quarta-feira, 12 de agosto de 2015

Raio-x Ligue 1 2015/2016

A cada ano mais forte, a Ligue 1 tem mostrado na janela de transferências que pode sim ser refúgio para vários bons atletas, se equiparando de vez com o futebol italiano. É bem verdade que a ascensão financeira do Paris Saint-Germain fortaleceu demais a força da liga nacional, mas clubes medianos cresceram e virão com bastante empolgação para a disputa de mais uma temporada.
Ligue 1 para o Paris e coadjuvantes em campeonato à parte, eis a temporada 2015/2016. (Tribuna do Cisco)

Não há como separar os concorrentes como nas demais ligas, o exemplo claro para provar o que escrevo aconteceu na temporada passada, o PSG não obteve um grande desempenho, apesar de tudo, o time acordou no final e faturou com folga a Ligue 1, as duas copas e a Super Copa. Laurent Blanc venceu tudo o que disputou em solo francês, com a equipe reforçada, os parisienses não deverão ter maiores dificuldades para novamente dominar a França.

Faminto como sempre, o time da capital contratou bons jogadores e inflacionou a janela com apenas uma figura, vieram Kevin Trapp (goleiro) e Benjamin Stambouli (volante), mas quem chamou atenção foi Ángel Di María. Estava claro que argentino e clube se apaixonaram desde a temporada passada, o Manchester United serviu apenas de trampolim para o meia reencontrar seu coração e novamente ganhar motivação para jogar futebol, tem tudo para ser o casamento perfeito, ajudando no ambicioso projeto parisiense.

O Paris deve apresentar uma boa evolução na temporada, após sucessão de fracassos na Liga dos Campeões, o time vai ganhando corpo e as jovens apostas vão começando a chamar responsabilidade, sim, estou falando de Lucas. O camisa 7 não quer deixar o time titular, por isso corre atrás para não ser o escolhido por Blanc para dar vaga a Di María. Armação de jogo não vai faltar, Pastore vive seu auge e o talento argentino será somado pelo craque campeão da Europa.

O argentino para armar jogadas no PSG,
eu não falo de Pastore. (PSG Oficial)
Ibrahimovic e Cavani seguem no comando de ataque, um não pode atrapalhar o outro, mas é bem complicado que a dupla consiga se entender perfeitamente, as temporadas de experiências não condizem com o nome de ambos. O Paris virá forte e não é só favorito, vencerá a Ligue 1 com bastante folga, o desafio para o gigante francês será mesmo a disputa na Liga dos Campeões da Europa. Mesmo não conseguindo chegar as semifinais, o time tem tido um desempenho bem respeitável, tem feito mais do que, por exemplo, o Manchester City (clube rico que também ambiciona o títuto continental).

Se tratando de segunda força, não há dúvidas de que o Lyon foi e é o time que deu conta de correr atrás do PSG com mais eficiência, o time foi vice-campeão francês e ainda conseguiu manter sua principal estrela. Alexandre Lacazette, 24 anos e dezenas de gols, o atacante foi bastante cobiçado, mas renovou contrato e vai seguir no Lyon na temporada que marca a volta do heptacampeão a Liga dos Campeões.

Além do ótimo atacante, o Lyon foi ao mercado e trouxe dois bons jogadores, o primeiro foi o jovem lateral direito brasileiro Rafael, o atleta estava sem espaço no United e terá uma boa chance na França, foi bom para ambos. E o principal dos reforços veio da Rússia, mas é francês, Mathieu Valbuena passou apenas uma temporada no Dínamo e defenderá o Lyon em sua volta a terra natal, o baixinho é excelente e certamente ajudará o clube a reencontrar os caminhos de glórias... Ou pelo menos de vaga na Liga da UEFA.

Projetando crescer junto aos ensinamentos de um velho louco, o Olympique se decepcionou com a sua maior aposta, com apenas uma rodada da temporada 2015/2016, Marcelo Bielsa pediu o boné e deixou o clube mais popular da França sem técnico. As contratações já não haviam sido lá essas coisas, apostar em Abou Diaby é quase que maluquice, bem, El Loco é assim e quem sabe não foi estratégia dele montar um time fraco e fugir enquanto havia tempo. Se ano passado o Marseille era mediano, hoje ele é fraco e dificilmente conseguirá dar conta de uma temporada recheada de partidas, o projeto terá de ser repensado, mas primeiro é necessário um técnico.

Novo milionário em 2013, o Monaco cortou os gastos em 2014 e mesmo assim conseguiu fazer uma temporada brilhante, foi a prova clara de que apostou no profissional certo (diferente do Olympique) para caminhar junto ao clube. Leonardo Jardim já tinha recolocado o Sporting no lugar em que o clube merecia estar e no Monaco não foi diferente, terceiro lugar na Ligue 1 e vaga entre os oito melhores clubes da Europa, só caiu para a Juventus, desempenho fantástico.

Faraó se torna Monegasco para
reencontrar o futebol. (Monaco Oficial)
Os jogadores de grife saíram, mas foi com a força do trabalho que o clube do Principado cresceu tecnicamente falando, e vai ser assim que seguirá trabalhando. O português Jardim costuma acertar em suas contratações, foi o caso de Aymen Abdennour, o zagueiro já é um dos pilares do time e provavelmente chegará a um gigante europeu. A experiência de João Moutinho, Jérémy Toulalan e Ricardo Carvalho foi mantida e ainda viu a grande contratação de Stephan El Shaarawy, o Faraó necessita de sequência de jogos para poder render o esperado. É um bom garoto que acabou ficando grande demais para o Milan, de repente caiu com o time e precisa de menos holofote para voltar a crescer, tem talento! O Monaco hoje é a terceira força da França, podendo brigar com o Lyon pelo vice-campeonato nacional, mas está a frente do Olympique, do Bordeaux, do Lille, é com essa visão que Leonardo Jardim quer surpreender os críticos, com a força do trabalho e apostando nos jogadores certos, pode dar o que falar!

A Ligue 1 cresce a cada temporada, os times estão ainda melhores e o PSG é o principal responsável por isso ter acontecido, a França precisava de um time competitivo, um clube que brigasse com os gigantes de outros países para poder crescer. O grande problema nisso é a disparidade do Paris com os demais clubes, algo semelhante ao Bayern na Alemanha, além disso, o crescimento do clube da capital não favorece em nada a seleção nacional, afinal o time não contrata muitos jogadores franceses, cada vez mais se internacionalizando, são os males do progresso. Contudo a bola na França tem tudo para ser muito bem jogada, teremos boas disputas por vagas na Liga dos Campeões, Liga Europa e brigas nas copas, no geral, o time de Laurent Blanc ficará com tudo ou quase tudo.

Palpite: Paris Saint-Germain.