sábado, 30 de junho de 2012

Juntos num só grito, é peeeeeeenta!!!

Após uma longa jornada, de angústias e de muitas críticas, o Brasil, agora de Luiz Felipe Scolari, chegava a mais uma final de Copa do Mundo. A Seleção que estava invicta e com 100% de aproveitamento, ainda contava com o brilho de Rivaldo e Ronaldo, os craques do penta.
Ronaldo se consagra marcando os gols do título. (Getty Images)
O adversário era a Alemanha, seleção que antes da Copa, também vinha desacreditada. Porém o selecionado alemão fez uma campanha excepcional, começando com uma goleada sensacional em cima da Arábia Saudita. Na semifinal, os alemães eliminaram a dona da casa Coréia do Sul.
        
Felipão mandou para campo Marcos, Edmílson, Roque Júnior e Lúcio; Cafu, Roberto Carlos, Gilberto Silva, Kleberson,  Rivaldo e Ronaldinho; Ronaldo. Os onze se destacaram na competição e Felipão colocou o que tinha de melhor. No lado europeu, o lendário Rudi Voeller, começou com Kahn (o goleiro alemão recebeu o prêmio de Craque da Copa, mesmo antes de ter disputado a final, um grande equívoco), Jeremies, Linke, Metzelder e Bode; Ramelow, Frings, Hamann e Schneider; Neuville e Klose. A grande esperança alemã era o craque Michael Ballack, mas o meia levou o cartão amarelo no jogo contra a Coréia do Sul, o que custou caro para a estrela da Alemanha.
Ramelow observa os
craques da Copa. (Getty Images)
        
Pela primeira vez, brasileiros e alemães se enfrentavam numa final de mundial. Caso a Alemanha vencesse, o país poderia igualar o tetra brasileiro, caso contrário, o Brasil poderia isolar-se ainda mais no topo do futebol. A partida começou com cara de final, os times se estudavam e não se soltavam para o jogo. Havia certa cautela misturada com a ansiedade em disputar uma decisão.
        
Logo no início, Ronaldo tabelou com Ronaldinho e quase abriu o placar, foi o primeiro “uh” da torcida brasileira. Eles queriam a consagração, em mais uma boa trama, Ronaldinho passou para Ronaldo, mas o chute saiu fraquíssimo e o “melhor jogador da copa” defendeu fácil. Só dava Brasil, numa grande oportunidade, a revelação da Copa, Kleberson, fez uma linda jogada, mas a bola saiu sem rumo. Ronaldinho driblou e tocou na medida para Kleberson, o brasileirinho passou bem e chutou melhor ainda, a bola foi perfeita, mas por milímetros não entrou. Os alemães rezaram e viram a bola bater na trave e sair. O gol brasileiro amadurecia, a Alemanha estava entregue e envolvida na classe do futebol brasileiro.
        
Em mais uma chegada, Ronaldinho tocou de cabeça para Roberto Carlos, o lateral chutou cruzado e a bola sobrou para Ronaldo, que virou bonito, mas chutou em cima de Oliver Kahn. O primeiro tempo terminou com sabor de vitória para a Alemanha, já que o Brasil dominou totalmente a primeira etapa, Felipão tinha a difícil missão de colocar na cabeça dos jogadores, todo um trabalho realizado, desde a classificação sofrida nas eliminatórias, até o domínio na grande final após uma Copa fantástica.
        
No início do segundo, enfim, a Alemanha atacou. Neuville cruzou e Jeremies cabeceou para o gol, mas Edmílson livrou o Brasil do susto. A pressão persistiu, era falta para a Alemanha. Neuville cobrou e mandou um torpedo para o gol. Um dos heróis do penta, o goleiro Marcos se esticou todo e fez o seu grande milagre, sua maior contribuição na Copa da Coréia e do Japão.
        
Quando a Alemanha gostava do jogo, enfim, o penta começava a dar as caras. Ronaldo levava a bola, porém, a zaga alemã o desarmou. O camisa 9, entretanto, se ergueu rapidamente e com muita raça, o eterno “Ronaldinho” roubou a bola e passou para Rivaldo. O camisa 10 chutou fraco para o gol e, de maneira inacreditável, o goleiro Oliver Kahn soltou a bola no meio da pequena área. Ronaldo não decepcionou e abriu o placar. Milhões de vozes gritavam com a amarelinha.
Cafu levanta a taça e se declara. (Omset Blog)
Pouco tempo depois, Kleberson, em seu melhor estilo, arrancou com a bola até a área alemã e tocou na medida para Rivaldo. Em um lance de gênio, o monstro da de número camisa 10 fez um lindo corta luz para Ronaldo se consagrar. O artilheiro do Mundial chutou colocado e colocou a mão no penta. Em poucos minutos, O Brasil vencia a Alemanha por 2 a 0 e a festa do outro lado do mundo já começava.
        
Na última chance alemã, Bierhoff virou chutando e obrigou Marcos a realizar outro milagre, não era o dia alemão. No final do jogo, Felipão colocou em campo o “abusado” Denílson. O jogador de uma habilidade incomum perturbava a defesa alemã, até que  Asamoah perdeu a paciência e deu uma forte entrada no brasuca. Mas já era tarde demais, o árbitro italiano, Pierluigi Collina pediu a bola e a Copa do Mundo estava conquistada.
        
A primeira Copa do século XXI consagrava a melhor seleção do século XX. A “Família Scolari”, depois de muito esforço, conseguia chegar ao topo do mundo. Era a alegria de uma nação que ainda guardava a mágoa do passeio sofrido para a França, no mundial de 1998.
        
Cafu levantou a taça e se declarou para a sua esposa, Regina. Uma cena emocionante. Apesar disso, o momento mais emocionante foi quando Ronaldo ergueu o trofeu. O camisa 9 vinha de uma forte lesão, sofrida em 2000. Felipão deu um voto de confiança e convocou o atacante que não decepcionou. Uma grande volta por cima de Ronaldo Nazário de Lima. O título também corou o camisa 10, Rivaldo, o craque do Barcelona era muito criticado por não repetir suas atuações pelo clube espanhol na Seleção. Contudo, o meia calou a boca de muitos críticos e também foi uma das grandes estrelas da Seleção na Copa 2002.
A Família Scolari. (Omset Blog)
A Tribuna encerra a série sobre os 10 anos do penta agradecendo à todos que acessaram e relembraram conosco a chegada da quinta estrela. Obrigado e celebremos num só coro: “é peeeeenta”!