quinta-feira, 25 de abril de 2013

Arsenal - O projeto vencedor de um time que não consegue vencer


Entre os gigantes times da Europa, poucos podem se gabar de ter uma história vitoriosa como o Arsenal. A equipe venceu por 13 vezes a Premier League e por 10 vezes a FA Cup. O clube detém o recorde de maior período invicto no campeonato inglês e também o de ser o único a ganhar a Premier League sem perder nenhuma partida. Na época contemporânea, o Arsenal é reconhecido por ter um ousado projeto, liderado pelo treinador francês Arsène Wenger.




Contratado pelo clube inglês em 1996, Wenger vinha de uma rápida passagem pelo Nagoya Grampus, após vitoriosa e longa estadia no Mônaco. Sua filosofia ficou conhecida quase que imediatamente no norte de Londres como o Young Soccer, isto é, um comprometimento com a descoberta e desenvolvimento de jogadores jovens, ao invés de grandes astros ou jogadores com a carreira já solidificada. De cara, o seu modus operandi chamou a atenção no futebol europeu, com elencos sempre muito jovens, o Arsenal contou quase sempre com times muito rápidos e envolventes, de toque de bola sempre muito preciso. Após alguns belos momentos em sua carreira com o Arsenal – que teve como ápice o título invicto do Campeonato Inglês, na temporada 2003 – 2004 e o vice-campeonato europeu, em final contra o Barcelona, no ano seguinte.

Se o trabalho levou quase dez anos para colher frutos suculentos, também temos quase dez anos de colheitas decepcionantes e crises seguidas que abalam a imagem do time e põem à prova o chamado projeto do futebol jovem. Afinal, essa obsessão pela formação de jogadores traz benefícios ao Arsenal?

Essa questão deve ser respondida em duas dimensões distintas, a financeira e a futebolística – do jogo, propriamente dito.

No primeiro aspecto, é preciso dizer, Wenger é um alento no mesquinho e caríssimo mundo da bola atual. O empresário estadunidense Stan Kroenke de 65 anos é, hoje, o sócio majoritário da companhia que detém o Arsenal, comprado por aproximadamente 825 milhões de libras. Kroenke detém agora 62,89% das ações do clube, ele sempre se mostrou empolgado com essa enorme responsabilidade. Com tanto dinheiro rolando, a ideia de comprar jogadores por um baixo custo, e vendê-los a preço de ouro é o melhor cálculo custo-benefício que um clube poderia fazer. Aliada a uma política de obtenção de lucros, que conta com a venda do nome de seu novo estádio (já construído em parceria com a Emirates Airlines) até lógicas de marketing diferenciadas.

Façamos um levantamento rápido do lucro que o time londrino arrecada, usando como exemplo a venda de alguns jogadores que conseguiram grandes feitos com a camisa alvirrubra.



O rendimento financeiro para o Arsenal é visível e gritante. Poderíamos levantar diversos pontos, desde o valor pago até a preferência por “clientes” específicos que podemos inferir dessa observação rápida. No entanto, creio que a melhor forma de rebater o inegável ganho que tem a diretoria do Arsenal, é apelando para a paixão.


E é essa é a segunda dimensão através da qual podemos responder o nosso questionamento chave. Quanto ao futebol,aos torcedores e ao Arsenal dentro de campo, onde estão os ganhos? Bem, os ganhos não estão em lugar nenhum, ou, ao menos, não próximo do Emirates Stadium. O Arsenal não tem um título sequer desde o seu desempenho incrível em 2004, e desde 2005 não tem performances expressivas na Europa ou mesmo na Inglaterra.

Pior, Wenger costuma ter em mãos jogadores realmente incríveis, capazes de belíssimos desempenhos, de diferenciar partidas e decidir títulos. No entanto, o treinador francês não consegue montar grandes equipes, há uma visível falta de experiência e liderança nos times montados em Holloway. Isso não torna seus craques menos craques, mas o seu time, menos time.

Duvida? Observe então os mesmos jogadores da relação acima, mas por um prisma diferente, o dos títulos obtidos após a saída do Arsenal.



Podemos observar, dessa forma, que o pretexto comumente presente nos discursos de saída dos jogadores do Arsenal, “quero ganhar títulos”, condiz totalmente com a realidade e esse desejo vem sendo alcançado por eles. Os torcedores, por sua vez, tem visto os esforços coletivos do Arsenal serem sempre mal sucedidos, mas gerarem frutos que serão colhidos pelos adversários, frustração que não tem fim. Tragicamente, tal realidade tem indicado aos jogadores que o único caminho para os troféus começa pela porta de saída do Emirates.

De Henry a Van Persie - É preciso deixar o Arsenal para ser campeão?

Enquanto o Arsenal não decidir em qual dessas áreas é mais importante ganhar, o lado do futebol continuará perdendo e torcer para o time londrino, será uma tarefa cada vez mais difícil e sofrível, exceto para gestores e amantes da administração.