de Mourinho no Chelsea, a queda precoce do Brasil de handebol feminino ou Marta e companhia na Copa do Mundo de futebol do Canadá, mas tudo isso ficará marcado no belíssimo ano. Portanto, confira dez fatos que marcaram a temporada e a partir de agora se eternizarão na história de quatro anos da nossa Tribuna, seja bem-vindo a nossa retrospectiva, fique a vontade!
Um ano de afirmação, despedidas e descobertas. (Tribuna do Cisco)
10 - Kobe Bryant: O anuncio de adeus do maior do século


Kobe Bryant e o último adeus ao basquete. (Divulgação)
O basquete estadunidense produz por temporada vários craques que dão conta do recado na seleção nacional, além disso, eles dão o tom da liga mais competitiva do esporte no planeta. Bons jogadores são produzidos, é verdade, mas poucos conseguem se tornar lendas, temos alguns exemplos claros e não há dúvida de que Kobe Bryant é o maior jogador de basquete do novo século. Contudo o declínio técnico e as mais variadas contusões comprometeram o restante de carreira do ala-armador, não restava outra saída e Kobe anunciou no segundo semestre do ano que a temporada atual seria a última de sua brilhante passagem pelo basquete. Campeão pelos Lakers por cinco temporadas, o atleta também conquistou duas olimpíadas pelo país, um atleta completo, daqueles que deixará saudade, o basquete estará mais uma vez órfão no aguardo por uma nova afirmação.

9 – UFC: A maldição do cinturão

Polêmico, esquisito e surpreendente, tais palavras definem bem o ano do MMA e o seu maior evento, o UFC nunca havia trocado tanto de campeões, quase tudo está diferente do que começou em 2015, quase tudo! Dentre todas as categorias, apenas Demetrious Johnson nos moscas, TJ Dillashaw nos galos Robbie Lawler nos meio-médios conseguiram manter os títulos, o primeiro inclusive já soma oito defesas e vai se firmando no ranking peso por peso. Fora isso, todas as categorias mudaram, nos penas o reinado de José Aldo acabou, os dez anos de invencibilidade foram por água abaixo diante dos treze segundos que Conor McGregor precisou para derrubar o antigo campeão, o irlandês provocou, provocou e levou a melhor. Foi esquisito assistir isso acontecer, era o mesmo que o Sonnen campeão do UFC ou como se Ivan Drago tivesse vencido o Rocky no quarto filme da saga, aconteceu e Dana White descartou revanche imediata.

Aldo, McGregor e 13 segundos (Divulgação)
No mais, Rafael dos Anjos desbravou Antonhy Pettis e garantiu o cinturão dos leves para o Brasil, era o único que faltava para o país na história do UFC, Luke Rockhold não teve tantos problemas quanto os brasileiros e tirou com facilidade o cinturão dos médios de Chris Weidman, foi fácil, foi humilhante. Jon Bones Jones teria dado continuidade e sobraria na temporada, mas vários problemas fora do octágono o afastaram do UFC e Daniel Cormier assumiu o posto de campeão dos meio-pesados. Com o retorno do grandioso Jones, provavelmente teremos uma revanche, no primeiro duelo o ex-campeão sobrou.

Os pesados enfim puderam ter um campeão só, Cain Velásquez retornou ao evento contra o interino campeão Fabrício Werdum, o brasileiro surrou o estadunidense/mexicano e lhe tomou o cinturão da categoria mais disputada da organização. Entre as meninas, dois cinturões tiveram duas novas campeãs, primeiro com a excelente Joanna Jedrzejczyk, polonesa que conquistou o cinturão das moscas para cima de Carla Sparza e já o defendeu por duas vezes e Holly Holm, que chocou o mundo ao bater com facilidade a superestimada Ronda Rousey, foi tão fácil quanto Cono McGregor vs José Aldo. Um ano de muitas surpresas que projeta um 2016 ainda mais interessante para o mundo do MMA no UFC, teremos muitas revanches e trocas de cinturões, a era dos domínios acabou.

