sexta-feira, 7 de junho de 2013

O fracasso de um vencedor. Quem doma um vestiário galáctico?

O fim de um ciclo! Após 3 temporadas e apenas 2 títulos, um dos técnicos mais vencedores da atualidade não aguentou a barra, José Mourinho deixou o Real Madrid, foi o primeiro clube em que o português não deixou sua marca, não deixará saudades. É visível que algo de errado acontece no vestiário galáctico, os números são absurdos, muito dinheiro gasto e um déficit a cada final de temporada, a que ponto o maior e mais lendário clube da história do futebol chegou? É difícil chegar numa resposta, mas com certeza, vale uma boa reflexão, é isso que tentaremos mostrar para vocês nesse post.
Nem Mourinho deu jeito! Real vive tempos difíceis. (Geografoot)

O clube mais famoso, títulos e mais títulos, o Real Madrid sempre foi referência para os demais clubes no mundo, sempre com várias estrelas, o time conquistou da FIFA, o prêmio de melhor clube do século XX, com todo o mérito, é claro. O maior campeão espanhol e europeu, time que contrata todos os grandes craques, dinheiro nunca foi problema, Cristiano Ronaldo, Zidane e Kaká, as três maiores contratações da história do futebol, todas feitas pelo clube da capital espanhola.


Del Bosque e dois títulos da Liga dos Campeões, anos de glórias.

Del Bosque foi o último a brilhar pelo Real Madrid. (Reuters)
Contudo o clube tem optado por exibir seu poderio financeiro a conquistar títulos, fracasso após fracasso, Florentino e seus parceiros vão ao mercado, contratam estrelas e o time não consegue vencer, o principal fato disso vem do banco, a cada temporada, um técnico é demitido e outro logo é contratado. A última grande sequencia foi do hoje técnico da seleção espanhola, Vicente Del Bosque passou 5 anos (1999-2003) no clube, foi o último treinador a conseguir grandes feitos com o clube, conquistou duas Ligas dos Campeões, todavia o período mais glorioso foi quando o time era mais humilde, Raúl era quase que a única estrela. Depois vieram Ronaldo, Beckham, Zidane, Figo e Cia, as estrelas não conseguiram colocar o Real no topo da Europa, era o início de uma grande seca.

E o primeiro português não deu conta do temido vestiário.

Auxiliar de Ferguson, Queiroz assumiu o Real.
(AP)
Del Bosque saiu e o então jovem português Carlos Queiroz (2003-2004) assumiu o time branco, nada melhor do que o auxiliar de simplesmente Sir Alex Ferguson para assumir o clube, um fiasco, o português só durou uma temporada em Madri, logo voltou a ser auxiliar do lendário técnico dos Diabos Vermelhos, Queiroz até que teve bons momentos depois, chegou a comandar a seleção portuguesa na Copa de 2010 na África, hoje ele treina a seleção iraniana.




2 espanhóis em apenas um ano, não teria como dar certo.

Queiróz saiu e o Real novamente olhou para Portugal, trouxe o então técnico do Benfica, o espanhol José Antonio Camacho (2004), o técnico com pouca fama, como ele conseguiria domar um plantel repleto de estrelas? Acho que até ele fez essa pergunta, durou menos de uma temporada e logo foi despedido (atualmente, Camacho treina a seleção chinesa). No meio da temporada e sem técnico, o Real resolveu apostar em um nome bem mais humilde, Mariano García Remón (2004) veio do Cádiz, não vingou e ao fim da temporada deixou o cargo a disposição, mas seu nome está na história do clube, apesar de só fazer figuração, hoje em dia, o espanhol vive esquecido no anonimato, largou o futebol.
Essa imagem voltará a ser repetida? (Reuters)

O professor e seu “projeto” vergonhoso.

Luxa chegou com moral, mas desempenho foi humilhante.
(Getty Images)
Vivendo tempos difíceis e cansados de errar em suas apostas, os diretores madrilenhos decidiram mudar, vieram até a América do Sul, mais precisamente ao Brasil, contrataram com o técnico mais vitorioso até então, Vanderlei Luxemburgo (2005) tinha a chance de ouro, poderia honrar o nome do país e mostrar para o mundo que realmente era um profissional diferenciado, desperdiçou a oportunidade. Logo que chegou, Luxa fez o Real desembolsar 30 milhões de dólares pela jovem promessa Robinho, cheio de vaidades e um orgulho pra lá de exagerado, o professor não conseguiu colocar o time para jogar, os jogadores logo abandonaram o técnico, que viu o sonho desmoronar, foi demitido em dezembro de 2005, não durou nem 6 meses, até hoje, nenhum treinador foi pior que ele, uma temporada para ser esquecida pelos torcedores do anjos brancos.

