quarta-feira, 23 de setembro de 2015

Por que Claudio Bravo virou reserva do Barcelona?

Quando Victor Valdés anunciou que deixaria Barcelona, existia muita expectativa de torcedores e amigos do futebol sobre quem ocuparia o posto que o goleiro catalão ocupava há mais de dez anos. Eis que o Barça optou por trazer dois goleiros de ponta para disputar a vaga de titular, Claudio Bravo foi o primeiro, 32 anos, experiente e vivendo o auge de sua carreira. A segunda aposta foi Marc-André Ter Stegen, um jovem goleiro alemão que possuía apenas 22 anos, é um fenômeno com tão pouca idade.
Protagonista da melhor defesa da história de La Liga, Claudio Bravo ainda não estreou na nova temporada. (Getty Images)
Com muita competência, o técnico Luis Enrique preferiu por fazer um rodízio, Bravo seria o titular durante toda a Liga Espanhola, enquanto Stegen assumiria a condição de titular na Liga dos Campeões e na Copa do Rei. O resultado foi esplendoroso, o time conquistou a tríplice coroa, com atuações antológicas de ambos os goleiros, mostrando que existia vida após a era Valdés. Contudo o feito de Bravo foi ainda maior, o goleiro chileno tomou apenas 21 gols em 38 jogos, a defesa menos vazada da história do Campeonato Espanhol.

Mesmo com tudo que foi conquistado (Bravo ainda foi campeão da Copa América pelo Chile), Luis Enrique começou a temporada 2015/2016 mais decidido do que nunca e, ao invés de optar pela experiência e qualidade de sempre de Bravo, colocou Ter Stegen como titular em todas as competições e as oscilações estão comprometendo os catalães. É bem verdade que a culpa não é só do alemão, a defesa em geral tem pecado em lances bobos, Daniel Alves não tem conseguido acompanhar, Alba está machucado, mas ataque melhor do que defende, Piqué oscila e Mascherano as vezes dá mostras que quer ser volante.

Problemas defensivos à parte, por que Luis Enrique desistiu de colocar Bravo como titular? Por que o chileno não teve a oportunidade de disputar a Liga dos Campeões ou a Copa do Rei? Por que ele perdeu o prestígio após conseguir um feito histórico? Ninguém sabe as respostas ao certo, mas um dos motivos é quase que evidente e o maior rival do Barcelona tem a resposta. Recentemente, o Real Madrid vendeu Casillas para o Porto e contratou Kiko Casilla, espanhol de Alcover, além dele, o clube de Madri fez de tudo para trocar o costarriquenho Keylor Navas pelo espanhol de Madri David De Gea. Sem êxito, Florentino Pérez foi duramente criticado por praticar de preconceito contra um goleiro da América Central.

Florenzi surpreendeu Stegen, que sofreu mais
 um gol do meio de campo. (Reuters)
Em Barcelona talvez o preconceito seja ainda maior, os conflitos políticos pela separação da Catalunha não entra na disputa pela meta do time que é mais que um clube, mas o etnocentrismo e opção pelo europeu estão mais do que evidentes. Bravo é mais goleiro, é mais experiente e quase nunca oscila, em qualquer outro clube o chileno seria titular. Além disso, as falhas individuais de Stegen já eram para ser mais destacadas ou pelo menos lembradas, o alemão conseguiu sofrer dois gols do meio de campo em um intervalo de apenas 2 meses. Com o camisa 1 no gol, o Barcelona sofre mais gols e entra em campo mais vulnerável, destacando também que o alemão é um bom goleiro, mas ainda não está no nível de Claudio Bravo.

Não tem como prever o que acontecerá com o atual campeão de tudo, mas é notável a fragilidade defensiva do Barcelona no início de temporada e o goleiro também tem culpa no cartório. As respostas estão com Luis Enrique, resta o tempo passar para ele tomar partido ou pelo menos explicar a opção pela falta de experiência.