8 - Era de Lewis

Pouca emoção na Fórmula 1 em 2015. (Divulgação)
Se no UFC o lema agora é o troca-troca, na Fórmula 1 temos uma era bem definida e Lewis Hamilton sobra na categoria mais badalada do automobilismo. Em 2015 tudo foi bem mais fácil para o inglês, ele não teve rival que conseguisse fazer frente e o céu virou o limite, nada tiraria o tricampeonato mundial de Hamilton, nada tirou! A Fórmula 1 voltou a ser de um homem só e o momento era da Mercedes que novamente fez dobradinha, Rosberg (muito mais tímido do que em 2014) se preocupou mais com o segundo lugar do que em brigar pelo topo, o alemão observou as investidas de Sebastian Vettel e sua Ferrari de perto, mas conseguiu o vice-campeonato graças a um carro fora de série. Para o Brasil o ano não foi tão legal, a Williams havia prometido um carro melhor do que o de 2014 para sua dupla, acabou sendo ofuscada pela Ferrari e Felipe Massa e Bottas sofreram maus bocados, foi duro de assistir. Debutando em 2015, Felipe Nasr conseguiu uma temporada de respeito, somou pontos e não comprometeu, em 2016 ele seguirá na busca por estabilidade. A Fórmula 1 vive um momento de novo domínio, após anos de RBR e Sebastian Vettel, temos Mercedes e Hamilton sem adversários, a tendência é que 2016 seja da mesma forma, ou talvez tenhamos maior disparidade.

7 - Tite ou Dunga?

Tite foi maestro no hexa do Corinthians, e aí CBF?
(Divulgação)
O futebol brasileiro viu de perto a afirmação de Tite, o técnico havia passado um ano de puro estudo fora do país e voltou para brilhar como tinha conseguido em tempos passados. Mandou bem na fase de grupos da Libertadores e sobrou no Campeonato Brasileiro, foi hexa com o Corinthians e deu mostras mais do que claras de que é o técnico do momento no futebol brasileiro (ele já era esse cara há uns 4 anos). Enquanto isso, o que era para ser um técnico em formação ganhou uma nova oportunidade na Seleção, mas a segunda Copa América de Dunga foi completamente diferente da primeira, eliminação nos pênaltis para o Paraguai (segunda vez consecutiva) após uma patética classificação na fase de grupos. O medo consome o torcedor brasileiro, porém o Brasil terminou o ano de maneira mais tranquila, em terceiro lugar nas Eliminatórias, o ano de 2016 será decisivo para Dunga e os seus comandados, será que o “técnico” conseguirá se manter no cargo? Difícil... Que ele deixe!

6 – O Chile ensinou

Copa América foi no Chile, foi do Chile. (Divulgação)
Se o Brasil não soube representar a escola de futebol que um dia teve, o Chile de Sampaoli ensinou, desfilou e realizou o sonho de todo cidadão chileno, conquistaram o primeiro título de sua longa história futebolística. A Copa América foi realizada em casa e os chilenos passaram por cima de camisas pesada, derrubaram a Argentina de Messi na finalíssima e coroaram a melhor geração da história do futebol do Chile, essa que contém Alexis Sánchez, Arturo Vidal, Claudio Bravo e porque não falar Jorge Valdivia. Foi um título lindo, faltava vencer o Brasil, o rival que sempre vence o time vermelho, mas calma, a vitória veio e foi na estreia chilena nas Eliminatórias para a Copa da Rússia, 2 a 0 com facilidade e fim da hegemonia da CBF. O ano de 2015 do Chile dá para ser contado em capítulos de livros ou em filmes, valeu a pena esperar!

5 – O caça catalão novamente decolou

O mais temido voltou a dominar o mundo. (Divulgação)
Entre os clubes, o futebol europeu viu a crise do Barcelona passar voando e o time mais encanta o mundo novamente venceu tudo o que tinha direito, não deu chances. Triunfos contra quase todos os campeões nacionais, êxito do trio de ataque sulamericano, a afirmação de Neymar, o primeiro trabalho positivo de Luis Enrique como técnico e o drible desconcertante de Messi em Jerome Boateng, lembranças de uma nova tríplice coroa. O fato é que o Barcelona voltou a jogar bonito, resolveu os problemas da defesa, superou a saída de Xavi, consagrou Lionel Messi que deve voltar a ganhar a bola de ouro após dois anos de conquista de Cristiano Ronaldo. O Barça voltou a ser o time a ser batido ou pelo menos a fonte de inspiração para muitos, é o melhor time do mundo, é o Barcelona do século XXI.

