quinta-feira, 28 de fevereiro de 2013

Y ahora, Josep? Oops, Tito?!

O que aconteceu? O que fazia Guardiola? O que está fazendo Vilanova? O mundo da bola está se perguntando como este black-out atingiu o Barcelona de uma hora para outra.


Será esse o retrato do Barça atual? (zerozero.pt)

Temos uma nova discussão em pauta no mundo futebolístico, mas o time é antigo. Sim, o Barcelona é o tema mais uma vez. Porém, o foco está longe do brilhantismo de Messi, da genialidade de Xavi e Iniesta, da raça de Puyol ou do massacre contínuo no quesito de posse de bola. Por sinal, a posse de bola ainda existe, contudo ela não está sendo convertida naquilo que faz a diferença no futebol, gols.

Vamos por partes. Após a eliminação da UCL passada pelo Chelsea, muito foi questionado sobre a supremacia dos passes rápidos dos Culés, será que os times estavam achando uma defesa contra o estilo de futebol revolucionário que o Barcelona tinha orgulho de divulgar? Sinceramente, não. Então, logo após a eliminação, Pep Guardiola pede demissão e Sandro Rossell se antecipa para informar que o sucessor seria o seu ex-auxiliar Tito Vilanova. Teoricamente, nada mudaria. Bem, teoricamente...

Seria Tito apenas uma sombra de Pep? (abola.pt)
Mas, vamos voltar ainda mais no tempo, para a época de Frank Rijkaard. O período Rijkaard teve muita semelhança com o vivido por Pep Guardiola. Ambos montaram um time praticamente novo, a diferença foi que Rijkaard foi fazendo contratações diversas, primeiro com apostas e depois com jogadores que foram conquistando espaço na Europa. Rijkaard trouxe para a Catalunha Luis Garcia, Ricardo Quaresma, Máxi Lopez, Deco, Ludovic Giuly, Rafa Marquez, Belletti, Van Bommel, Ezquerro, Zambrotta, Lilian Thuram, Yaya Touré, Thierry Henry, Gabriel Milito, Abidal, Samuel Eto’o e sua grande estrela, Ronaldinho Gaúcho. Já Pep fez contratações mais pontuais, mas com um detalhe muito importante, praticamente toda as grandes aquisições feitas por Pep foram de jogadores formados nas categorias de base do próprio Barça, como Piqué e Fábregas. Não obstante, seu período foi marcado por contratações “desnecessárias” como Ibra, Cárceres, Keirrison, Henrique, Hleb, Affelay e Chygrynskiy. Também houve os acertos com Villa, Masch, Sanchez, Adriano e Dani Alves que ainda A grande diferença na formação dos elencos foi que Frank apostou nas estrelas, e Pep nos meninos formados nas canteiras.

Outra coincidência, ambos tiveram uma grande estrela, escolhido melhor jogador do mundo e responsáveis por momentos de brilhantismo ímpares. Ronaldinho Gaúcho parecia não ser deste planeta durante os três anos em que reinou entre os mortais. R10 simplesmente fazia o difícil virar fácil e o impossível acontecer se tornar rotina. Por mais que Messi seja hoje o grande nome do futebol mundial, acho que nenhum jogador vai ter um ano (muito menos dois) fazendo as mesmas peripécias que o Gaúcho aprontou durante seu auge. Para sorte, ou competência de Pep, Messi foi o responsável por carregar o status de estrela, distribuindo seus dribles curtos, movimentos rápidos e precisão nas conclusões como nenhum jogador vem fazendo no esporte.  A grande diferença entre R10 e Leo é a regularidade do Argentino, que mesmo nesta temporada em que está um pouco ofuscado, ainda tem grandes exibições e aparenta estar sempre focado. Já o brasileiro teve uma queda gritante no seu jogo e seus problemas extra-campo fizeram com que os dias de glória em Barcelona ter um fim logo após a demissão de Frank Rijkaard.

Este barça atual já está deixando Puyol com dores de cabeça. (Uol.com)
Além destes dois pontos, podemos mencionar o esquema de jogo. Ambos usaram o 4-3-3 como sistema tático. Uma marcação sobre pressão constante e uma correria intensa são pré-requisitos para conseguir aguentar o tranco com a camisa azul-grená. A diferença, além de pontos táticos que apresentarei em breve, era a origem do desenho tático. Rijkaard se prendia ao que aprendeu no Ajax e no tradicional 4-3-3 holandês. Já Guardiola fala que este é um trabalho da base, é como os jogadores formados em La Masia se postam em campo.