O assistente e técnico do Real Madrid B, Juan Ramón López Caro comandou o clube no restante da temporada, o Real via Ronaldinho e o Barcelona brilhar na Espanha e em toda a Europa, conquistava a Liga dos Campeões pela terceira vez em sua história, os anos difíceis pareiam que não iam acabar, mal sabiam eles que realmente não acabaram.

Fábio Capello, enfim o nome certo?

Capello foi campeão espanhol e abandonou o clube.
 (Geledes)
Foi a gota d’água, Florentino Pérez deixou a presidência e foi o fim da era galácticos. Entretanto o novo presidente, Ramón Calderón (2006-2009) chegou e deu logo um presente para a torcida, Fábio Capello (2006-2007), o italiano muito bem-sucedido tinha a prova de fogo, domar o tão perigoso vestiário. Ronaldo enfrentava problemas com a balança, Capello sabia que não poderia contar com ele, Zidane havia se aposentado e Beckham anunciou um polêmico acerto com o Los Angeles Galaxy, problemas e mais problemas atrapalharam Capello, porém foi a segunda passagem do italiano pelo clube espanhol, conquistou o Campeonato Espanhol, mas obteve um desempenho pífio na Liga dos Campeões, começava a era eliminações humilhantes. Capello deixou o clube e assumiu a seleção inglesa, um péssimo desempenho e hoje ele treina a seleção russa.

Um alemão e uma penca de holandeses.

Schuster caiu no esquecimento. (Blog Real x Barcelona)
Bernd Schuster (2007-2008), esse foi o nome escolhido para assumir o campeão espanhol, que continuava a mudar de técnico a cada temporada, uma tentativa que vinha frustrando os torcedores todo santo ano. Schuster teve uma boa passagem pelo Getafe, junto com ele vieram vários jogadores holandeses, foi a febre holandesa na capital da Espanha, Robben, Sneijder, Drenthe se juntaram a Van Nistelrooy, o time continuava estrelado, Robinho e Raúl completavam o ataque com o holandês Nistelrooy, um ataque muito bom no papel. O título espanhol foi o que o alemão conseguiu no comando do Real, foi eliminado na Champions pela Roma, nas oitavas de final, mais uma eliminação decepcionante e o fim da linha para Schuster. Tempos depois, ele treinou o Besiktas, hoje em dia, ele está sem clube.

Barcelona faz história e ofusca o Real de Juande Ramos.

Ramos não repetiu seus tempos de Sevilla. (AFP)
Depois de apostar em estrangeiros, o Real voltou a olhar para os espanhóis, na verdade, Juande Ramos (2008-2009) teve uma excelente passagem pelo Sevilla e estava no Tottenham, teria um grande desafio em Madri. Do outro lado espanhol, o Barcelona apresentava Pep Guardiola, o homem que revolucionou a história do futebol espanhol, junto ao time catalão, Pep conquistou a tríplice coroa em seu primeiro ano como técnico, o Real não teve chances contra um Barcelona tão forte. Vice-campeão espanhol, o Real foi eliminado de maneira humilhante na Liga dos Campeões, uma verdadeira surra para o Liverpool, foi o fim do presidente Calderón e de Ramos como técnico, Florentino voltaria para formar novos galácticos, Juande hoje treina o Dnipro.

Novos galácticos para um técnico nem tão galáctico.

Florentino Pérez retornou a presidência do clube, trazendo na mala duas contratações bombásticas, Cristiano Ronaldo e Kaká faria frente a Messi e companhia? Creio que não, o técnico escolhido para domar as feras fora Manuel Pellegrini (2009-2010). O chileno conseguiu levar o Villarreal a semifinal da Liga dos Campeões, com o Real Madrid ele conseguiria encerrar a seca do maior campeão da Liga? Além de Ronaldo e Kaká, vieram Benzema, Albiol, Arbeloa e Xabi Alonso, só estrelas, caberia a Pellegrini encaixar peça por peça.

Pellegrini não conseguiu domar as feras, durou só uma temporada.
 (Footy elegance)
O Barcelona conquistou mais uma La Liga, ofuscou o Real, que foi eliminado de maneira humilhante na Copa do Rei, 4 a 0 para o modesto Alcorón, o chileno realmente não era querido pelo elenco. Eliminado nas oitavas de final pelo Lyon, Pellegrini não conseguiu dar fim a zica do time espanhol na UEFA Champions League e Florentino perdeu a paciência, mostrou a porta da rua para o técnico. Manuel assumiu o Málaga e teve uma excelente passagem, provando que realmente é um bom técnico, inclusive, ele está próximo de assumir o Manchester City.

O melhor no maior da história.

