quarta-feira, 8 de janeiro de 2014

A camisa perfeita

Na tarde da última segunda-feira, em Milão, Kaká mais uma vez foi protagonista na vitória do Milan, dessa vez, contra a Atalanta. O brasileiro marcou dois gols, chegando à marca de 101 gols com a camisa do Rossonero, histórico, cada vez mais, o meia se engrandece como um dos maiores ídolos da história do clube. O que mais me deixa triste, é que Kaká optou por aceitar a oferta milionária do Real Madrid, sacrificando metade de sua carreira e perdendo a chance de conquistar o Calcio com o clube em 2010/2011, além disso, o brasileiro poderia ter elevado a qualidade do time, que foi mal em quase todos esses anos e continua fazendo péssimas partidas. Minha proposta neste post é provar como a camisa do Milan cai bem em Kaká e como o Real Madrid colocou a carreira do meia em risco.
Sucesso no Milan, Kaká quase sacrificou a carreira em Madri. (Divulgação)

Era 8 de junho de 2009, Kaká já não era o melhor do mundo, perdeu o posto para Cristiano Ronaldo, mas o Milan seguia com um bom time e tinha tudo para voltar ao topo do Velho Continente. Entrentanto, uma proposta de 65 milhões euros fez com que o melhor brasileiro em atividade abrisse mão do status de ídolo e se tornasse mais um seduzido pelo Real Madrid e seus projetos fracassados. O Milan desandou, Ronaldinho não era Kaká e fazia partidas para lá de razoáveis, Pato não largava o departamento médico e cabia a Seedorf o papel de camisa 10, mas ele já não era mais um garoto. Enquanto isso, Kaká levava mais de 40 mil torcedores ao Santiago Bernabéu em sua apresentação. Ele, Xabi Alonso, Arbeloa, Benzema e Cristiano Ronaldo formariam um novo time galáctico, contudo, Manuel Pellegrini, o técnico chileno nem era tão galáctico.

O fato é que o Milan precisava de Kaká e Kaká necessitava do rubro negro. A temporada merengue foi desastrosa, o melhor Barcelona da história conquistou La Liga, a Copa do Rei e a Liga dos Campeões, falando em Liga dos Campeões, o Real caiu logo no grupo do Milan na primeira fase. Bateu saudade em Kaká, o Real caiu em pleno Bernabéu para o Milan, foi o único baque na primeira fase. O jogo de oitavas de final foi contra o Lyon, coloco esse jogo como chave para o fim de temporada de Kaká e de Pellegrini. O time estava sendo eliminado para os franceses, Pellegrini sacou Kaká, no momento que ele saia do campo, o brasileiro deixava o gramado muito irritado, xingando, era visível que o jogador estava com a cabeça em outro lugar, um pouco arrependido pela transferência, a temporada não era boa e Mourinho viria para acertar a equipe.

Calvário galáctico e retorno de gala a Milão.
(Tribuna do Cisco)
Enquanto isso, entre as duas temporadas, Kaká participou do fiasco nacional na Copa de 2010, derrota de virada para a Holanda, o brasileiro era um dos mais abatidos quando o apito final foi dado. A temporada seguinte foi excelente... Para o Milan, o time contratou Ibrahimović junto ao Barcelona e voltou a conquistar o Calcio, Kaká poderia estar nesse plantel, porém, ele vivia seus piores momentos em Madri, uma pubalgia tirou o craque dos gramados, agora, ele era completamente ofuscado por Özil, o calvário futebolístico para o meia estava montado. O Real viveu mais uma péssima temporada, com o momento chave quando sofreu a goleada por 5 a 0 de Barcelona. Kaká não convencia, valeria a pena permanecer no Real? Até que valeu, ele conquistou a Copa do Rei e na temporada seguinte a Liga Espanhola.

A mídia já começava a especular o retorno de Kaká ao Milan, o que não aconteceu e o meio participou de uma das piores temporadas do clube de Madri, não conquistou sequer um título e Kaká mal entrava em campo. Na minha opinião, a passagem de Mourinho no Real Madrid foi desastrosa, Mou foi arrogante e não assume seus erros até hoje, é um técnico perfeito, segundo ele próprio. Kaká caminhou junto e não teve sorte na capital espanhola, apesar de ter convivido com lesões e não ter tido muitas chances, o que foi mais um fracasso de Florentino Pérez, 65 milhões gastos e sem nenhum retorno. No momento em que Carlo Ancelotti foi anunciado como novo técnico do Real, eu sinceramente pensei que fosse a hora de Kaká brilhar na Espanha, mas já era tarde demais, o brasileiro estava decidido a retornar ao seu terreno predileto, o Milan o contratou a custo zero, provando o vexame do Real Madrid.

Kaká voltou a ser feliz, os torcedores italianos ainda são apaixonados pelo meia, ele está jogando muito bem, é o melhor da equipe, fazendo gols, dando passes e conseguindo dar aquelas arrancadas que o consagrou melhor do mundo em 2007. Todavia, a temporada do time Rossonero é péssima, décimo primeiro no Calcio e classificado com muito sofrimento para as oitavas na Champions League, é difícil prever que Kaká consiga colocar o Milan entre os primeiros na liga italiana, é quase impossível que Kaká consiga voltar a ser melhor do mundo, isso muito por conta do próprio, que deixou o clube para se aventurar nos projetos vergonhosos de Florentino Pérez. Encerro mais um post com a foto de Kaká celebrando o gol 100 pelo Milan, um ícone, uma lenda, um dos maiores jogadores da história do clube em uma das imagens de 2014.
Kaká celebra o centésimo gol, dias melhores vindo por aí. (AFP)