sábado, 16 de novembro de 2013

UFC 167: Há vinte anos, brasileiros queriam mostrar que eram melhores e começaram um novo esporte.


Um grande salve para todos os fiéis leitores da Tribuna do Cisco. Este sábado teremos uma edição mais que especial do UFC, comemorando vinte anos de existência do principal campeonato de Artes Marciais Mistas do mundo. Hoje falaremos um pouco sobre o crescimento e consagração da franquia junto ao esporte e também comentaremos sobre as lutas que ocorrerão no evento que marca o aniversário da marca.

O primeiro evento (Wiki.com)
Em 1993, Rorion Gracie resolveu se aventurar com dois colegas norte-americano para mostrar que o Jiu-Jitsu Brasileiro era a arte-marcial mais efetiva de todas. O campeonato era simples, oito lutadores representando o estilo em que eram especialistas, num octógono bem grande e o combate só teria um fim por meio de nocaute ou finalização. A primeira grande questão foi “por que um octógono e não um ringue convencional?”. Segundo Rorion, o octógono acabaria as extremidades feitas em ângulos de noventa graus, dificultando que os lutadores fossem encurralados por adversários mais pesados. O octógono do UFC foi desenhado por um de seus sócios (Art Davie) na empreitada e a ideia de televisionar este campeonato foi dada pelo outro sócio (John Milius).

Se formos analisarmos friamente, Rorion queria apenas por em prática uma tradição da família Gracie, a de provar que o BJJ era melhor que as demais artes-marciais. Isto foi constantemente praticado pelo seu pai, Hélio Gracie e tios, e também por alguns primos como o famoso Carlson Gracie. Os seus parceiros americanos foi que vislumbraram uma forma de ganhar dinheiro com este projeto. Resultado: Uma empresa do ramo de Pay-per-view dos EUA assumiu os riscos, pôs o campeonato na sua grade e o sucesso de vendas aconteceu. O que Dana White fala de que “não era para ter uma continuidade, era para ser um único campeonato” é a mais pura verdade. Para comprovar isto, Rorion vendeu seus direitos logo após a quinta edição, a última que teve participação do seu irmão Royce no primeiro modelo desenvolvido.  Entretanto, o BJJ de Royce Gracie o levou ao triunfo em três dos quatro primeiros eventos, sendo sua única derrota através de uma desistência devido a um mal-estar antes do seu combate. Outro destaque desta primeira fase do UFC foi um outro brasileiro que conseguiu triunfar na competição, rival declarado dos Gracie por fazer parte dos membros da Luta Livre, Marco Ruas se sagrou campeão com um jogo muito agressivo, mesmo enfrentando adversários muito maiores, assim como Royce e seu BJJ. Além dos dois brasileiros, outros lutadores tornaram-se famosos já nos primeiros anos como: Ken Shamrock, Dan Severn, Don Frye, Tank Abbott, Oleg Taktarov e etc.
Royce apresentando o BJJ ao mundo. (Suribury.uk)

Até a décima sétima edição, os formatos de torneios dominaram, principalmente por ser o preferido entre o público. Porém, a quantidade de lesões nas noites e a necessidade de ausências nas lutas seguintes começaram a fazer com que a organização remodelasse o estilo de competição. As regras ainda estavam dúbias, principalmente com relação ao tempo e quantidade de rounds, sempre havendo novidades que confundiam à audiência. Apesar disso, classes de pesos começaram a ser formadas, fazendo com que uma divisão por pesos padronizada faria parte do UFC e campeões começaram a ser nomeados desde então, não apenas dos torneios, mas das categorias. Aliás, durante a segunda visita ao Japão, no UFC 23, foi a última vez em que o modo torneio com mais de uma luta na mesma noite foi aplicada pela franquia dos Estados Unidos.

Não apenas o estilo de disputa estava sofrendo mudanças, devido o sucesso inicial e a popularização da luta sem regras, muitos tradicionalistas nos EUA, liderados pelo senador republicano John McCain combateram a prática do MMA em muitos estados dos EUA, dificultando e transmissão do esporte. O estilo que nós assistimos até hoje foi colocado no UFC 22, diferenciando lutas comuns e lutas de títulos, o primeiro tendo três assaltos e o segundo cinco. O uso de luvas tornou-se obrigatório e a opção de usar tênis era permitida, desde que atleta não chutasse o adversário em nenhum momento. O juiz passou a ter autonomia para decidir o fim da luta, não esperando o nocaute ou desistência do oponente. Algumas áreas do corpo não poderiam sofrer nenhum tipo de golpe, como a nuca. A maioria da implementação destas mudanças ocorreram até o UFC 28, principalmente devido à busca de classificar o MMA como um esporte de verdade em comissões atléticas nos EUA. Foi durante este período que algumas lendas do UFC começaram a surgir, dentre elas: Randy Couture, Mark Coleman, Chuck Liddell, Tito Ortiz, Murilo Bustamante, Pedro Rizzo, Vitor Belfort, Pat Miletich, Jens Pulver e Kevin Randleman são alguns nomes que se destacaram nesta época.

