domingo, 22 de novembro de 2015

Os sete tentos do eterno

Uma semana após a despedida de um dos seus maiores ídolos, o Real Madrid novamente foi engolido pelo Barcelona, o clube da capital não consegue render, com a exceção da perfeição na Era Ancelotti, são várias temporadas de soberania do Barcelona e até mesmo título do Atlético. As derrotas nos clássicos e o péssimo desempenho nos jogos nos remete a tempos passados, quando o Real era o clube mais temido do futebol, no faz lembrar Raúl. O atacante se despediu do futebol fora dos holofotes da grande mídia, campeão da segunda liga dos Estados Unidos, projetando o resgate do New York Cosmos, mas os feitos do ídolo máximo jamais poderão ser esquecidos, um camisa 7 com faro de gol de camisa 9, liderança de um camisa 1 e classe de um camisa 10. Os sete tentos do eterno elencam um pouco da história do craque espanhol em sete atos, fique conosco e reviva a carreira de um dos maiores atacantes do final dos anos 1990 e início do novo milênio, viva Raúl!
Gigante do fim ao início, Raúl e sua carreira fantástica. (Youtube.com)
1. Das canteiras de Madri nasce o ídolo

A história de Raúl retrata bem a infância de boa parte da classe dos atletas de futebol, vindo de uma família humilde, o atacante se apegou ao esporte para poder ascender financeiramente. Jovem e talentoso, Raúl passou por San Cristóbal e Atlético de Madrid antes de chegar a base merengue, isso mesmo, um dos maiores ídolos do Real tentou sorte no maior rival da cidade, mas aos quinze anos, o garoto trocou de lado para nunca mais jogar em outro clube em solo espanhol. O nascimento do ídolo aconteceu em 1994, com dezessete anos, Raúl entrou em campo pela primeira vez como profissional, vestiu a camisa como poucos, foi o jogador mais jovem a vestir a tradição merengue... E rendeu na mesma temporada, veio a primeira conquista de La Liga.

2. Campeão de tudo

A primeira conquista nacional foi espetacular, Raúl com tão pouca idade conseguiu um inédito feito, os jornais estampavam o surgimento de um jogador diferente, enquanto o resto do mundo esperava pela afirmação, essa veio com muitos títulos. Raúl participou de nada mais nada menos do que de seis campanhas de conquista de Campeonato Espanhol, de quatro Super Copas do Rei, de duas Copas do Mundo de Clubes da FIFA, uma Copa da UEFA (atual Liga Europa) e, é claro, conquistou três vezes o torneio de futebol mais importante do planeta. Raúl levou o Real a três conquistas de UEFA Champions League, foram dezesseis anos no time profissional do Real Madrid, somou dezessete trofeus.

3. Maior artilheiro da história merengue

Raúl começou sua carreira em Madri surpreendendo, o garoto de dezessete anos marcou impressionantes dezesseis gols em sete jogos, explodiu! Aumentando sua marca a cada temporada, o camisa 7 caiu nas graças da torcida, marcou gols importantes, incluindo em duas finais de Liga dos Campeões, também na final do Mundial de Clubes contra o Vasco da Gama, sem falar das vitórias nos clássicos contra o Barcelona (é bem verdade que o Barcelona não vivia boas épocas). O fato é que em dezesseis anos pelo Real Madrid, Raúl anotou 323 gols, se tornou o maior artilheiro da história do maior clube da história do futebol, foi soberano em títulos e em gols. Além disso, o espanhol também era o maior artilheiro da história da Liga dos Campeões, foi ultrapassado no ano passado por Messi e Cristiano Ronaldo, Raúl permanece com 71 tentos.
*Recentemente Cristiano Ronaldo ultrapassou Raúl, o português é caso a parte.

