sexta-feira, 26 de julho de 2013

Brasil na América 2013 - Episódio Final

Atlético Mineiro 2 (4)  x (3) 0 Olimpia: Acreditar. Parece um conceito vago e subjetivo, algo que tem a ver com fé, devoção, uma crença no possível e no impossível. Dar crédito, confiar. Desde 1976, acredite, a vida dos atleticanos era um inferno, dentro das redomas de Minas Gerais. Seus grandes rivais, do Cruzeiro, conquistavam a América enquanto o galo apenas observava. Poderia ficar pior, acredite, os celestes repetiram a façanha em 1997 e o que era um incômodo tornou-se questão de fé. Toda a fé atleticana, no entanto, nunca foi tão grande e necessária, ou nunca tinha sido tão posta a prova quanto em 2013.

(fonte: lancenet. Edição: tribunadocisco)
Como se não fosse o bastante o martírio pelo qual os torcedores atleticanos tiveram que ser submetidos durante toda a competição, o campo minado ainda foi recheado de bons elementos antes da final. Os desafios começaram dentro do próprio jogo de 180 minutos, quando a primeira metade, disputada no Paraguai, acabou com o resultado de 2 x 0 para o olímpia. Outro fator de tensão, foi a mudança de local da final, do Independência, onde o time ostenta um longo período de invencibilidade, para o novo e, talvez frio, Mineirão.

Bem, nenhuma das problemáticas foi páreo para a fé dos atleticanos. Ali, acreditar fez a diferença, não só fora, como dentro de campo. Cuca, um treinador com fama de azarado, em quem se acreditava pouco, acreditou. O técnico montou um time sólido, com suplentes que costumavam dar conta de responsabilidades, e um esquema firme que não foi suplantado, especialmente nos comuns momentos de dificuldade.

Bernard, uma aposta na qual se acredita muito, acreditou. Um jogador essencial para a equipe, provavelmente a avariável de controle do time. Sem Bernard, o Atlético perde mais do que sem qualquer outro, e essa falta se fez presente no primeiro jogo. Aqui, o atleta desequilibrou e fez a diferença, deu sangue e suor, caiu de câimbras, pediu apoio, superou a marcação e deu passe para gol. Essencial.


Curiosamente, a um daqueles jogador em que mais se acredita, Ronaldinho, não acredito que devam ser dados todos os créditos. Claro, Ronaldinho se reergueu, renasceu para o futebol, se encaixou como uma luva ao time do Atlético e assumiu uma posição de líder. No entanto, ainda é muito discreto individualmente e parte de um todo que, coletivamente, sim, é muito eficiente.

Mas nenhum personagem foi tão heroico e digno de tanta fé e confiança quanto Víctor. O Goleiro do galo foi eficiente sempre que exigido, inclusive em momentos críticos, como em defesas de pênaltis durante o jogo ou em disputas. Víctor mostrou serviço mais uma vez na final e fez o atleticano acreditar que tinha, de fato um goleiro. Muito deve ser dito de cada jogador do atlético, como Jô e Tardelli, como Josué e Marcos Rocha, mas será mais válido dizer, que temos aqui um grande time, capaz de grandes feitos.

Após um primeiro tempo nervoso e sem brilho, em que o Olimpia não foi ameaçado, o Atlético voltou para campo mordido, mordido pelo bicho da confiança, aquele que já tinha infectado uma torcida enlouquecida. Funcionou, logo de início o time abriria o placar, com um gol de Jô, que traria a fé a um outro nível. Como passar do tempo, essa mesma fé foi esvanecendo, na resistência do Olimpia. O velho dilema se estabeleceu, arriscar e buscar o gol? Era inevitável, era final de Libertadores, era preciso acreditar. 


Para Leonardo Silva, foi preciso acreditar três vezes, três cabeçadas, para que uma encontrasse a rede. Gol. O Atlético teria mais dois tempos para acreditar. A fé não costumar falhar. Mas o tempo se foi, nem mesmo a boa participação do amuleto, Guilherme, que de desacreditado passou ao total crédito, foi o suficiente para marcar o último gol do Atlético. Pênaltis. 

Pareceu que a torcida, os jogadores e todo o mundo já sabiam em quem acreditar. A marca fatal foi amiga do Atlético durante toda a competição, e o galo conseguia olhar para ela, que dizia, com um olhar convidativo: "Acredite em mim." A disputa acabou em 4 x 3, Víctor agiu novamente, a trave também, assim como a fé. 

O Atlético Mineiro, acreditem, é o merecido campeão da Copa Libertadores do ano de 2013. Um título ganho no esforço e na fé. Quando acreditar foi preciso, ninguém acreditou mais que os atleticanos, a Taça fica em Minas, pelo menos enquanto durar a fé.

Ficha técnica:

Local: Estádio Mineirão, em Belo Horizonte (MG) 
Data: 24 de julho de 2013, quarta-feira 
Horário: 21h50 (de Brasília) 
Árbitro: Wimar Roldan (COL) 
Assistentes: Humberto Clavijo e Eduardo Ruiz (ambos da Colômbia) 
Público: 56.557 pagantes 
Renda: R$ 14.176.146,00 
Cartões Amarelos: Bernard, Luan (Atlético-MG), Salgueiro, Martín Silva, Ferreyra, Giménez e Benítez (Olimpia) 
Cartão Vermelho: Manzur 
Gols: 
ATLÉTICO-MG: Jô, a 1, e Leonardo Silva, aos 40 minutos do segundo tempo
ATLÉTICO-MG: Victor; Michel (Alecsandro), Réver, Leonardo Silva e Júnior César; Pierre (Rosinei), Josué, Tardelli e Ronaldinho; Bernard e Jô
Técnico: Cuca
OLIMPIA: Martín Silva; Manzur, Miranda e Candia; Alejandro Silva (Giménez), Mazacotte, Aranda, Pittoni e Benítez; Salgueiro (Baez) e Bareiro (Ferreyra)
Técnico: Ever Hugo Almeida