Eles elevaram a noção de rivalidade da franquia. (bloodyelbow.com)

A grande mudança que o UFC sofreu depois de todas estas adaptações para fazer com que sua prática não sofresse mais nenhum tipo de marginalização foi na gestão. Muitos lutadores saíram da franquia por conta de concorrência com outros eventos e questões contratuais. Vendo o declínio acontecer, o Grupo SEG, antigo detentor dos direitos recebeu uma proposta de dois milhões de dólares dos Irmãos Fertitta, conhecidos no mercado de cassinos e seu amigo de longas datas Dana White. No início do ano de 2001, a Zuffa passou a administrar o UFC. Porém, os primeiros anos foram de muitas vacas magras.

O logo pós compra da Zuffa, o que conhecemos. (UFC.com)

A Zuffa gastou logo de início tentando engrandecer a uma marca que já era muito conhecida por bem ou mal. Um dos grandes trunfos para isto foi a permissão da ligação do esporte junto a comissão atlética de Nevada. Finalmente o UFC poderia realizar eventos em Las Vegas e muito mais dinheiro moveria dentro da organização. Houve uma repaginação da marca, o Pay-per-view voltou com uma qualidade muito maior, havia sinais do Marketing, a publicidade estava muito mais presente e a estrutura melhorou consideravelmente. E se teve um lutador que soube usar isso muito bem, para a alegria do UFC, foi Tito Ortiz. Tito começou aquela que seria uma das maiores rivalidades do UFC, quiçá a maior! Tito foi o primeiro mestre em promover seus combates e tirar o oponente do sério muito antes dos dois entrarem no octógono. Hoje Sonnen detém este título com muito mérito, mas ninguém conseguiu bagunçar tanto com a alma de um adversário como Tito fez com Ken Shamrock. Aliás, foi a partir desta rivalidade que o UFC começou a atingir outro patamar
Os novos donos do negócio. (bloodyelbow.com)
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Lucro ainda estava longe de acontecer, só que o marketing em promoções como Ortiz VS Shamrock e a criação de um reality show logo após o WWE fizeram com que o UFC sofresse um boom instantâneo. Os eventos começaram a ter recordes de vendas e seus programas nas TV’s fechadas ganhavam cada vez mais audiência. O investimento da Zuffa começou a mostrar sua cara e decisões estratégicas ajudaram a dominar o mercado nos EUA, como a compra do WEC, campeonato de divisões mais leves e a negociação contratual com a Versus que fez um dos seus principais concorrentes, a IFL, ficasse impossibilitada de ocupar um espaço na televisão. Além disso, eventos que atravessaram a barreira do underground e foram manchetes em todo o mundo como Chuck “the Iceman”Liddell contra Randy Couture e o primeiro campeão do UFC Royce Gracie versus Matt Hughes. O UFC começou a ter suas figurinhas carimbas como, além de todos citados acima, Tim Sylvia, Andrei Arlovski, Rich Franklin, BJ Penn, Caol Uno, Renato Babalu e outros eram novos nomes conhecidos dentro do octógono.

Liddell e Couture, dois HOF do UFC (bloodyelbow.com)

Mas foi em 2007 que o UFC deu o pulo do gato. Após ligações com fraudes, o principal concorrente, o Pride FC, perdeu seu principal credor e enfraqueceu vertiginosamente. Foi ai que a Zuffa resolveu adquirir os direitos do Pride, buscando manter ambos eventos já que o japonês funcionava de uma maneira totalmente diferente e era um sucesso de público no Japão, com públicos de oitenta mil pessoas na consagrada Saitama Arena. Não só isso, o UFC integraria os principais e mais conhecidos lutadores de MMA da época ao seu quadro, nomes como Wanderlei Silva (que lutou em edições bem antigas do UFC), Rodrigo Minotauro, Mirko Cro-Cop, Dan Henderson (também já tinha pisado no octógono), Rampage Jackson, Maurício Shogun, Mark Hunt e outros agora pertenciam a Zuffa. Uma grande prova da soma destes atletas foi o evento em que houve a tão aguardada luta entre Chuck Liddell e Wanderlei Silva. Uma das melhores que o UFC já viu e um dos maiores garfos também.

O último grande concorrente. (Wiki.org)
Hoje o UFC reina absoluto no mercado do MMA, a última grande aquisição foi do concorrente californiano Strikeforce. Porém, acordos televisivos, principalmente com a FOX, mostram hoje a real força da franquia. Seus horizontes estão muito mais amplos e já conquistaram diversos países em todos os continentes, faltando apenas um evento na África. Os nomes mais conhecidos vocês sabem de cabeça, não precisa mais ir atrás de informações, ela vem até você.
E hoje, teremos a celebração deste feito com um card bastante competitivo e com a disputa de cinturão de um dos principais atletas desta era de sucesso do UFC, o canadense George St. Pierre.