4 – O milagre do Rio da Prata

Gallardo recolocou o River no lugar que ele merece estar.
(Divulgação)
O futebol sulamericano reverenciou o poderoso Barcelona, mas quem deu bola na Libertadores da América, na Recopa Sulamericano e no futebol pegado foi o River Plate. Uma história de superação belíssima, Marcelo Gallardo, no auge de seus trinta e nove anos conseguiu resgatar o bom futebol dos Millonarios, somar a paixão do fanático torcedor e dar ao River a tão sonhada conquista continental, com direito a vitória para cima do maior rival e título com autoridade contra o Tigres do México. Uma campanha excepcional, um título mais do que merecido, o clube argentino que saiu do fundo do poço para a glória máxima das Américas, foi sem dúvida um dos momentos mais marcantes do esporte em 2015.

3 – Neymar: chegou o momento esperado

Neymar representa o Brasil na disputa pela Bola de Ouro,
até que enfim. (Divulgação)
Você deve se estar se questionando a presença de Neymar no top 3 da nossa retrospectiva. A posição do nosso maior craque tem diversos valores, um deles se deve ao fato de que o brasileiro conseguiu acabar com um jejum de quase dez anos, recolocando o país na rota dos melhores do mundo. Um outro motivo pela terceiro posição para o capitão do Brasil é que tal colocação deverá ser a dele na eleição da FIFA, tendo em vista os embates contra Messi (muito provável vencedor da Bola de Ouro, após dois anos, vale ressaltar) e Cristiano Ronaldo, essa máquina de marcar gols. Contudo Neymar tem feito um trabalho espetacular, conseguiu se adaptar ao estilo europeu, venceu a concorrência de Pedro e Sánchez e garantiu cadeira cativa entre os titulares, sendo peça fundamental para o time de Luis Enrique. Neymar decide sem Messi, sem Suárez, sem Iniesta, Neymar amedronta a defesa adversária, preocupa os outros técnicos e ainda marca gols antológicos, vale destacar o segundo dele na vitória contra o Villarreal pela Liga Espanhola. É questão de tempo para ele conquistar sua primeira bola de ouro, enquanto ela não chega, nos resta prestigiar o talento e bom futebol do camisa 10 da Seleção e 11 do Barcelona.

2 – A máquina, os seus mecanismos, os seus produtos e o defeito técnico

Sem dúvida, uma das cenas mais marcantes do ano de 2015.
(Divulgação)
O ano também marcou o maior escândalo da história do futebol... Na verdade, o escândalo veio à tona, pois sempre existiu. O herdeiro de João Havelange, Joseph Blatter até conseguiu se reeleger, mas a pressão foi tanta que o suíço não a suportou, abdicou da condição e convocou novas eleições para o início de 2016. Enquanto isso, o FBI junto a polícia suíça surpreenderam o mundo ao deter vários chefões da máfia do futebol, isto é, vários líderes de federações de diversos países (entre eles o ex-presidente de Conmebol, Nicolás Leoz, o atual, Eugenio Figueiredo, e José Maria Marin, ex-presidente da CBF). Os esquemas de corrupção vieram a público e o resto do mundo corrupto explodiu de temor, prova clara foi o sumiço de Marco Polo Del Nero, o então presidente da Confederação Brasileira de Futebol deixou a Suíça momentos depois das prisões e nunca mais saiu do Brasil, com medo, por pura covardia. O medo tomou conta do cartola que pediu licença do cargo e colocou outra peça do mecanismo, deixou o cenário... Por enquanto! Não dá para prever como será 2016 no mundo da maior entidade de futebol, porém temos a certeza que ela jamais será a mesma, que os culpados paguem na justiça e deixem seus cargos, não fujam como certos brasileiros.

01 - O craque da camisa 01, valeu Rogério!

Não poderíamos encerrar nossa retrospectiva de modo triste, de certa forma a aposentadoria de Rogério Ceni entristece o torcedor brasileiro, mas seus feitos estão marcados e orgulham todos nós. A despedida do M1to, aquele que bateu o recorde de gols entre os goleiros, que somou quase todos os títulos possíveis para um atleta de futebol, que conseguiu se tornar o maior jogador da história de um dos clubes mais populares do país, que teve uma festa de adeus digna de imortal. O Morumbi jamais será o mesmo e Rogério merece todos os tipos de honraria, e após viver anos de decadência junto com o clube nos últimos anos, o Ceni ainda levou o time para a próxima Taça Libertadores, a primeira do São Paulo sem o goleiro. Só nos resta agradecer a Rogério e torcer para que outros goleiros se inspirem no craque e consigam pelo menos ser metade do que ele um dia foi, obrigado 01!

O espetacular adeus de Rogério Ceni ao futebol. (Divulgação)