4. O adeus a Madri

Foram anos de muito sucesso, Raúl sempre foi querido em Madri, junto a Casillas, era um dos símbolos sagrados do Santiago Bernabéu, mas o tempo passou, Florentino retornou a presidência do clube e queria reformular o elenco, formar novos galácticos e resgatar épocas de glórias. Veio Kaká e Cristiano Ronaldo, o português inclusive desejava a camisa 7, já era mais badalado e apenas uma temporada foi necessário para que a chegada da tentativa de novos galácticos acabasse com o reinado do capitão e ídolo máximo do Real, Raúl partiu contra a vontade da torcida, é aclamado até hoje.

5.  O sucesso em Gelsenkirchen

Títulos e gols em dois anos em Gelsenkirchen.
(FC Schalke 04)
Em julho de 2010, Raúl jamais imaginou que deixaria o seu clube do coração, mal sabia ele que a ingratidão de Florentino atinge até o maior dos ídolos merengues. Coube ao atacante buscar novos ares, escondido dos grandes holofotes, Raúl foi se aventurar em Gelsenkirchen, a tradição do Schalke 04 nunca havia rendido muitos títulos, o clube do “quase” deu um importante passo em sua história ao contratar um novo camisa 7. Na Alemanha Raúl foi bem feliz, marcou ainda mais gols decisivos, eliminou Bayern da Copa da Alemanha, conquistou a Copa da Alemanha que não vinha há tempos e ainda colocou os Azuis Reais entre os quatro melhores clubes da Europa, eliminando a atual campeã Internazionale e só parando no Manchester United, na semifinal. Contudo Raúl notava que o tempo não seria tão longo para ele prosseguir sua campanha com o Schalke, com apenas duas temporadas de sucesso na Veltins Arena, o atacante partiu para os ritos finais de sua carreira.

6. Amor e fúria na Fúria

Líder também na Roja, Raúl viveu
 desconfiança. (Divulgação)
Raúl teve um excelente retrospecto pela Seleção espanhola, era o maior artilheiro da Roja até chegar um homem chamado David Villa e o substituir à altura. Todavia Raúl sempre viveu uma relação de amor e ódio na Espanha, sem dúvidas ele era o grande líder da equipe, o grande problema foi que sua geração jamais conseguiu conquistar um título, nem nas Copas de 2002 e 2006, quando a Fúria era forte candidata à conquista. Em 2008 a paciência de Aragonés acabou e sobrou para Raúl, o atacante deixou de ser convocado, o maior jogador da equipe foi deixado de lado e, por incrível que pareça, o sucesso de títulos da seleção começou, duas Eurocopas e tão almejada Copa do Mundo vieram, Raúl ficou para trás. O inusitado é que a carreira de Raúl na Espanha foi completamente o oposto na Seleção, em ambos ele jogou bem, mas só no clube ele conseguiu ser decisivo e amado, uma relação de múltiplos sentimentos.

7. Adeus em Nova Iorque e projetos futuros

Raúl se aposentaria no Al-Sadd no final de 2014, mas mudou-se para Nova Iorque e se apaixonou pelo projeto do clube que ficou famoso por ter disfrutado do talento de Pelé. O camisa 7 decidiu se dedicar ao clube, participar de jogos, entender e estudar como se mantém um clube, dos bastidores a participação dos jogos dentro de campo (isso ele já conhecia bem). A temporada foi excelente, fechou a carreira com chave de ouro, campeão da NASL, quase que no anonimato, algo que Raúl sempre gostou, ainda assim ele ajudou a projetar o New York Cosmos que ingressará a MLS daqui a alguns anos. A tendência é que Raúl siga a vida nos Estados Unidos, trabalhando no próprio Cosmos, a carreira do espanhol é o reverso de muitos craques, de idolatrado ao quase que completa discrição, foi o fim do futebol do maior atacante da história do futebol espanhol e também do maior clube de todos os tempos, o adeus do Raúl Madrid.
Campeão até da segunda liga estadunidense, o último ato do camisa 7. (Reuters)