domingo, 15 de novembro de 2015

UFC 193: Nunca é tarde para uma nova zebra.


O esporte adora brincar com o sentimento dos seus seguidores, pois mexe com os extremos entre a alegria e a tristeza; o corriqueiro e o inédito; o começo e o fim; a previsibilidade e a surpresa. Esse último com um cuidado especial, já que sempre põe os verdadeiros melhores momentos, ou os novos fatos históricos em evidência. As surpresas elas têm seus níveis de diferença, pois em qualquer disputa há um favorito, e quando ele é derrotado, a surpresa é confirmada. E 2015 foi um ano repleto de surpresas dentro do octógono mais famoso do mundo.
A pesagem já foi bem animosa. (thenewdaily.com)

Werdum e Dos Anjos e os cinturões de campeão.
(Dentro do Octógono)
Até ontem, nós tínhamos três novos campeões em 2015 e um interino. Dos três, dois eram considerados zebras absolutas, e chocaram o mundo do MMA com performances dominantes. Primeiro foi total azarão Rafael dos Anjos em um duelo contra Anthony Pettis mais parecido com um sparring! A luta foi um monólogo, surrando o americano por cinco rounds e o brasileiro saiu como o nosso primeiro campeão dos pesos Leves da história do UFC. Após toda polêmica envolvendo Jon Jones, Daniel Cormier foi convidado para disputar o título que ficou sem dono contra Anthony Johnson. Particularmente, não considero DC uma zebra, principalmente quando estaria lutando com um cara de feitos de menor destaque. Por fim, Fabrício Werdum viajou até o México mais uma vez para não ter mais o cinturão interino em mãos, uma vez que o brasileiro derrotou o mega favorito Cain Velasquez, "Vai Cavalo" teve uma das preparações mais completas na história do evento, casando com uma estratégia perfeita, fazendo com que o Gaúcho levasse o título. Tanto Dos Anjos como Werdum eram zebras, mas surpreenderam todo mundo e hoje são os campeões de sua categoria. 

As categorias femininas do UFC estão em ascensão, ganhando popularidade e realizando eventos principais. Mas é preciso deixar claro que o MMA Feminino começou a ganhar espaço de verdade há pouco tempo, o nível de algumas atletas pode ser considerada ainda um pouco abaixo de um padrão profissional. Óbvio que existem inúmeras explicações para isso, desde falta de incentivo até preconceito, nunca é demais lembrar que o próprio Dana White era um crítico ferrenho dos eventos que possuíam lutas com mulheres e rechaçava a ideia no UFC. Como o mundo dá voltas, não é? Hoje, talvez, Ronda Rousey seja a atleta mais popular da franquia, em uma categoria existente para ela brilhar.

Mas os planos nem sempre saem como o previsto. Aliás, o começo de toda essa história dá um caráter ainda mais surpreendente no fim. Visto quando foi anunciado que Holly Holm enfrentaria Rousey, uma chuva de críticas na imprensa do mundo das lutas surgiu, e eram justas, já que Holm apesar de invicta não tinha convencido. E tampouco fez muito barulho na mídia como fez Bethe Correia. Por fim, a principal rival de Ronda, Miesha Tate, vem numa série invicta e traz com ela todos os ingredientes para uma super promoção. Tudo fez ainda menos sentido quando foi divulgado que a luta seria realizada em um estádio, colocando à venda um número recorde de ingressos. O fenômeno Ronda Rousey existe e o UFC provou isso a todo mundo, o que é ótimo, pois mostra o quanto o tamanho da força do MMA Feminino. 

E quando as grades fecharam, um furacão passou por cima de Ronda. Rowdy é quarto dan de judô e medalhista olímpica, porém, ela vem provando uma evolução inquestionável como lutadora de MMA. Tendo conseguido alguns nocautes e terminando suas lutas de maneira muito rápida. Se somarmos as últimas quatro vitórias de Ronda, o tempo total dos combates dá 2'10", isso é assustador. Entretanto, a autoconfiança elevada e uma estratégia mal elaborada pode terminar legados. Holm é campeã mundial de boxe, com um cartel de 33-2, da mesma forma que medir habilidade do chão com Ronda é suicídio, trocar socos com Holm é uma das piores decisões que alguém pode tomar. Ronda se colocou nessa situação, achou que já possuía habilidades suficientes em todas as áreas da luta para se manter como campeã e propor mais espetáculos, fazendo seu nome ainda mais popular. Mas "A filha do Pastor" mostrou que ela estava errada.

A verdade é que o combate foi um massacre. Holm encontrou a distância, castigou Ronda e se movimentou de maneira brilhante, parecendo Machida em seus tempos áureos. Os golpes foram encaixando e Ronda perdendo a paciência. Foi assim durante todo o primeiro round, era o momento ideal para o treinador ordenar "olha, leva pro chão e faz teu nome, não vamos nos arriscar". De fato Rowdy foi para o chão, mas foi devido um chute plástico após ter dado as costas para a oponente e mais dois socos para por um ponto final. Sim, a categoria feminina dos pesos Galos tem uma nova dona, para o desespero de Dana White.
A então campeã invicta caiu! (Edição: Tribuna do Cisco)
A grande dúvida que tenho é até onde o UFC ou a mídia em geral vai conseguir esconder a personalidade difícil de Ronda. Ela não gostou da atitude de Holm na pesagem, proporcionou um piti digno de Márcia Goldschmidt, no fim nada justifica não tocar as luvas no começo da batalha, e não foi a primeira vez que Ronda fez isso. Após ser nocauteada, não ficou para nenhuma entrevista, foi direto para o camarim e não se justificou. A arrogância e prepotência de Ronda Rousey lembra muito uma situação de outro ex-campeão do UFC de apelido aracnídeo, como se faltasse uma carisma natural.

Dana White já falou que uma revanche imediata é justa. E é verdade, ninguém foi párea para Ronda e tudo pode acontecer em uma luta. Nos bastidores, é óbvio que Ronda não ser campeã é desinteressante para as finanças do UFC, pois ela é o cartão de referências da categoria feminina, o que os americanos chamam de "Box Office". Pessoalmente, acho Rowdy uma atleta mais completa que Holm, mas isso só será tirado à prova no próximo duelo, Até lá, Holm é a grande campeã! 

E vivam as Zebras! 
(awf.org)