terça-feira, 22 de julho de 2014

O erro foi demitir Dunga, que também errou ao convocar o time mais velho da Copa da África

Após a “tacada de mestre” de Marin e Del Nero ao convidar Gilmar Rinaldi para ser coordenador técnico, os mandatários da CBF confirmaram o retorno de Dunga ao comando da maior seleção da história do futebol. Dunga, o capitão do tetra que viveu altos e baixos na sua primeira passagem e não evoluiu nada como técnico de clubes, tendo trabalhado apenas uma vez comandando o Internacional de Porto Alegra, sendo assim, não tem como nós termos esperanças no futuro do nosso futebol ou levar a sério a Confederação Brasileira de Futebol. Entretanto, eu sou mais que um que defendeu a continuidade do jovem técnico após o Mundial da África, coisa que Ricardo Teixeira não tratou de fazer e anunciou a dispensa em programa de televisão, mais um motivo para não levarmos a sério a CBF.
Dunga conversa com José Maria Marin, o discurso de imediatismo prevaleceu! (André Durão/Tribuna do Cisco)
Pois bem, acho que o grande erro da CBF foi demitir Dunga, o cara fazia um trabalho aceitável, ganhou títulos e sofreu alguns baques, baques necessários que qualquer treinador de futebol passa, o discurso de imediatismo e a pressão de boa parte da imprensa fizeram com que Teixeira nem pensasse em agir no futebol, afinal de contas, Ricardo Teixeira nem de futebol entende. Contudo, Dunga também teve seus pecados, um deles foi priorizar demais os Jogos Olímpicos de Pequim, se o gaúcho tivesse aberto mão de ser o técnico na China em 2008, ele jamais teria levado essa culpa, erro crasso que Mano Menezes tratou de cometer nos Jogos de Londres em 2012.

Engana-se quem acha que Dunga errou ao levar Grafite e Júlio Baptista para o Mundial, primeiro porque Grafite foi o melhor jogador do futebol alemão da Bundesliga na espetacular campanha do Wolfsburg no inédito título nacional. Além do mais, Adriano “O Imperador” já dava sinais de que abriria mão da carreira para priorizar festas, o atacante não merecia nem estar no Flamengo naquela época, já Júlio Baptista era um dos homens de confiança de Dunga, foi importante nas Eliminatórias e marcou o gol do título contra a Argentina na Copa América 2007 na Venezuela, além do mais, Baptista era um jogador multifuncional e ainda contava com um ótimo vigor físico, velocidade e faro de gol. Apesar disso, acho que o maior pecado de Dunga foi sim na convocação... Na convocação daquela que foi a seleção mais velha da Copa da África, Ramires era o único jogador com menos de 25 anos, o meia tinha 23 e era um atleta muito melhor do que hoje em dia. Outro erro na convocação foi queimar a carreira de Michel Bastos, o gaúcho brilhou no Lille e jogava no Lyon como ponta direita ou esquerda, Dunga o escalou como lateral esquerdo, uma ótima saída para os adversários naquela competição.

Um outro fator que culminou no fracasso do “Dunguismo” naquele torneio foi a lesão daquele que era o melhor jogador na campanha até então, Elano se machucou graças a um estilo de jogo criminoso do time da Costa do Marfim, ninguém foi punido e muitas seleções adotaram esse estilo no Mundial de 2014, a Copa que ainda está na memória de muitos. Um dos destaques na campanha do penta, Kléberson foi convocado apenas pela experiência, primeiro porque o meia nem foi titular nem importante no título brasileiro pelo Flamengo em 2009, segundo porque ele já não tinha mais a sede e velocidade para outra Copa, existiam opções muito melhores que o pentacampeão e eu tenho convicção que não eram Neymar e Ganso.

Com um aproveitamento de 76,6%, dois títulos e dois fracassos (embora eu nem conte como fracasso os Jogos Olímpicos, afinal de contas, estamos falando de um torneio que não vale nada), a época de Dunga passou e definitivamente não era o momento dele volta, ele nem merecia a segunda chance, chance que Júlio César teve e Felipe Mello não teve, existem técnicos melhores até mesmo aqui no Brasil, embora eu quisesse ver Sampaoli e um projeto de muito tempo com o argentino ou até mesmo boas condições de trabalho para Tite e sua comissão técnica. Dunga terá que acatar as decisões de um empresário (Rinaldi) e uma trupe que não entende nada de futebol, começando por José Maria Marin, o vice Marco Polo Del Nero e Alexandre Gallo, um técnico com nível de série B ou C.
O trabalho de Dunga como jogador e técnico até então, do título do tetra ao fracasso no Colorado. (Tribuna do Cisco)
Dunga terá quatro anos de trabalho, pelo política do imediatismo, prevejo mais do mesmo, uma seleção velha para conseguir conquistar a Copa e deixar o comando após um possível triunfo, assim como Parreira fez depois do tetra e Felipão repetiu com o penta, ou seja, continuamos no fundo do poço, o futuro do nosso futebol está mais ameaçado e novos 7 a 1 podem reaparecer em breve. Desejo toda sorte do mundo a Dunga, ele vai precisar! Afinal de contas, ele pode bater o recorde e ser o técnico que conseguiu se queimar com dois fracassos em Copas.

Até logo!