quinta-feira, 8 de agosto de 2013

Meu mestre de Muay-Thai: Wanderlei Silva.


No dia 27 de julho de 2012+1 em Recife, houve um seminário de MMA na academia MXA no bairro de boa viagem. O evento foi dividido em duas turmas, entre iniciantes e avançados. Cada um durou aproximadamente uma hora, com distribuição de certificados e uma espaço rápido para que a imprensa pudesse fazer uma série de perguntas ao eterno Mr. Pride e também ao lutador do UFC Jussier Formiga que também deu as caras no seminário. No geral, tudo foi sensacional, a estrutura do lugar era excelente e o apoio também foi bacana. Mas, tem muita coisa a ser dita, pois eu estava ali, no mesmo espaço daquele que me fez ter prazer pelo esporte.




 



Minha turma começaria uma por volta das três e meia, na quinta-feira antes do evento eu recebi uma ligação perguntando se eu já tinha lutado antes. Expliquei que faço Karatê desde criança, mas estava parado no momento e estava fazendo judô por volta de quatro meses. Quando cheguei lá, preocupado com o tempo, percebi que ainda não tinha começado e que muitos dos meus colegas não eram meros praticantes e fãs de artes marciais como eu, tinham muito profissionais ali e viam o seminário como uma grande oportunidade de pegar a maior quantidade de dicas possível. Por volta das quatro horas, fomos chamados para subir para o tatame e nos foi dito para aguardar um pouco mais. E foi poucos minutos depois que Sandstorm começou a tocar nas caixas de som e ele foi anunciado. De repente, eis que surge o Machado Assassino, recepcionado de pé com muitas palmas e palavras de admiração. Foi uma simples caminhada da porta para o centro do tatame, mas na minha cabeça foi mais uma entrada daquelas que só o Pride poderia nos proporcionar.
  

A entrada do mito. (MXA)


O aquecimento começou, colocando os pupilos para alongar e fazer vários exercícios antes de começar a nos passar técnicas de combate. A primeira foi de esgrima, algo que nunca tinha feito antes. Por sinal, fiquei preocupado com meu parceiro de treino, pois ele estava com alguém inexperiente no Muay-Thai, mas ele foi muito paciente e prestativo o tempo todo, fazendo com que nosso rendimento fosse muito melhor. Praticamos variações com pegada no pescoço, Ouchi Gari, pegada nas costas, as famosas joelhadas que causaram estragos em vários adversários e etc. Mas teve um momento que o mestre percebeu que o movimento que eu estava fazendo não estava correto e foi me corrigir, nessa hora, tive a oportunidade de conhecer a simpatia que lhe é tão peculiar! Wanderlei é simplesmente gente boa em todos os momentos. 




Por sorte, troquei uma idéia rápida com o simpático Formiga.
Terminou a primeira parte e muitos foram beber água. Quando você fica próximo de Wanderlei, é impossível não perceber as várias cicatrizes no rosto. Olhava as marcas e pensava que aquelas lembranças que ele carregava na face me fez muito feliz e triste várias vezes. Eu aproveitei neste momento para falar que escrevia em um blog sobre MMA e perguntar se poderia escrever um texto sobre aquele dia. Além de permitido, fui incentivado pelo meu maior ídolo a fazer isto, dando sugestões de como eu deveria escrever isto e pedindo para que eu passasse tudo o que eu tinha achado. Bem, foi nesse momento que falei que o principal motivo de estar ali era de poder dividir aquele espaço e ter a verdadeira noção de o quão bacana ele é.

Momento de trocação com um lutador cipriota. (MXA).
Na segunda parte, fizemos mais exercícios simulando troca de posição na grade, meios de deixar o adversário preso e perceber seu real cansaço. Mais formas de derrubada e de ataques em pé até que rolasse uma sessão livre de sparing, num total de quatro trocas de colegas. Nesse momento ficou muito perceptível minha base de Karatê, até com alguns colegas mesmo comentando enquanto fazíamos o treinamento.

Após esta sessão, ele informa que o seminário estava oficialmente terminado e que ficou muito satisfeito com o que tinha visto. Fez um discurso muito bonito sobre a importância que ele sentia em poder sentir a energia de praticantes de artes marciais e até de lutadores. Depois, houve a distribuição dos certificados, juntou todos para que tirássemos fotos junto com o Cachorro Louco e a imprensa começou suas perguntas. Aproveitei este momento para falar com Jussier Formiga, perguntei para ele rápido como ele encarava este desafio no momento e como estava sendo o camping já tinha começado? Ele afirmou que esta luta é a grande chance dele de poder disputar o cinturão (penso da mesma forma e o adversário é gabaritado suficiente para que possamos ter esta opinião) e que o camping estava ocorrendo muito bem. Formiga faz parte da Nova União, a melhor academia na formação e desenvolvimento de atletas no Brasil, o desafio é grande, mas realmente pode ser um divisor de águas na carreira do potiguar.

Foto em grupo (MXA).
No fim, quase todos foram embora e não viram as perguntas feitas pela imprensa para Wanderlei e Formiga. Esse foi o único momento que tive um pouco de decepção, não por parte dos lutadores, mas dos jornalistas que perguntaram as mesmas perguntas de sempre, como: Rivalidade com o Pastor Belfort, se ele ainda pensa em disputar o título, se tem muita diferença entre o Pride e o UFC. Talvez a única indagação inédita tenha sido como foi a recepção no Recife. E eu me contendo para querer saber sobre bastidores do IVC, do Pride, saber como era a Chute-Boxe na década de 90, a rivalidade com a BTT e outra trocentas mais...

Acredito que foram mais de quarenta minutos de perguntas quando ele pediu para encerrar e para poder ir descansar antes dos seus compromissos com os patrocinadores. Foi nesse momento que eu o abordei rapidamente e pedi para tirar uma foto com ele. O momento foi rápido, ele pegou meu celular, colocou a câmera, bateu a foto, checou e disse “Estou lindo!”. Depois que ele continuou sua caminhada cheguei à conclusão que definitivamente eu escolhi o ídolo certo.




Obrigado, Wand. 

OSS!