terça-feira, 8 de julho de 2014

Desvio de rota

Brasil 1 x 7 Alemanha: Era 7 de julho de 2010, o estilo Pep Guardiola tomou conta do futebol espanhol e a seleção Roja vencia os alemães na semifinal, foi o penúltimo passo da equipe até conquistar a glória máxima do futebol, a Alemanha sofria mais um baque, uma derrota que desanimava o melhor futebol daquele Mundial, poderia ser um fim de um projeto, mas Löw tinha o apoio de federação, torcida e crítica, ele ficou! Era 18 de dezembro de 2011, Pep Guardiola engoliu o futebol brasileiro representado pelo Santos, ele mesmo afirmou que fez o que nós brasileiros fazíamos em tempos idos, o Barcelona fez 4 a 0 com a maior tranquilidade, detalhe, Neymar estava em campo. Era 16 de janeiro de 2013, o Bayern de Munique surpreendia o planeta e anunciava Pep Guardiola como o seu novo treinador, dando sequência a revolução no futebol do país, revolução essa que começou no projeto para o Mundial de 2006, a Copa em solo germânico.
Alemanha cala o mundo e despacha o Brasil dentro de casa. (Tribuna do Cisco)
Com apenas um ano de trabalho, Pep fez Löw modificar o estilo de sua seleção, a revolução foi aperfeiçoada e os alemães chegam a final no auge de sua forma, o time está mais do que pronto e motivado, pronto pelas derrotas que sofreu nas últimas três Copas, motivado pelo massacre, pelo entrosamento e bom futebol que apresentou em 8 de julho de 2014, coroando uma geração muito talentosa. O jogo começou com um Brasil para frente, mostrando que era o dono da casa e não temia o melhor time que era a Alemanha, Felipão mandou Bernard no lugar de Neymar, o garoto, infelizmente não correspondeu e a nação começou a sucumbir logo aos dez minutos de jogo, Marcelo foi tentar dar um bonito passe e acabou gerando um escanteio, escanteio esse que gerou o gol de Müller, um erro clamoroso da zaga brasileira.

Tomar mais quatro gols em apenas dez minutos provaram a apatia, imaturidade e graves erros na convocação de Scolari, ele está ultrapassado, isso é notável e já foi mencionado por mim em toda a caminhada rumo a Copa, mas não é desculpa nem motivo que prove tamanho desgaste emocional do grupo em todo o torneio. O vexame mostrou, mais uma vez, a péssima e corrupta administração da CBF, não temos um projeto, pega a história da Seleção Brasileira e jogam na mão de vários técnicos, hoje em dia, não há país que consiga conquistar campeonatos sem um projeto duradouro, que sofra derrotas, que crie cicatrizes e volte mais forte nas próximas competições, acredito que Marin, Del Nero e companhia repitam o trabalho de Ricardo Teixeira, demitam o atual treinador e joguem na mão de outro coitado que trabalhará sobre pressão, diferente do que os alemães tem feito, por exemplo. Em relação a Alemanha, o time agora chega muito motivada para por fim a seca e conquistar um trofeu após 18 anos, pode ser a primeira conquista de Copa do Mundo dos alemães como um único país, afinal de contas, as três Copas foram vencidas pela a Alemanha Ocidental.

No segundo tempo, Felipão optou por tentar diminuir o vexame, colocou Paulinho e Ramires, o meio ficou mais encorpado, mas já era muito tarde, a Alemanha controlava a partida, virou treinamento e os europeus tiraram o pé. Löw foi sacando nomes importantes, deu oportunidade de Schürlle entrar com sede a ponto de marcar duas vezes (o segundo foi um belíssimo gol), sacramentar os sete, o técnico também deu oportunidade para o jovem Julien Draxler, 20 anos, poderá ser um dos grandes nomes dessa seleção num futuro próximo. Meus parabéns também vão para Miroslav Klose, um exemplo de atleta, que trabalho com muito cuidado para chegar 100% para o Mundial do Brasil, ele merecia bater o recorde, ele conseguiu com talento e faro de gol, são 16 gols e aumenta a vantagem na artilharia histórica da seleção alemã, o título é o que falta para confirmar o espetacular nome do único centro-avante dos germânicos na atual campanha.
Guardiola 2 x 0 CBF, o maior vexame da história do Brasil e a maior vitória alemã. (Tribuna do Cisco)
Ao Brasil, resta juntar os cacos e buscar manter alguns nomes do atual grupo, o futebol brasileiro não morreu, mas segue um caminho obscuro, uma história escrita pela CBF, mais vexames virão ou podemos dar a sorte de surgir títulos como aconteceu em 1994 e 2002, a sorte de ver o elenco chegar pronto para conquistar o título, complicado! A Alemanha jogou muito bem, é óbvio, é claro também que o time se beneficiou da apatia brasileira e ampliou o placar, humilhou, agora, o time chega a incrível marca de oito finais de Mundiais, em 2014, a nação começou jogando, mas evolui quando precisa evoluir, massacra na semifinal e ganha um novo espírito para não falhar como falhou nas últimas três Copas, acredito que é a vez da Alemanha, a seleção está muito próxima da conquista do tetra, teremos uma reedição de final, resta saber se veremos Alemanha x Argentina ou Alemanha x Holanda.

Ficha Técnica:

Local: estádio Mineirão, em Belo Horizonte (MG)

Data: 8 de julho de 2014, terça-feira

Horário: 17h (de Brasília)

Árbitro: Marco Rodríguez (MEX)

Assistentes: Marvin Torrentera (MEX) e Marcos Quintero (MEX)

Cartão amarelo: Dante (Brasil)

Gols:

BRASIL: Oscar, aos 44 minutos do segundo tempo

ALEMANHA: Muller, aos dez, Klose, aos 22, Kroos, aos 23 e aos 25, e Khedira, aos 28 minutos do primeiro tempo; Schurrle, aos 23 e aos 33 minutos do segundo tempo

BRASIL: Júlio César; Maicon, David Luiz, Dante e Marcelo; Luiz Gustavo e Fernandinho (Paulinho); Bernard, Oscar e Hulk (Ramires); Fred (Willian)
Técnico: Luiz Felipe Scolari

ALEMANHA: Neuer; Lahm, Boateng, Hummels (Mertesacker) e Howedes; Schweinsteiger e Khedira (Draxler); Muller, Kroos e Ozil; Klose (Schurrle)
Técnico: Joachim Low