domingo, 5 de julho de 2015

Sucesso de público, futebol feminino está consolidado assim como o desempenho estadunidense

Chegou ao fim mais uma edição da Copa do Mundo de Futebol Feminino, o Canadá sediou momentos maravilhosos, jogos para lá de emocionantes, sucessos e fracassos, o tri dos Estados Unidos e uma queda estrutural do futebol brasileiro. Além de todo o brilhantismo já relatado, os canadenses estão de parabéns, o sucesso de público ficou evidente. Arenas lotadas, o país parou e deu retorno ao bom futebol das meninas, o esporte está consolidado e o Canadá certamente foi um divisor de águas que confirmam o êxito da Copa do Mundo organizada pela FIFA.
Assustam! Estados Unidos chegam ao tri com muita autoridade e talento. (FIFA Facebook)

Sobre as estadunidenses, não há como negar, são a grande referência e potência do futebol feminino no planeta, elas sempre chegam fortes e apresentam caras novas que sucedem as estrelas do passado recente. A equipe aprendeu com as cicatrizes construídas no último Mundial, se fortaleceu e se aproveitou das verdadeiras escolas de futebol que o país oferece, é visível a rotação no elenco durante toda a Copa do Mundo e mesmo nos momentos de dificuldades (como no duelo contra a Suécia na fase de grupos), o time foi maduro e mesclou juventude e experiência, segurou o empate.

A técnica Jillian Ellis relembrou os ótimos momentos de Pia Sundhage e fez ainda melhor, os Estados Unidos, na fase de mata-mata, sobrou e não deu chances para ninguém. A prova do desempenho espetacular foi o duelo semifinal contra a Alemanha, era a final antecipada e as americanas mostraram porque possuem três Copas do Mundo e quatro Jogos Olímpicos. Vimos talento em todos os setores, Hope Solo se adaptou muito fácil ao gol, isso a diferencia das demais goleiras do futebol feminino, apenas a alemã Nadine Angerer se equipara a número 1 dos Estados Unidos.

Público não decepcionou no Canadá. (FIFA Facebook)
Seguindo temos uma já citada mescla de juventude e experiência, Abby Wambach é a eterna capitã e líder da equipe, mas no Mundial do Canadá foi apenas coadjuvante, abrindo espaço para a provável melhor jogadora do planeta. A espetacular Carli Lloyd teve um desempenho destacável na Copa do Mundo, sendo eleita a melhor jogadora do campeonato e ficando em segundo lugar na artilharia, destacando ainda o hat-trick na grande decisão, a primeira mulher a conseguir tamanho feito em uma final de campeonato (eu não me recordo de nenhum atleta do futebol em geral conseguir marcar três vezes em final de campeonato), o terceiro e último gol foi digno de Prêmio Puskas.

Alex Morgan, Rapinoe e Holiday também merecem a menção, todavia o conjunto completo forma uma obra-prima do melhor do futebol feminino. Temos muito a aprender com as estadunidenses na questão de desenvolvimento dos novos talentos, novas Martas surgem, mas não possuem espaço para capacitar seu futebol, já em relação a questão estádio, devemos aplaudir de pé o Canadá, é neles que temos que se inspirar. A Copa do Mundo foi um sucesso e provavelmente teremos jogos maravilhosos nas Olimpíadas do Rio de Janeiro no ano que vem, o grande “problema” tem sido a disparidade e afirmação das potências, Estados Unidos, Japão e Alemanha sempre vão chegar e será cada vez mais difícil para os outros países jogarem de igual para igual contra as grandes escolas do futebol feminino.

Copa do Mundo de Futebol Feminino Canadá 2015 (Destaques)

Craque do Campeonato: Carli Lloyd – Dispensa comentários.

Melhor Equipe: Estados Unidos – Conquistou a Copa do Mundo em 1991, 1999 e 2015

Surpreendeu: Inglaterra – Foi forte, apresentou um futebol muito consistente e por muito pouco não chegou a final, o castigo contra o Japão foi superado com a boa vitória sobre a Alemanha na disputa do terceiro lugar, a Inglaterra deve crescer.

Decepcionou: Brasil – Não, as meninas não foram culpadas pela eliminação nas oitavas de final, não faltou talento, o que faltou foi investimento da Confederação e dos clubes. Apesar disso, o país sempre brigava num patamar mais alto, ficou devendo no Canadá.