Agora você deve estar se perguntando, e onde Tito Vilanova entra nessa história toda? Tito é o atual treinador, pegou um plantel pronto, com mais alguns reforços e com um plano de jogo definido. O jogo da “demissão” de Pep é um exemplo que o treinador usava de várias formações, um 3-4-3 distribuído da seguinte forma: Valdés; Puyol, Masch e Piqué; Busquets, Xavi, Iniesta e Fábregas; Cuenca, Messi e Sanchez. Já no jogo, quer dizer, no treino contra o Santos no Mundial de Clubes, o Barça aprensentou um 4-1-4-1 muito interessante, surpreendendo Muricy e causando o que causou com a seguinte escalação: Valdés; Daniel Alves , Puyol, Piqué e Abidal; Busquets; Fábregas, Xavi, Iniesta e Thiago Alcântara; Messi.
O Barcelona perdeu essa mutabilidade tática com a saída de Guardiola. Então quer dizer que Tito é muito mais fraco?
O brilho de Messi está ofuscado até nesta foto (sportblogs.br)
Muito mais fraco não posso afirmar, mas ele não está no mesmo nível que o criador. Uma prova disso são alguns pontos frágeis que foram percebidos pelos adversários e que agora estão sendo trabalhados. Não sei até onde sua saúde frágil está interferindo no dia-dia do clube, pois esta batalha contra o câncer está fazendo com que o Barça substitua constantemente treinador durante a temporada, aparentando um clube sem comando fora das quatro linhas. E antes que alguém afirme que duas derrotas não podem causar todo um alvoroço, o Barcelona venceu o Real Madrid apenas uma vez em cinco confrontos nesta temporada. Perdeu para o Milan, perdeu um jogo para o Celtic e venceu o outro com muita dificuldade. Na verdade, os blaugranas estão oscilando muito e abaixo estão algumas razões:

Passividade ofensiva: A posse de bola continua sendo o foco do jogo do time catalão, as goleadas ainda acontecem, agradando os apreciadores do bom futebol. Porém, estão pecando numa questão básica para se conseguir vencer, os chutes ao gol. O Barcelona está encontrando cada vez mais ferrolhos mais arrochados e difíceis de serem rompidos com seu jogo de toques curtos e rápidos, porque quando estão chegando próximo ao gol, o espaço vai se reduzindo e os toques não são mais objetivos. Entretanto, estão esquecendo-se de afirmarem aos jogadores que quanto mais pessoas ocupam a grande área do goleiro, pior fica sua visibilidade. Os chutes de fora da área já ajudaram o Barcelona a ganhar uma UCL (o gol de Iniesta contra o Chelsea em 2009) e podem voltar a ser uma arma ofensiva da equipe.

Bolas lançadas à área: Este quesito está atrapalhando tanto a defesa quanto o ataque. Não é de hoje que o Barcelona vem sofrendo muitos gols de cabeça e fica insistindo em cruzar para seus atacantes de 1,70 de altura. Os zagueiros do Barcelona podem não ser muito baixos, mas a média de altura da equipe é baixa e isto está influenciando nos gols tomados. Posicionamento poderia sanar a questão lá atrás, mas, pra mim, caso o time continue a “chuveirar” a bola na área insistentemente, estarão desperdiçando chances de gol.

Poucos passes longos: A criatividade era a maior marca deste time, porque quando o adversário parava para ajustar a cobertura, era o momento em que o Barcelona causava estrago. No jogo de Terça, o gol surgiu desta forma, uma bola diagonal longa para Alba que ficou de frente para o goleiro. E ninguém jamais esquecerá aquela bola que Piqué lançou para Ibra no jogo contra o Arsenal no Emirates. Infelizmente, esse tipo de jogada virou raridade no Barcelona.

Falta de cobertura nas laterais: Como o time ataca em blocos, quando os laterais se posicionam na altura dos meio –campistas, o time fica totalmente exposto às bolas longas que mencionei no ponto anterior. A reposição pode ser boa, mas nem sempre ela pode funcionar porque os jogadores responsáveis por puxar os contra-ataques também são muito rápidos. Isto é um risco do jogo, mas o aproveitamento do Barça diminuiu nestas investidas laterais. A harmonia precisa voltar, ataca-se e volta sempre que perde a bola.

Um Messi ofuscado: Não existe grande equipe que vai continuar vencendo sempre sem o diferenciado estar jogando bem. Messi não está passando por nenhuma crise profunda, mas tem sido muito ofuscado nos últimos grandes duelos. Não gosto de falar que ele não tem chamado a responsabilidade. Prefiro afirmar que suas investidas não estão sendo seguidas de sucesso. Outra coisa, caso o Barcelona seja eliminado pelo Milan, acho muito difícil Messi conseguir vencer mais um prêmio de melhor jogador do mundo mais uma vez.

Talvez esta imagem deixe de aparecer (as.es)
Certo, então quer dizer que o Barcelona vai caminhar rumo à normalidade dos outros clubes? Ninguém sabe. Uma grande exibição contra o Milan e uma vitória contra o Madrid no Santiago Bernabeu válido pelo já vencido campeonato espanhol pode fazer toda essa postagem não valer de nada. A grande diferença entre os riscos que o Barcelona corre e os riscos que eu corro em escrever isto, é que eu não vou perder nenhum campeonato caso eu tenha errado em tudo.