sexta-feira, 24 de fevereiro de 2012

Konichiwa UFC!

Eis que o UFC chegou à Tribuna do Cisco. O maior evento de MMA do mundo realizará, neste final de semana, o UFC 144, no Japão, com disputa de cinturão para engrandecer ainda mais o combate. Vários fatores destacam o show deste sábado, mas, o principal, certamente é o local. Depois de muito tempo, o UFC volta ao Japão, mais precisamente à conhecidíssima Saitama Arena, palco da famosa e extinta organização Pride, que gera discussões até hoje de qual é/foi o melhor campeonato (Quem falar que é o UFC, não merece ser levado a sério!).

A Saitama Arena
A popularização do UFC é nítida. Você não precisa mais vasculhar na obscuridade atrás de notícias sobre MMA, pois agora elas estampam as manchetes dos principais meios de comunicação esportiva do Brasil e do mundo (como a Tribuna do Cisco, por exemplo). Entretanto, o UFC não está popularizando o esporte no Japão, apenas está revitalizando uma paixão já existente no coração dos japoneses, realizando um show a altura do fanatismo dos nipônicos pelas artes marciais. O Pride foi comprado pelo UFC em 2007, mas as lendas, como Fedor Emelianenko; Rodrigo Minotauro; Wanderlei Silva; Ricardo Arona; Dan Henderson; Josh Barnett; Mirko Cro Cop e tantos outros, abrilhantam o esporte com atuações memoráveis desde a década de 90. Infelizmente, organizações como o DREAM e Shooto não conseguiram o sucesso condizente com a dimensão da força do esporte no Japão, não se tornando atrativas para os lutadores.



Saitama Arena, que marcou época nas décadas passadas, resurge para o UFC.
Pôster de divulgação do evento
Já a marca japonesa, que era uma concorrente direta e recheada de grandes estrelas em todas as categorias, foi comprada por nem metade dos 70 milhões gastos pelo UFC para comprar a organização californiana, que contava com pouco mais que 10 lutadores de alto nível no esporte. Além disso tudo, a filosofia que envolvia o Pride era muito mais perceptível do que a do UFC, tendo entradas antológicas e apresentações lendárias, com tratamento digno de samurais para os seus lutadores.
Agora os tempos são outros, o UFC monopoliza o mundo das artes marciais mistas, que cresceu consideravelmente, aliás, muito mais do que eles esperavam. A evolução dos atletas atrai cada vez mais espectadores para o mundo das artes marciais mistas. Então, o UFC não errou em colocar o Japão dentro do calendário de eventos, dando a honra de ter uma disputa de cinturão entre a categoria mais disputada na organização neste exato momento, a categoria dos leves. Além de um card recheado de japoneses, que mesmo em baixa, trarão um pouco de espírito patriótico para o público local.



Agora, vamos às análises do card principal:
Antes de apostar na vitória de algum desses lutadores, digo que essa peleja terminará em finalização. Calma pessoal, essa luta não vai ser daquele estilo dois homens deitados um em cima do outro sem fazer nada. Não, aposto em um show de Jiu-Jitsu! Sobre os lutadores, altura e peso idênticos, com um pouco de vantagem na envergadura para Pettis. Apesar de ser o último campeão do WEC, acredito que Pettis enfrentará um lutador bem complicado, principalmente se o rumo da luta for realmente o chão. Para ter mais chance, Pettis terá de usar seu melhor poder de nocaute.
Palpite: Lauzon vence por Submissão.

Mais uma excelente luta no card do UFC Japão. O primeiro representante da casa a lutar será o japonês Hioko, que vem de vitória por decisão na sua última luta. Seu adversário, o polonês Palaszwski, que atrapalha esse blogueiro com um sobrenome filho da mãe, é tão experiente quanto o lutador oriental. Sobre o combate, acredito na primeira vitória japonesa da noite. Imagino que teremos uma luta um pouco mais amarrada, o que favoreceria o japonês.
Palpite: Hioki por decisão unânime.