Multicampeão, era a hora de Mou. (RealMBR)
Com um elenco tão estrelado, Florentino Pérez via que não poderia deixar o time na mão de qualquer técnico jovem, então, decidiu olhar para o melhor da atualidade, José Mourinho (2010-2013) já havia conquistado duas Ligas dos Campeões por times desacreditados (Porto e Internazionale), além disso, Mou obteve muito sucesso em sua passagem pelo Chelsea, era o nome certo para bater de frente com o Barcelona, foi contratado. Mourinho estreou na temporada 2010/2011, junto com ele vieram as revelações da Copa de 2010, Ozil e Khedira fizeram bons jogos e não saíram mais do time titular, tinha tudo para dar certo, porém Raúl foi para o Schalke 04 e deixou o time órfão, o artilheiro é lembrado até hoje. Veio o clássico contra o Barça. Um caloroso 5 a 0, um clássico repleto de confusões, violência e um excelente futebol do time catalão, o Real não teve chances.

Ofuscado pelo brilho de Messi e Cia, o Real de José se apoiou na Copa do Rei, triunfando sobre vários adversários, os madrilenhos tiraram o seu grande rival Atlético, eliminou o Sevilla e foi para a final contra o Barcelona, seu temido rival. O jogo foi fora de série, até que na prorrogação, Cristiano Ronaldo, enfim chamou a responsabilidade, marcou o gol do título e a torcida voltou a sorrir, vitória sobre o rival. Em La Liga, o Real fez frente ao Barça, mas acabou com o vice-campeonato com 92 pontos, contra 96 do campeão Barcelona. Na Liga dos Campeões, o Real voltou a semifinal, já era grande coisa, méritos a Mourinho, não deu chance para os adversários, até que novamente o Barcelona surgiu em seu caminho, vitória e título catalão, foi o fim da primeira temporada de Mou como técnico dos galácticos.

Barcelona domina o futebol espanhol e segue ofuscando o Real Madrid. (Tribuna do Cisco)
Já conhecendo o time, Mou foi para mais uma temporada, trouxe várias promessas, como Sahin (destaque do Borussia Dortmund) e Fábio Coentrão. O Real arrasou com o campeonato espanhol, mesmo não vencendo o Barcelona, o time conseguiu bater os outros rivais e chegar a incrível marca de 100 pontos, contra 91 do Barcelona, é visível que é um campeonato de apenas 2 times, título espanhol, agora era focar na Liga dos Campeões. A equipe mandou bem na Liga, queria pelo menos chegar até a final, dessa vez o Barça não esbarrou em seu caminho, foi o Bayern quem acabou com o sonho do time da capital. Campanha perfeita até a semifinal, invencibilade e 100% de aproveitamento na fase de grupos, chegou a hora de enfrentar o Bayern de Munique, o 2 a 1 em Munique deu sobrevida ao time de Mourinho, bastava uma vitória por 1 a 0 que o Real voltaria a disputar a final de Champions League, o problema foi que o Real venceu por 2 a 1 e não evitou as penalidades, o Bayern venceu de maneira dramática, eliminação dolorosa para o Real Madrid.

Florentino gasta e o Real não consegue brilhar.
(Getty Images)
Na Copa do Rei, o time foi eliminado pelo Barcelona nas quartas de final, Florentino manteve Mourinho, será que o presidente, enfim estava fazendo o correto e coerente? Eis que venho a temporada 2012/2013, em vez de entrosado, o Real começou desgastado, jogando mal, não se entendendo em campo.
“Foi a pior temporada da minha carreira”, palavras de José Mourinho, já deu para perceber que o time não foi bem. O Real viu o Barcelona revidar com 100 pontos, viu o título da Copa do Rei parar no rival local, o Atlético venceu o Real na grande final e foi eliminado de maneira mais dolorosa ainda na Champions League, o Borussia humilhou os madrilenhos na ida (4 a 1), e por um gol o Real não foi à final, venceu por 2 a 0 o jogo de volta, foi o triste fim da era José Mourinho no Real Madrid.

O próximo da fila? (AP)
Então vale a reflexão, Mourinho venceu por todos os times que passou, mas justo no maior desafio dele, no clube mais vencedor, nem ele conseguiu domar o vestiário galáctico, ele foi buscar refúgio em sua antiga casa, o Chelsea o acolheu e anunciou Mourinho por 5 temporadas, na minha visão, o português se livrou de uma da maior besteira que ele já fez, assumir o Real Madrid.

Florentino Pérez segue no comando do clube, enquanto isso, a torcida espera pelo fim da seca, o maior campeão da Liga dos Campeõs não consegue conquistar o título, terá de mudar a filosofia, mas quando o presidente vai se tocar disso? Carlo Ancelotti deverá assumir o clube, a única certeza é que ele não conseguirá domar Ronaldo e o resto do plantel, o italiano poderá manchar sua carreira, foi isso que o Real Madrid se tornou, é o fim de um legado tão estrelado, o melhor time do século XX não consegue vingar no novo século.