sexta-feira, 21 de junho de 2013

A bola pune até em Japonês.

Grupo A - Itália 4 x 3 Japão:

É muito gratificante assistir seleções e clubes tradicionais, tanto por tudo já que fizeram pelo esporte como pelo lado místico da coisa. Muitos que estiveram quarta-feira na arena Pernambuco para ver a Azurra, inclusive, quando ela entrou no gramado, essa foi a minha primeira observação. Contudo, tão legal quanto admirar o clássico é assistir um time que disputou a primeira copa do mundo há exatos quinze e fazer uma das potências do futebol internacional ficar correndo atrás da bola por uma grande parte do jogo, mas, futebol é gol.
Entrada da bela Arena Pernambuco. (José Pereira - Tribuna do Cisco)


A Itália entrou em campo não muito bem postada, não sei se foi posição que não contribuiu bastante. Começaram com uma linha de quatro da defesa e, de início, Chiellini e De Siglio inverteram as posições ainda no primeiro tempo, mas a mudança não surtiu muito efeito. No meio campo, a bagunça estava mais fácil de ser reconhecida. Não dava para perceber se estavam em linha ou não, mas, algo era muito claro, a bola sempre tinha de passar pelos pés de Andrea Pirlo. Na frente, um Aquilani muito apagado e um Ballotelli muito parado.

(José Pereira - Tribuna do Cisco)

O Japão repetiu a formação do jogo contra o Brasil, só que com uma pequena mudança no ataque, Okazaki foi recuado e ocupou a posição de Kiyotake, Maeda assumiu o posto de único avançado entre os samurais. Mais uma vez, a disciplina tática, o toque de bola e as rápidas movimentações continuaram como as principais armas japonesas. Só que, a posse de bola foi a grande característica que mexeu com todos que foram ao estádio, os Japoneses pareciam ter se multiplicado em campo e ocupavam todos os espaços.

Só que o futebol é injusto, por isto ele proporciona tantas surpresas. Quantas vezes nós imaginaríamos que o Japão superaria a Itália de forma inquestionável? Poucas, mas antes de ontem ela quase chegou a acontecer e fez com que alguns espectadores (inclusive eu) saíssem bem decepcionados com o que foi visto na Arena Pernambuco. Só que uma simples frase resume a atuação do campeão asiático, o Japão deixou de ser inocente, mas continua inocente. Como assim? Ele não conseguiu converter em gols todas as oportunidades que poderiam ser criadas por um simples motivo, não chutava ao gol. Parecia uma exposição de perfeccionismo, ou uma partida do nosso conhecido “gol de dentro”. Porém, futebol é gol! E gol se faz chutando! A Itália, que não deve ter chegado mais de oito vezes à área de Kawashima, conseguiu marcar três vezes com a bola rolando e uma vez com um pênalti muito questionável (Importante frisar aqui que muitos também acharam o pênalti convertido por Honda também interpretativo).

O melhor jogo até então. (José Pereira - Tribuna do Cisco)

Chamando a atenção de todos, Shinji Kagawa foi o jogador que chamou a responsabilidade e ainda marcou um gol muito bonito. Honda continuou se movimentando muito e criando muitas jogadas, além de ser o homem das bolas paradas. Destaque também para o capitão Hasebe que foi um leão em campo. No lado da Itália, com sobras, o melhor jogador foi o meio-atacante Giovinco, que mudou o ataque da azzurra após entrar no gramado. Pirlo e De Rossi também foram muito bem, o primeiro sendo o maestro da equipe e o segundo fazendo todo trabalho sujo e ainda conseguindo criar boas oportunidades para os europeus.

(É gol do Japão! (José Pereira - Tribuna do Cisco)

Do lado negativo, Ballotelli, sem dúvidas, lidera o posto. A grande estrela italiana aparentava estar muito desmotivada e preguiçosa, decepcionando muito daqueles que estavam ali para vê-lo. Se bem que, tirando Giovinco, seus companheiros ofensivos foram muito mal. Aquilani, sumido; Montolivo, apagado e Giaccherini, um fantasma. No Japão, Uchida nem de perto foi o grande defensor do campeonato alemão. Seus companheiros de defesa seguiram na mesma maré horrível, até porque não temos como falar bem de um setor que permite quatro gols, dois de falhas bem infantis.

Sobre o evento, o estádio é ótimo e muito aconchegante. Você tem excelentes pontos de visibilidade em qualquer lugar que estiver. Para este jogo, os voluntários estavam mais participativos, porém, o brasileiro ainda não se acostumou com lugar marcado e sempre vemos pessoas sentando em assentos diferentes do comprado, ou por preguiça, ou por não conseguir encontrar com facilidade. A grande dificuldade realmente é chegar e sair do estádio, que está muito longe do centro do Recife e existem poucos meios para a quantidade de pessoas que vão aos jogos. Em geral, imagina-se que na Copa do Mundo, estejam ainda mais preparado para as multidões.



(José Pereira - Tribuna do Cisco)

Para a última rodada, Itália disputará o primeiro lugar do grupo contra o Brasil, esperando que tenha uma apresentação melhor de Ballo, fazendo repercutir toda expectativa gerada em cima dele. Para o Japão, vão apenas cumprir tabela contra o México, mas os holofotes estarão em cima deles no mundial do Brasil, isso ficou claro. 

Destaque: Kagawa.

FICHA TÉCNICA:

Local: Arena Pernambuco, em São Lourenço da Mata (PE)

Data: 19 de junho de 2013, quarta-feira

Horário: 19 horas (de Brasília)

Árbitro: Diego Abal (Argentina)

Assistentes: Juan Pablo Belatti e Hernan Maidana (Argentina)

Cartões amarelos: Buffon e De Rossi (Itália); Hasebe (Japão)

Gols:

ITÁLIA: De Rossi, aos 40 minutos do primeiro tempo; Uchida, contra, aos quatro, e Balotelli, aos sete, e Giovinco aos 40 minutos do segundo tempo

JAPÃO: Honda, aos 21, e Kagawa, aos 32 minutos do primeiro tempo; Okazaki, aos 23 minutos do segundo tempo

ITÁLIA: Buffon; Maggio (Abate), Chiellini, Barzagli e De Sciglio; Pirlo, De Rossi, Montolivo, Giaccherini (Marchisio) e Aquilani (Giovinco); Balotelli
Técnico: Cesare Prandelli

JAPÃO: Kawashima; Uchida (Sakai), Yoshida, Konno e Nagatomo; Hasebe (Nakamura), Endo, Kagawa e Honda; Okazaki e Maeda (Havenaar)

Técnico: Alberto Zaccheroni