Essa tem tudo para ser a luta mais entediante da noite. Então, se você quiser parar para ir preparar um café, a hora é essa. Okami vem de derrota para Anderson Silva, o que não é motivo para se envergonhar, apesar das declarações recentes de que ele não conseguiu digerir bem a derrota. Boetsch é um ex-lutador da categoria de cima, que fará a terceira luta nos pesos médios. Minha perspectiva é uma luta amarrada no chão, apesar não achar nenhum deles lutadores sem técnica. Se for para imaginar algo fora da normalidade, seria um nocaute de Boetsch, mas acho isso improvável.
Palpite: Okami por decisão unânime.

Para mim, tem tudo para ser uma excelente disputa. De um lado, Akiyama, fazendo sua estreia na categoria dos meio-médios para conseguir um melhor rendimento na organização, já que seu cartel é de 1-3. Shields retornou ao UFC com a missão de ser o responsável por derrotar GSP. Mas, como todos os últimos desafiantes, se perdeu na estratégia do canadense e não conseguiu causar nenhum dano ao lutador de Montreal. O caminho para a vitória será a luta em pé (principalmente para Yoshiriro), mesmo ambos os lutadores tendo melhores retrospectos na luta no chão. Devido ao retrospecto dos dois, acredito que a peleja concorrerá ao prêmio de nocaute da noite.
Palpite: Shields por submissão.

Abram espaços para a categoria dos pesados! E para um confronto em pé. Aqui teremos o combate entre dois strikers. O australiano Hunt, conhecidíssimo entre os japoneses, devido a suas passagens pelo K-1 e Pride, e o francês Kongo, tido como um exímio lutador na parte em pé. Se analisarmos o cartel de ambos os lutadores, o francês leva uma absurda vantagem, mas estamos tratando da categoria dos pesados, onde um soco pode mudar o desfecho de uma luta. Os dois lutadores vêm de vitórias, caso o francês vença, seu nome ressurge com força entre os competidores para disputar o cinturão da categoria. E, como já falei anteriormente, nenhum deles tem como característica a luta no solo, para ganhar, vai ser na trocação (UI!)
Palpite: Kongo por nocaute.

Essa luta de Jackson no Japão é nada mais nada menos que um presente de Dana White para o lutador. Rampage, como é conhecido, antes de desbravar dentro do octógono, era um dos lutadores mais populares do PRIDE, inclusive, colocando a música tema do evento japonês como sua música de entrada em algumas lutas no UFC. Entretanto, seu adversário não será o mais fácil. Ryan Bader busca retomar a caminhada rumo ao título depois de vencer Jason Brilz de maneira inquestionável no seu último desempenho. Todavia, Bader pode não ter tanta dificuldade caso enfrente o Rampage, astro de cinema, que fez até o lutador tratar com um pouco de descaso sua carreira como atleta. Nessa luta prevejo algo de tudo, trocação, tentativas de quedas, chaves e um pouco de clinch. Mas, tudo acabará se Rampage acertar um dos seus famosíssimos socos, os mais potentes do UFC.
Palpite: Bader por submissão.


A famosa encarada durante a conferência de imprensa.
E, finalmente, para a alegria do palpiteiro e especialista nas horas vagas que está escrevendo este texto, a principal e última luta da noite entre Frankie Edgar e Bem Henderson. Edgar se tornou campeão tomando o cinturão da lenda BJ Penn, em duas vitórias consecutivas. Em seguida, teve dois confrontos históricos contra Gray Maynard, mostrando porque ele é o campeão da categoria mais equilibrada do UFC. E do outro lado do octógono, ele enfrentará outra fera, o ex-campeão do WEC e ainda invicto no UFC. Apesar de todas suas vitórias terem sido por decisão, suas lutas foram sempre movimentadas, não faltando animação em nenhum momento. Acredito que Henderson tentará levar a luta para o chão, sua especialidade. Já Edgar, detentor de uma mão muito potente, fará uso de seu boxe para alcançar a vitória.

Palpite: Edgar por nocaute.