quinta-feira, 5 de fevereiro de 2015

Até o Aranha se enrolou na teia em que o UFC se encontra.



Até a terça-feira (02/03), o UFC 183 estava sendo lembrado em sua maioria de duas formas: primeiro como o dia em em que Anderson Silva voltou ao octógono; segundo por conta da luta ridícula dele e Nick Diaz. Eu defendo abertamente a primeira versão, não estou afirmando que foi um espetáculo de se assistir, como Anderson fez durante seus anos de UFC, mas porque muita coisa estava envolvida por trás disso e que arguiremos durante este texto. Só que, infelizmente, este deixou de ser o foco do retorno do Spider.
Um reclamando do doping do outro. (Superlutas.com.br)
A cronologia do pós-evento seguiu esta ordem: críticas da luta, valores do faturamento e notícias sobre o caso de doping. A luta é simples de comentar, todos esperavam um espetáculo da Broadway e viram uma apresentação de teatro de alunos de ensino médio de uma escola. Na minha página pessoal, comentei que eu considerei o retorno dele por si uma grande vitória. Anderson tem 39 anos, teve a pior lesão da sua carreira com 37 e passou um ano todo se recuperando. No texto que antecedeu sua luta, eu expliquei que o foco dele não estava claro e sua multipolaridade na imprensa piorava a entendermos qual era o objetivo desde Anderson Silva. Então, depois de cinco rounds choveram críticas do tipo “ficamos acordados até 03h30min da manhã para ver isso?”. Okay, repito, foi uma luta fraca, mas você já parou para pensar que ele passou semanas em um hospital, meses de fisioterapia e outros meses se preparando para entrar naquele octógono de novo? Se sim, temos entendimentos distintos sobre como o ser humano reage a tal sofrimento.

Se preocupou em fazer graça e não lutar. (Dailymail)
Nick Diaz também estava há muito tempo sem lutar e teve uma postura muito surpreendente até a realização da luta, pareceu muito tranquilo constantemente. Conhecido por um trashtalk agressivo e a postura de um verdadeiro bad-boy, Diaz praticamente só deixou para fazer isso quando as portas das grades foram fechadas. Diaz provocou Silva durante os cinco rounds e fez uma luta também muito aquém do esperado, chegando ao ponto de deitar no chão esperando que Anderson fosse ao seu encontro. Só foi engraçado o fato de ele ter ficado desapontado com o resultado do combate. O que será que passou pela cabeça dele, o critério palhaçada teria um peso maior na decisão dos juízes?

Se dentro do octógono o resultado não foi o esperado, as cifras de dólares tiveram um grande destaque, para todos os lados. O UFC 183 foi o décimo segundo evento que mais faturou na história da franquia com aproximadamente 4,5 milhões de dólares. A luta entre Miesha Tate e Sara McMann foi a mais vista na história do card preliminar com quase dois milhões de espectadores (Nos EUA, o card preliminar é exibido na TV aberta com propagandas constantes do Pay-Per-View). No Brasil os números não foram diferentes, foi visto que 60% dos televisores que estavam ligados durante a reprise da luta, sintonizaram a globo. E por fim, Anderson Silva faturou mais de 800 mil dólares só de bolsa e bônus, sem contar patrocínio e parcela na venda dos PPV.

As lágrimas de Anderson foram o ápice da transmissão. (Getty Images)
Mas infelizmente não nos limitaremos ao evento e seus números, pela segunda vez no acannabis. Mas existe um limite e ele ultrapassou mais uma vez. Resumindo, Nick Diaz ser pego por uso de maconha é tão comum quanto os homens fazerem xixi em pé. Os astros do evento foram pegos no exame antidoping, primeiro Nick Diaz que acusou uso de maconha, esta é a terceira vez que isto acontece com Nick. Segundo seus treinadores, ele tem um problema de déficit de atenção e seu medicamento usa a substância.

O UFC já garantiu AS no TUF Brasil 4. (Sportv)
O caso de Anderson foi um pouco mais grave. O exame apontou o uso de duas substâncias, drostanolona e androsterona. Explicando rapidamente, uma serve mais na queima de gordura e a outra na potência muscular. Por ser a primeira vez, Anderson deve tomar uma punição próxima a nove meses de duração, que é a média entre as suspensões aplicadas. Anderson já afirmou que vai recorrer e provar que não utilizou nenhum tipo de esteroides. É um direito dele e vamos esperar o resultado do processo. Especularam que ele poderia ser excluído da quarta temporada do TUF Brasil, em que será o treinador junto com Shogun, devido toda esta polêmica. O UFC já rechaçou esta possibilidade e o Spider está confirmado.

Por enquanto, tudo normal. O grande problema é a data de quando o teste foi realizado, dia 9 de janeiro. Ou seja, o laboratório que prestou serviços para a Comissão Atlética de Nevada, a NSAC, demorou mais de três semanas para divulgar os resultados dos testes de sangue surpresa em Anderson Silva. Vou repetir, três semanas! Recentemente tivemos o caso de Chael Sonnen que lutaria contra Vitor Belfort e também falhou só que o resultado não demorou nem duas semanas. No caso de Alistair Overeem a eficiência foi ainda maior, com exatos sete dias soubemos que seus níveis de testosterona estavam estratosféricos. Estes exames surpresas passaram a ser rotina no UFC, não apenas os de urina coletados após os combates. O UFC já informou que não tinha conhecimento do ocorrido, por isso a luta não foi cancelada. Entretanto, fica difícil acreditar quando a organização apresenta uma postura negligente em ficar esperando os resultados das grandes lutas e deixar a bomba estourar só após o bolso ficar cheio.

Muitas peças para juntar neste quebra-cabeça. (fightclub.com)
Eu acho que estes exames surpresas geram um debate muito maior no esporte. Ou começa a ter um controle rígido e eficiente, não apenas por diminuir os casos de doping, mas para evitar que a luta pare de ficar em segundo plano quando os resultados das amostras de sangue vêm a público, ou comecem a estudar a possibilidade de ser mais flexível com algumas substâncias ou tratamentos, como já ocorreu anteriormente. Antes de tudo, eu gostaria de informar que não concordo com a segunda sugestão, mas explico o porquê de mencioná-la. Primeiro, existe um grande mito dentro do esporte que conta-se nos dedos os lutadores que estão realmente limpos e não fazem prática destas substâncias, ou seja, há um alto risco de casos como o de Jones e Anderson Silva se torne muito frequente durante os próximos anos. Segundo, mediante esta situação, é muito chato para o esporte como um todo, que seus holofotes fiquem destinados a questões burocráticas e não pelas exibições fantásticas que tiraram o MMA do mundo underground dos esportes.

A conclusão de tudo isso é que Dana White, os irmãos Fertitta’s e sua equipe de executivos vão ter um desafio muito maior do que o imaginado em 2015. Depois de um 2014 em que teve uma queda de 40% do seu faturamento, tudo indicava que os números seriam mais agradáveis em 2015 principalmente após um janeiro bastante promissor. Só que a credibilidade da franquia sofreu um tremendo baque e reconstruí-la será muito mais complicado, lembrando que fevereiro não será um mês de muita mídia após o adiamento do duelo de Chris Weidman e Vitor Belfort. Como fã do esporte, esperamos que voltemos a colocar os nocautes e as finalizações nas manchetes dos nossos textos.