Devido ao tamanho largo da postagem, vamos direto ao palpites.

Tim Elliott VS Ali Bagautinov

Bagautinov não foi contratado apenas para fazer número na divisão dos moscas, ele chegou para fazer barulho. A Rússia tem sido um alvo frequente de novos atletas a fazer parte do cartel do UFC . Seu primeiro desafio foi no Brasil em uma luta que castigou seu adversário por três rounds, dominando a luta em todos os aspectos. Já o seu oponente enfrentou uma pedreira na sua primeira participação no UFC, perdendo para John Dodson e vindo de dois triunfos. Sinceramente, não acho que Elliott é páreo para o russo em nenhum aspecto, mas sua dureza vai tornar o combate algo muito interessante de assistir.
PALPITE: BAGAUTINOV POR DECISÃO UNÂNIME.

Josh Koscheck VS Tyron Woodley

A única possibilidade que me faz ter interesse em assistir uma luta de Josh Koscheck é saber que ele corre sérios riscos de tomar uma surra. Lutador amarrão e muito chato, Biro-Biro já é uma peça carimbada do UFC ao longo desses vinte anos. E definitivamente, não acho que Koscheck terá muitos problemas hoje enfrentando Woodley. O jogo de ambos é muito semelhante, com uma ligeira vantagem para Koscheck em pé e para Woodley no chão. Porém, caso Biro-Biro consiga derrubar e se manter por cima, as chances de Woodley conseguir desenvolver algum jogo reverso são poucas. Algo a ser analisado neste combate é se, finalmente, Koscheck está em decadência, pois ele teve uma atuação lamentável na última luta contra Robbie Lawler.
PALPITE: KOSCHECK POR DECISÃO UNÂNIME.

Rory MacDonald VS Robbie Lawler

Hoje GSP enfreta seu principal adversário na categoria, mas, caso não fosse amigo e “padrinho” do outro canadense no card principal, ele poderia ter alguns problemas com Rory. O psicopata canadense é muito alto, agressivo e forte. Seu tamanho realmente faz a diferença porque ele aprendeu a usá-lo como uma arma, assim como Jon Jones e Alexander Gustafsson fazem. Seu oponente é um veterano que vem de excelente atuações recentes, bom em pé, bom no chão e nocauteador nato. Todavia, Rory está um nível acima e acredito que não terá dificuldades em bater o adversário.
PALPITE: MACDONALD POR FINALIZAÇÃO NO SEGUNDO ROUND.

Rashad Evans VS Chael Sonnen

Sugar surgiu como uma grande estrela no UFC, chegou ao título, perdeu para Machida, conseguiu com atuações burocráticas o direito de disputar contra Jones, perder de novo e agora busca o reencontro com atuações decentes, pois suas últimas duas lutas foram lamentáveis. Então, Rashad, não desperdice a oportunidade que Dana White está te dando. Sonnen é muito bom naquilo que sabe fazer, derrubar e amarrar. Nunca nocauteia, finaliza de vez em quando e sempre faz cara de choro enquanto apanha. Mas, não ache que a batalha vai ser fácil, pois o preparo físico de Sonnen é um dos melhores do UFC. Se Rashad não vier bem treinado, vai passar sufoco.
PALPITE: EVANS POR NOCAUTE NO SEGUNDO ROUND.

George St. Pierre VS Johnny Hendricks
Poster oficial. (UFC,com)
Toda vez que vou falar sobre GSP, eu me irrito profundamente. Quando lembro o canadense nas primeiras edições  em que ele participou, lutando com sangue nos olhos e mostrando todo seu arsenal de golpes, eu fico empolgado. Quando revejo suas lutas nos últimos quatro anos, eu fico enojado, apenas pelejas burocráticas e sem a menor empolgação. Hoje é a última esperança para os fãs do MMA verem GSP perder, já que Rory MCD já falou que não lutará contra seu amigo. Hendricks é duro! Muito duro! Bom nas quedas, nas defesas de quedas e com uma mão que derruba qualquer um nessa categoria. O mais engraçado, é que Hendricks tem um corpo bem desfavorável, sendo pequeno e com uma envergadura muito curta. Realmente não sei como a luta vai se desenrolar, acho que GSP encontrou um adversário tão equilibrado como ele, mas não dá para subestimar o campeão, principalmente se a luta passar do terceiro round, já que o desafiante mostrou que gás não é o seu ponto porte. Porém, minha torcida fica para o barbudinho.
PALPITE: HENDRICKS POR NOCAUTE NO SEGUNDO ROUND.