quarta-feira, 1 de janeiro de 2014

La Doce e a mística do clube comandado pelo crime

Primeiramente, gostaria de desejar um feliz 2014 para todos amigos do esporte, siga conosco e viveremos um ano fantástico no mundo esportivo. Para quem ainda não conhece, também escrevo críticas para um blog de filmes, por isso, nesse primeiro post do ano preparei algo diferente, escreverei uma crítica sobre o livro La Doce: A explosiva história da torcida organizada mais temida do mundo. O livro é o resultado do trabalho de um dos meus ídolos pessoais, o jornalista argentino Gustavo Grabia, nele, ele tentou transmitir como a impunidade toma conta do país, como uma torcida pode mudar o foco do futebol para praticar o crime.
A mística La Bombonera... Você não imagina do que ela é capaz. (Football Wallpapers)

O livro se inicia contando algumas curiosidades de como surgiu o clube e conta como se iniciou as brigas de torcida, até se institucionalizar a La Doce, principal torcida organizada do Club Atlético Boca Juniors. Para quem sempre curtiu a história gloriosa do Boca, prepare-se para se surpreender com histórias impressionantes e cruéis em que a torcida usa do clube para promover o crime organizado. Outra coisa é importantíssima para qualquer leitor e amigo do esporte que queira se aventurar nos fatos relatados por Gustavo, não, os Hooligans não são a torcida mais violenta do planeta, como prova disso, deixo um trecho do livro:

“Naquela tarde o Boca recebia o River pela sexta rodada do Torneio Clausura. A Equipe dirigida por Daniel Passarella ganhou 2 X 0, com gols de Crespo e Ortega. Na saída do estádio, no cruzamento de Huergo com a Brasil, a La Doce emboscou vários caminhões que levavam torcedores milionários e usaram as armas que eles haviam preparado. Três balas pegaram em cheiro Ángel Delgado, de 25 anos, que sangrou até a morte. Walter Vallejos, de 19 anos, caiu ferido no asfalto e foi esmagado por outro caminhão, morreno na hora. Seriam as duas últimas mortes da La Doce de el Abuelo.” (Página 64, Capítulo 2).

Rafael Di Zeo em destaque à esquerda e Mauro Martín à direita, homens fortíssimos da máfia chamada La Doce. (La Doce)
Bem, isso é realmente o mínimo do que a La Doce é capaz, livro deixa claro contando fatos em que os chefes da quadrilha são salvos pela lei argentina, homicídios, roubos, formação de quadrilha, chantagens e verdadeiros campos de batalha estão incluídos, é muito semelhante a FIFA de Joseph Blatter. Enfim, além disso, o livro traz um contexto histórico do maior clube das Américas, narrando títulos memoráveis, trazendo jogadores que estão na história do futebol, mas que também estão envolvidos e sofrem do mal que é a La Doce, torcida que comanda o maior clube argentino. Se você duvida disso, Gustavo trouxe histórias que até mesmo Diego Maradona se envolvia em atos corruptivos, a La Doce pode lhe dar um aumento, uma renovação de contrato, como também pode lhe fazer ser negociado ou até mesmo sofrer ameaças de morte.

(Divulgação)
O fato claro aconteceu com o goleiro Pablo Migliore, que sofria várias críticas por conta da eliminação do Boca na semifinal da Libertadores 2008 pelo Fluminense, o goleiro foi mantido e ainda ganhou um aumento porque tinha a simpatia da organizada. Tempos depois, Migliore, Palermo e Ibarra tiveram uma reunião com membros da torcida, com destaque para um dos chefes famosos, El Uruguayo Richard. Richard não se entendeu com o goleiro e os dois foram trocar tapas, a briga resultou no empréstimo de Migliore ao Racing. Hoje, Migliore deixou as ameaças do Boca e acabou de ser campeão argentino pelo San Lorenzo.


Prepare-se para se surpreender, o Boca Juniors é controlado pelo crime organizado, e não para por aí, toda a Argentina se submete e privilegia a La Doce, ou seja, não é só no Brasil que o crime organizado toma conta, em terras argentinas, é muito pior. Capítulos como O Reinado de Di Zeo e a Sucessão são muito indicados por mim, se assemelham muito a história dos Corleone, no caso dos Xeneizes, eles utilizam do futebol para ganhar dinheiro da máfia. Guerras antológicas, como por exemplo a Batalha do Mc’Donalds e o esperado tira-teima da La Doce contra os Hooligans na Copa do Mundo de 1986, a Argentina venceu tanto na bola quanto na pancadaria.

Nomes como os irmãos Di Zeo, El Abuelo, El Uruguayo Richard são importantíssimos para o progresso da La Doce e do crime, são corruptos, mas graças a eles, a La Bombonera e o Boca Juniors chegaram a inimagináveis glórias, por isso a tal mística do maior clube das Américas. Por isso, deixo o próprio Gustavo Grabia contar o que aconteceu com a La Doce nos dias de hoje, o livro é nota dez! Um instrumento de estudo espetacular para qualquer leitor curioso.
O show em Bombonera e as perigosas batalhas. (Tribuna do Cisco)

“Mesmo com el Uruguayo Richard na cadeira de rodas e fora de atuação; com o grupo de Lomas de Zamora com o direito de admissão mas cercado pela polícia; com a barra de Di Zeo em liberdade condicional, à espera do julgamento por associação ilícita que será realizado em 2012; e com as ameaças de retorno de Di Zeo, Mauro Martín continuará sendo o chefe e o dono dos violentos da La Doce. Ou não: pois a história da La Doce, a barra brava mais famosa da Argentina e do mundo é, para dizê-lo civilizadamente, muito dinâmica. A verdade é que não importa quem caia, por causa do peso da idade. Aconteça o que acontecer, a La Doce nunca vai acabar. Porque como Di Zeo diagnosticou com precisão cirúrgica, a La Doce “É herança, herança e herança”. Sob essa promessa, o reino do La Bombonera seguirá sendo governado.” (Essa história continuará...)


Grande abraço, e viva 2014!